
O Internacionalista n° 2 / INTERNACIONAL / abril de 2023
Bolivia
A luta de classes se ergue nas ruas
No final de janeiro, os operários de Cochabamba tomaram as ruas da cidade, convocados pela Central Operária Departamental. Uma plenária anterior aprovou a mobilização a partir das denúncias de demissões, descumprimento nos pagamentos, e arbitrariedades dos patrões. Participaram das manifestações, operários, professores, trabalhadores em estradas, e outros setores. Os trabalhadores por conta própria também denunciam ataques patronais e governamentais contra eles.
Ainda que não tivessem empunhado faixas e bandeiras com as reivindicações, o movimento expressou o descontentamento com o governo. Caberia a organização de assembleias de base e formação de comandos de base, de forma a discutir e aprovar as bandeiras que expressassem a unidade na luta. A falta de uma direção revolucionária e de um programa pesou negativamente para que a mobilização avançasse e se projetasse nacionalmente.
Em fevereiro, foi a vez dos professores se mobilizarem nacionalmente contra as medidas do governo e as condições de vida e trabalho.
A marcha nacional de 31 sindicatos departamentais, organizada a partir da Conferência Nacional docente em La Paz, mostrou ao governo a disposição de luta dos professores, que reivindicam o salário mínimo de acordo com a cesta familiar, aposentadoria plena aos aposentados, defesa dos bônus que o governo pretende eliminar, impedir o fechamento de unidades educativas, infraestrutura para dar suficiência à educação, e outras reivindicações, entre elas a rejeição da grade curricular que o governo pretende impor.
O governo desfechou uma brutal repressão sobre a mobilização, que prepara novas arremetidas contra a intransigência governamental.
O avanço da luta de classes é o único caminho para derrotar as medidas dos governos, ditadas pelo capital financeiro para sustentá-lo diante da decomposição e crise do capitalismo. Trata-se de unificar todos os setores em luta, em direção a uma greve geral que imponha as reivindicações ao governo pintado de esquerda, mas de políticas antinacionais e antipopulares
