
O Internacionalista n°2 / MOVIMENTOS / abril de 2023
A luta pela formação de uma oposição revolucionária nos sindicatos
de professores estaduais e municipais
Lula deixou claro que defenderá a aplicação das contrarreformas aprovadas sob os governos de Temer e Bolsonaro, ainda que modificando tal o qual aspecto, ou outorgando alguma ou outra concessão e migalha para as direções sindicais abortarem as tendências de luta das bases. Para cumprir esse objetivo, conta, de um lado, com o apoio de uma ampla frente da burguesia, e, de outro, com uma ampla aliança de correntes e burocracias governistas nos sindicatos atreladas à defesa de seu governo.
Uma característica distintiva do novo governo burguês encabeçado pelo caudilho petista é que desta vez não precisa exigir das direções sindicais que se submetam à defesa das medidas de seu governo. Pelo contrário, são essas que oferecem voluntariamente a colaboração de classes à frente ampla da burguesia, em nome da “defesa da democracia” e de combater as “forças golpistas” que ameaçam a estabilidade do governo dito de “democrático e popular”. No entanto, grande parte das forças de base do bolsonarismo hoje reaparecem como aliados do governo Lula/Alckmin. Não o fazem por convencimento ideológico, mas por interesses bem claros: participar da divisão de cargos no aparato do Estado, receber verba pública, em troca de apoio a determinadas leis e medidas. Enquanto a “democracia” é hoje defendida por grande parte das forças burguesas que deram o golpe em 2016.
Sempre coube às burocracias sindicais a tarefa principal de impor no interior dos sindicatos os acordos favoráveis ou toleráveis pelo patronato, ora traindo as greves, ora destruindo a democracia operária. Contra as traições e em defesa de “sindicatos para a luta”, formaram-se inúmeras correntes classistas e anti-burocráticas que conformaram boa parcela das oposições sindicais. Mas, agora o cenário é outro: parte significativa delas se acham integradas ou apoiam o governo burguês de Lula/Alckmin.
Vejamos o exemplo da fração que surgiu da cisão do PT, denunciando as traições dos governos de Lula contra os operários e demais trabalhadores, e formou o PSOL como um partido para lutar pelas reformas, as reivindicações dos trabalhadores e a “democratização do Estado” que o petismo abandonou. Hoje, retornam ao leito governista e petista, em um momento em que o PT se orienta a aplicar uma política ainda mais anti-operária e antipopular que na época em que decidiram sair do PT.
É esse processo que estamos observando acontecer no interior dos sindicatos de professores do Estado de São Paulo (Apeoesp) e da Prefeitura da capital (Sinpeem). Enquanto a integração de parte do PSOL à burocracia petista (o PCO há tempos é a quinta coluna dela) produziu uma ruptura na Oposição desse sindicato, empurrando o PSTU/correntes internas do PSOL/POR/LOI/Corrente Sindical Marxista – Guillermo Lora (CSM-GL)/MRT/independentes etc. a conformarem uma chapa independente do governismo e da burocracia cutista, grande parte dessas correntes (com exceção da LOI, CSM-GL e setores independentes) se orientam a formar, nas eleições regionais, uma frente eleitoral oportunista com as correntes que na Apeoesp se fundiram com o petismo.
As reviravoltas oportunistas dos psolistas se combinam com as realizadas pelo PSTU, MRT, POR, etc. Suas vacilações, no momento de romper, no Sinpeem (S. Paulo), com as correntes que abraçaram a burocracia petista, demonstra como se impõem os cálculos aparelhistas à tarefa de constituir e fortalecer uma oposição revolucionária de enfrentamento a todas as frações da burocracia sindical (as correntes que se integraram Articulação na Apeoesp passaram a conformar um destacamento dessa burocracia), e de real independência política e organizativa perante todos os governos de plantão.
Por isso, coloca-se como irrenunciável para as correntes e partidos classistas e revolucionários, que lutam pela real independência de classe, tanto na luta prática como nas eleições sindicais, a tarefa central de batalhar pela formação e consolidação de frentes únicas de luta para combater e derrotar qualquer seja a fração da burocracia e qualquer seja o governo burguês.
Não será possível fazer de fato a defesa das reivindicações dos trabalhadores ao mesmo tempo em que se defende o governo que as ataca. A luta pela real independência de classe se coloca como condição para levantar honestamente as bandeiras que expressem as reais necessidades das massas.
