
O Internacionalista n° 1 / INTERNACIONAL / março de 2023
Peru
Porque caiu o governo de Castillo?
A queda de cinco presidentes no Peru, nos últimos anos, sob impulso da luta de classes, manifestou a ruptura das massas com os partidos herdeiros da ditadura fujimorista, que comandaram o país seguidamente. A força eleitoral do ex-presidente Castillo surgiu dessas circunstâncias, e do massivo apoio das classes e camadas de classe mais empobrecidas do campo e da cidade. Mas, ao abandonar seu programa reformista para abraçar as medidas impostas pelo imperialismo e pela direita, destruiu seus vínculos com a única força social capaz de defendê-lo contra a ofensiva golpista. E passou a depender das forças econômicas e políticas burguesas, que controlam as instituições e os rumos políticos do país. Quando a embaixada estadunidense avaliava, junto ao Parlamento e Judiciário, como destituí-lo, as condições do golpe estavam dadas.
Encurralado, Castillo tentou a cartada do autogolpe, fechando o Parlamento. Mas, sua aventura caiu no vazio. A embaixada norte-americana foi a primeira a rechaçá-lo, e seus ministros e generais seguiram pelo mesmo caminho. O contragolpe desfechado pelo Parlamento foi rapidamente apoiado pelas Forças Armadas, e reconhecido pelo imperialismo. O governo incapaz caiu impotente e isolado.
Importante destacar o alinhamento direto de Lula à posição imperialista. Lula e o PT deram inúmeras declarações de que não houve golpe no Peru, e de que se tratou de um processo constitucional. Diante dessa questão, agiu como um porta-voz das pressões dos Estados Unidos.
É importante frisar que a experiência fugaz e trágica das massas com o governo de Castillo demonstrou, mais uma vez, que não há como a democracia e as instituições burguesas servirem aos objetivos da democratização do Estado burguês, e melhorarem as condições de vida dos oprimidos. Na época de decomposição capitalista, o nacional-reformismo é obrigado se ajoelhar perante os monopólios, atacar as condições de vida dos explorados, e recorrer à repressão contra as massas. O que rapidamente socava suas bases sociais de apoio, e projeta a luta das massas contra seus governos.
A experiência também ensina que as massas são obrigadas, pelas condições objetivas, a darem passos instintivos no caminho de sua independência de classe. Defendendo suas reivindicações e orientando suas lutas sob os métodos e táticas proletárias contra o golpe e as instituições burguesas, tendem a confluir com o programa e estratégia revolucionárias, superando suas ilusões democráticas na prática. A derrubada do governo golpista por meio da ação direita de massas favoreceria o avanço da luta de classes. A vanguarda deve defender o direito dos explorados decidirem o destino do governo e das instituições por elas mesmas. Os marxistas revolucionários não defendem a democracia burguesa, seus métodos ou os governos eleitos, e defendem abertamente o programa da revolução e ditadura proletárias contra todo programa democratizante. Mas, estão sempre dispostos a combater junto às massas pela sua vitória, quando se lançam com reivindicações democráticas que se chocam com a burguesia e o imperialismo, e impulsionam as lutas que objetivamente as colocam em choque aberto com o regime burguês. É assim que conquistarão a direção política das massas.
