O Internacionalista n°2 / MOVIMENTOS / abril de 2023

22/03 – Dia Nacional de Luta pela Educação

Ato esvaziado e aparelhista é organizado pelos governistas para manter o imobilismo


O dia nacional de Luta pela Educação em São Paulo não passou de um comício dominado pelo governismo, para blefar com paralisação das ruas e greves, se a reforma do ensino Médio não for barrada no Parlamento, e somente em uma ou outra fala compareceram as denúncias das condições salariais e trabalhistas pioradas dos trabalhadores da Educação. Dirigentes da UBES e da UNE fizeram falas agitativas e acaloradas, sobre a necessidade da unidade e da presença nas ruas para barrar a Reforma, mas, assim como os burocratas sindicais, tampouco fizeram qualquer aceno de preparar uma greve nacional da Educação desde as bases e assentada nos métodos próprios de luta dos oprimidos.

A manifestação não teve qualquer preparação ou convocatória prévia das assembleias e de organização dos estudantes nas escolas, para levar às ruas uma massiva mobilização de massas, radicalizada, capaz de abrir caminho à greve geral da Educação pela revogação imediata da Reforma maldita. Como acontecia sob o governo Bolsonaro, a política das direções sindicais da CNTE é a de bloquear as greves, e impedir a deliberação e resolução coletivas das assembleias, impondo a pauta por cima, de acordo com o objetivo de negociar, nas instituições, como modificar aspestos da Reforma, depois apresentar as migalhas consensuadas como “vitórias”. A esse objetivo serviram os parlamentares que falaram no ato e se “comprometeram” a travar a reforma, caso não houvesse negociação para sua alteração. Mas, a diferença com anos anteriores é que agora as burocracias são parte integrante ou aliadas do governo de frente ampla burguesa, aproveitando-se das ilusões democráticas das categorias no governo para mantê-las imobilizadas e fazê-las acreditar que o governo as ouvirá. Não por acaso, as falas lembraram da importância da derrota bolsonarista nas urnas, e chamaram a não “abandonar a luta”, mas sem qualquer convocatória a assembleias e novas manifestações para preparar uma greve geral unitária e radicalizada, capaz de impor ao governo, com a força coletiva da classe, a revogação.

Eis porque a convocatória a “preparar” a greve nacional do próximo mês, se não houver revogação da Reforma pelo governo, dá a ele um tempo para negociar e ajustar as contas com a base aliada no Parlamento, para que a burocracia possa encerrar a greve nacional de abril antes de ser oficialmente convocada, sem se arriscar a ser obrigada a impulsionar as tendências de luta presentes na grande insatisfação existente entre os trabalhadores da Educação.

Sem dar ênfase e colocar as reivindicações que apontam a necessidade de organizar a luta desde as bases, e com os métodos da ação direta, para impor imediatas melhorias nas condições de trabalho dos professores, a efetivação sem concurso da categoria O e dos terceirizados, reduzir a jornada de trabalho estafante, repartindo as horas de trabalho entre todos os aptos sem reduzir salários, fim da lei 1374, que resultou em opressão nas escolas (principalmente aos professores contratados), abertura de todas as EJAs, e um plano de obras públicas para construção de todas as escolas necessárias para reduzir o número de alunos por salas controlado pelos trabalhadores e estudantes, não haverá como abrir caminho a uma greve nacional, capaz de impor a derrubada da Reforma e a defesa de emprego estável e efetivo a todos, real aumento de salários, e melhores condições de trabalho e estudo para professores, ATEs e estudantes.

Foi com essa linha que interveio o Partido Proletário Revolucionário Internacionalista, PPRI, no ato, por meio da distribuição de um Manifesto da Corrente Sindical Marxista-Guillermo Lora. Convocamos os militantes e a vanguarda a debater nas escolas como erguer uma frente única de luta em defesa das reivindicações e dos métodos que imporão nossas reivindicações ao governo de frente ampla burguesa.