O Internacionalista n° 2 / abril de 2023

Editorial Internacional

A luta proletária e dos oprimidos do mundo todo precisa se voltar ao combate anti-imperialista e anticapitalista


A visita do presidente chinês à Rússia ocorreu em meio ao agravamento do intervencionismo imperialista na guerra da Ucrânia e ao acirramento das tendências bélicas ao redor de Taiwan.
O estreitamento das relações políticas e a extensão dos intercâmbios comerciais estabelecem um marco entre os dois mais importantes Estados Operários, que resultaram das revoluções proletárias do século XX. Houve expectativa de que Xi Jinping apresentasse a Vladimir Putin sua proposta de paz para a Ucrânia, e que o presidente russo a avalizasse. Supostamente, haveria então uma vitória diplomática da China, ao “disciplinar” Putin e a burocracia russa a uma posição que beneficiasse os interesses estratégicos chineses, visando a preservar as relações comerciais chinesas com a Ucrânia e a Europa. Ao mesmo tempo em que conseguiria apoio russo para “estabilizar” a região da Ásia central, centro geográfico da consolidação da rota comercial (“Rota da Seda”), que consolida as posições da China. A grande imprensa pró-imperialista afirmou que, se se alcançassem tais “objetivos”, a posição dos EUA e Europa se veria enfraquecida.
O Departamento de Estado norte-americano disse ser inaceitável qualquer proposta de paz de seus “adversários” estratégicos que não garantisse a retirada das tropas russas. A China se oferece para intermediar nas negociações, mas preservando os interesses da Rússia. Se será possível ou não à burocracia chinesa dar uma resolução aceitável às partes envolvidas na guerra, não há como estabelecer antecipadamente. Mas, algo ficou claro do encontro sino-russo: não há como a China compactuar com a retirada das tropas russas e a devolução dos territórios quando se orienta a avançar na integração de Taiwan (assimilando sua indústria de tecnologia para ampliar suas vantagens estratégicas). A China procura retardar, o quanto for possível, um conflito com imperialismo pela ilha sob disputa. A visita à Rússia faz parte desses planos. A consolidação da Rússia no cenário ucraniano e mundial é vista como uma trincheira favorável aos interesses chineses. Quanto à Rússia, o fortalecimento das relações bilaterais com a China garante escoar exportações e firmar sua economia. Apesar dos interesses nacionais particulares e da histórica desconfiança, o fortalecimento dos laços bilaterais é uma medida elementar na defesa desses países perante o avanço imperialista sobre suas fronteiras nacionais.
Isso explica os importantes acordos alcançados sobre a prestação de mútuo apoio à defesa das exigências e interesses nacionais de cada país. Basta esta colocação para mostrar a confluência de interesses burocráticos no patamar mais elevado na história das relações bilaterais. A influência da Rússia e fundamentalmente da China demonstra a falsificação de que a guerra e as medidas econômicas contra a Rússia (sua economia continua crescendo) a converteriam em um “pária”. Enquanto a Rússia avança em negociações bilaterais com países da África, o reatamento das relações entre Irã e Arábia Saudita fica na conta da diplomacia chinesa. Ao mesmo tempo em que o imperialismo perdeu posições diplomáticas e sofre com a desagregação de sua economia, Rússia e China, agora aliadas de fato, ampliam sua influência no mundo todo.
Não é possível obscurecer o fato de que o fortalecimento – ainda que conjuntural – dos Estados Operários Degenerados no campo militar, econômico e diplomático coloca em melhores condições a defesa das conquistas revolucionárias contra a ofensiva do imperialismo, que objetiva destruir suas forças produtivas mantidas sob o envoltório da propriedade estatizada, a mais fundamental das conquistas do proletariado. É claro que a burocracia jamais poderá levar essa luta até às últimas consequências, por servir de instrumento e canal às tendências restauracionistas do capitalismo. Porém, a classe operária não pode abandonar a defesa de suas conquistas históricas, por mais podre e reacionária que seja a burocracia que usurpou o poder e expropriou o controle da economia estatizada do proletariado. O dever de todo revolucionário é o de defender a política de se colocar ao lado da Rússia contra o imperialismo, sem nenhum apoio ao governo burocrático, mantendo as críticas aos métodos burocrático-militares e empunhando a estratégia da revolução política. A defesa dos Estados Operários e da economia nacionalizada ameaçados de destruição pelo imperialismo é uma tarefa irrecusável, e prepara as massas para em seguida apontar suas armas para derrubar a burocracia usurpadora, retomando assim o controle do Estado e a economia nacionalizada, por meio da Revolução Política.
É evidente, todavia, que a crise econômica mundial continua se agravando. As graves ameaças ao sistema financeiro dos EUA (que resultaram da queda de importantes bancos regionais) ameaçam acentuar a desagregação do capitalismo. Isto, no quadro de um salto do custo de vida das massas assalariadas, especialmente na União Europeia. Mas, as massas mostram-se dispostas a não permitir que se as afunde na completa barbárie, resistindo aos ataques contra suas condições de vida e trabalho. Assim, as greves e manifestações se projetam e agravam os choques entre as classes antagônicas. Isto se passa enquanto o prolongamento da guerra impôs a crise aos regimes burgueses da Europa. O que, combinado à alta da luta de classes, abre situações convulsivas difíceis de contornar para as burguesias imperialistas. Para sobreviver, o capitalismo deve atacar mais fundo as massas, e se orientar, cada vez mais, a criar as condições para a destruição dos Estados Operários Degenerados, e assim abrir um válvula de escape no curso de sua decomposição.
Daí a importância de a vanguarda revolucionária compreender as bases objetivas e o conteúdo dos atuais conflitos bélicos e das tendências de luta, fixar uma clara posição de princípios, e desenvolver um programa revolucionário. Trata-se, em particular na Europa, de combinar a luta pela derrota do imperialismo e da OTAN na guerra da Ucrânia (realizando paralisações da indústria da guerra, boicotando envio de armas, paralisando portos, etc.) à luta pelas reivindicações mais sentidas e comuns dos explorados. A derrota militar da OTAN enfraquece o imperialismo e fortalece a luta do proletariado europeu contra suas burguesias, aproximando-os do programa da revolução e ditadura proletárias.
No Brasil, temos a tarefa de denunciar e combater a subordinação do governo ao imperialismo, exigindo que sequer uma bala ou arma seja enviada à Ucrânia, e que se rompam todas as relações diplomáticas com os opressores do mundo. Avançaremos à luta anti-imperialista desenvolvendo a luta de classes contra os capitalistas e seus governos. É com essa compreensão que os marxistas devem orientar-se na atual situação e desenvolver o programa e a linha que favoreça a estratégia revolucionária.

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