
O Internacionalista n° 1 / INTERNACIONAL / março de 2023
Europa
Europa mergulha na crise econômica e política, e as massas resistem
Crise econômica na Europa
Na Europa, a crise econômica se manifesta abertamente. O velho continente enfrenta índices de inflação como não se via há muitas décadas. A inflação em 2022, na Alemanha, segundo o instituo nacional de estatística Destatis, foi de 7,9%, o maior índice dos últimos 70 anos. Apontam-se como principais responsáveis os aumentos extremos dos preços de energia e alimentícios, desde o início da guerra na Ucrânia. O Reino Unido, segundo o Banco Central da Inglaterra, até dezembro de 2022, chegava ao índice inflacionário de 10,5%, nível mais elevado dos últimos 40 anos. A situação de 2022 não foi diferente em outros países: França 6,7%, Finlândia 8,7%, Portugal 9,8%, Áustria 10,1%, Holanda 11%, etc.
Se a situação inflacionária está ruim, as previsões de crescimento econômico para o ano de 2023 não são diferentes. Segundo projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Zona do Euro crescerá 0,7%, em 2023 (Alemanha 0,1%, França 0,7%, Itália 0,6%, Espanha 1,1%). A situação do Reino Unido é ainda mais drástica, com a previsão de -0,6%. A saída do Reino Unido da União Européia (Brexit), diferentemente do que defendeuram os seus apoiadores, não a fortaleceu, pelo contrário, é o país que atualmente mais sofre com a inflação e a retração econômica.
Crise política e desagregação da democracia burguesa
A crise econômica se projeta em crise política. A sucessiva troca de primeiros- ministros no Reino Unido, e a ascensão das forças ultradireitistas no continente comprovam isso. Com o ascenso dos partidos reacionários na Europa – – na França, a ultradireita quase venceu as últimas eleições;, na Itália, um partido de inspiração fascista assumiu o poder pela primeira vez, desde Mussolini,; na Alemanha, o nazismo conquistou assentos no parlamento, etc. – as tendências de desagregação da União Europeia ganham força.
As tendências direitistas da burguesia expressam a necessidade de ter governos autoritários, capazes de aplicar as medidas de ataques às massas, necessárias a sustentar o capital financeiro. A democracia burguesa se vai estreitando, diante do crescimento das forças reacionárias.
O fracasso da tentativa burguesa de unificar a Europa, fenômeno hoje evidente, demonstra a importância estratégica da bandeira de Estados Unidos Socialistas da Europa, que somente será edificada com as revoluções proletárias nos principais países europeus.
Ascenso das lutas
Nos últimos anos, houve um crescimento das lutas operárias na Europa contra o elevado custo de vida, exigindo reajustes salariais e em oposição às contrarreformas. As recentes manifestações com greve gerais na França, e greves no Reino Unido, são expressão deste fenômeno. Os ataques às condições de vida e trabalho empurram os explorados à luta, apesar das direções burocráticas e colaboracionistas.
Neste contexto, a luta pela independência política dos explorados nunca foi tão necessária. É fundamental a aplicação do método do Programa de Transição, que, partindo das condições imediatas da luta de classes, permita estabelecer uma ponte com a estratégia própria de poder da classe operária, e coloca na ordem do dia a importância da constituição da direção revolucionária marxista-leninista-trotskista, um partido mundial da revolução socialista, que ajude as massas em luta a se unificarem contra os capitalistas e seus governos.
