
O Internacionalista n° 1 / INTERNACIONAL / março de 2023
Inglaterra
A luta de classes dá um salto
Mais de 500 mil trabalhadores, e dezenas de sindicatos, reunindo ferroviários, portuários, funcionários de aeroportos, professores de escolas e universidades, deflagraram em fevereiro um massivo movimento de rua, exigindo aumento salarial em função da alta inflacionária (9,2%, a mais elevada das últimas décadas), contra a precarização trabalhista, e pelo aumento dos investimentos públicos.
Várias greves e manifestações dos trabalhadores da Saúde foram deflagradas em 2022 e em anos anteriores. Em fins de janeiro, o sindicato nacional de Educação, de professores da educação básica e universitários, decidiu continuar as greves e manifestações, até o próximo mês de março. A cada dia que passa, novos setores se somam aos protestos, e iniciam greves parciais setoriais. Estão colocadas as condições objetivas para uma greve geral unitária. A direção sindical burocrática faz de tudo para frear a projeção nacional grevista, mas não consegue barrar o impulso das bases nos sindicatos.
O primeiro-ministro conservador, Rishi Sunak, 100 dias após assumir, enfrenta a maior greve dos últimos 15 anos no país. Por sua vez, o Partido Trabalhista procura, por meio de sua influência e direção dos principais sindicatos, abortar as greves. Sua atuação serve ao objetivo de se apresentar como a melhor opção à burguesia para governar, no caso de fracasso do governo dos conservadores. Porém, foram as condições de profunda crise e ascenso da luta de classes que causaram a queda eleitoral dos governos trabalhistas, e a vitória dos conservadores. O ascenso destes ao comando do Estado correspondeu aos objetivos da burguesia, de adotar uma política mais ofensiva contra as massas, ao mesmo tempo que os conservadores mostraram-se mais convictos de romper com a União Europeia (Brexit, 2019).
Mas, não importa qual dos partidos da ordem burguesa esteja no poder, uma vez que o governo de plantão deverá garantir os lucros do capital financeiro e das multinacionais, destruindo as condições de vida das massas e fortalecendo a repressão do Estado policial. Tramita no Parlamento uma reforma legislativa, para restringir o direito de greve, e mobilizar as Forças Armadas contra greves e manifestações, para militarizar locais de trabalho considerados “estratégicos”, e que conta com apoio de grande parte dos parlamentares da oposição (trabalhistas).
As manobras e os ataques da burguesia e seus lacaios na direção dos sindicatos poderão ser derrotados, se os setores grevistas e a vanguarda classista trabalharem por formar comitês unitários de base, que reúna os diferentes setores em luta, para discutir e decidir cada passo do movimento, e convocar assembleias gerais para debater e aprovar uma plataforma de reivindicações comum, e um comando nacional de mobilização, com delegados eleitos pelas bases, e revogáveis perante elas. Eis como se daria um passo na construção de uma greve geral nacional e unitária. A vanguarda com consciência de classe, por sua vez, deve tirar as conclusões políticas e práticas necessárias do fato de que as greves na Inglaterra confluem, organizativa e politicamente, com as deflagradas na França, contra a reforma da Previdência.
As burguesias imperialistas de ambos os países agem sob um plano comum, de defender os capitalistas e seus lucros, diante da crise e desagregação da economia. Mas, se digladiam, ao disputarem os mercados, para descarregar, sobre suas concorrentes, as consequências da estagnação e da queda do comércio mundial, expressando o choque entre as fronteiras nacionais e a grande propriedade privada monopolista. Por sua condição, de manifestações do choque contra o capitalismo como regime mundial de exploração da força de trabalho, a luta das massas rompe as particularidades nacionais, e pode unificar instintivamente as forças proletárias, sob interesses e objetivos comuns.
Esta é a tendência geral que aparece nas greves de massas na França e na Inglaterra. A vanguarda com consciência de classe tem por tarefa superar o divisionismo imposto pelas fronteiras e os interesses particulares das burguesias de cada país, e avançar para a coordenação e unificação prática de suas lutas ao redor de um plano comum de reivindicações. Nessas condições, uma vanguarda revolucionária pode ajudar a desenvolver, de forma concreta, a ligação entre estas, em um programa comum para derrotar os capitalistas e desenvolver sua estratégia própria de poder.
