O Internacionalista n° 3 / INTERNACIONAL / maio de 2023

Israel

Governo ultradireitista manobra com a Reforma Judicial para continuar massacrando e reprimindo os palestinos


Nas últimas semanas, a Força Aérea de Israel bombardeou instalações do Hamas na Faixa de Gaza e no Líbano. Segundo o governo sionista, os ataques foram em resposta ao lançamento de múltiplos foguetes contra seu território, realizados pela Jihad Islâmica (desde Gaza), e Hamas (desde o Líbano). A Jihad Islâmica e o Hamas afirmaram que atacaram em resposta à brutal repressão contra palestinos na Mesquita de Al-Aqsa (terceiro local mais sagrado do Islã), durante o mês sagrado do Ramadã, e pelos assassinatos de palestinos em Nablus e Jericó (West Bank). Hezbolá, a mais numerosa e bem armada milícia da região, ameaçou atacar Israel, se continuar os ataques e massacres contra palestinos.
A repressão contra os palestinos dentro da Mesquita foi desfechada por resistirem a abandonar as orações e o jejum que precedem o encerramento do Ramadã. Netanyahu justificou-a pela suposta preocupação de que “terroristas” se aproveitariam da concentração religiosa para realizar atentados contra civis judeus. Porém, também se impediu que os cristãos ortodoxos se aproximassem do Santo Sepulcro, e se impediu os fiéis de marcharem em celebração pela Páscoa Ortodoxa. Durante os festejos da Pascoa Judia (Pessach), os fiéis judeus puderam exercer livremente seu direito de livre manifestação e culto religioso, protegidos pela força policial sionista, enquanto palestinos e cristãos eram cerceados de fazê-lo. A “preocupação” com terroristas não passa de manobra retórica para acobertar a discriminação cultural e religiosa. É bem conhecida a defesa do suposto “direito divino” e “histórico” do povo judeu de dispor a seu bel prazer de um local sagrado para as três religiões, assim como é invocado também para colonizar terras e expulsar palestinos de seus territórios ancestrais. Não por acaso, ainda está pendente de aprovação a lei que visa a transformar a religião judia em religião de estado, e já foi votada a lei “antiterrorista”, que militariza a Palestina em benefício do colonialismo da burguesia sionista.
Os ataques contra Gaza e Líbano, bem como a repressão contra muçulmanos durante o Ramadã, foram condenados por todos os governos árabes. A declaração conjunta seguiu a uma condenação da ONU (sob orientação dos EUA) à construção de assentamentos de colonos judeus nos territórios usurpados aos palestinos, e precede uma reunião convocada da Liga Árabe que incluirá, após muitos anos, a Síria (inimiga declarada de Israel). O reatamento das relações de países adversários e confrontados historicamente indicou o quanto as negociações chinesas para reatar as relações diplomáticas entre Irã e Arábia Saudita estão alterando o equilíbrio e as relações favoráveis ao imperialismo e o sionismo. Os EUA tiveram de condenar seu aliado porque temem que o avanço chinês acabe destruindo as relações de submissão dos países árabes construídos por décadas. Assim, abriu-se passagem à confluência política de milícias e países árabes adversários, que favorece, ainda que conjunturalmente (os governos árabes costumam negociar com o sionismo, e as milícias acabam, cedo ou tarde, dissolvendo alianças por seus interesses particulares), os levantes de massas palestinas nos territórios ocupados.
A essa “frente externa” desfavorável ao governo sionista combina-se a crise política na “frente interna”. A divisão política inter-burguesa pelo curso da Reforma Judicial impede o governo ultradireitista de avançar em seu objetivo de centralizar ditatorialmente as instituições do Estado burguês. Foi sob pressão dos maciços protestos e da burguesia sionista e imperialista, que reclama do governo que dê respostas imediatas à crise econômica nacional e social, que Netanyahu decidiu engavetar (provisoriamente) a aprovação da Reforma, pelo menos até alcançar consenso para sua alteração. Mas, também reincorporar (após demiti-lo) o Ministro Defesa, Yoav Gallant, que tinha criticado a Reforma.
O certo é que o recuo sobre a Reforma Judicial é uma manobra visando a estabilizar a “frente interna” para, desse modo, continuar a ofensiva colonial e genocida do sionismo contra os palestinos. Enquanto Netanyahu dava um passo atrás com a Reforma, dava um passo à frente, aprovando a formação da Guarda Nacional, sob a direção do Ministro ultradireitista Ben Gvir, formando um corpo paramilitar especializado para a intervenção e repressão aos palestinos nos territórios ocupados.
O que assinalamos acima demonstra que o Estado sionista continuará a tratar qualquer revolta das massas palestinas oprimidas como “terrorismo”. Diferentemente, os revolucionários as consideram como manifestações instintivas da luta pela autodeterminação nacional, pelo fim do colonialismo sionista e as discriminações, apesar das deformações do obscurantismo religioso e dos interesses burgueses ou sectários das direções árabes-palestinas. Eis porque insistem em que os explorados judeus – que sabem pela sua própria experiência o que é sofrer os horrores das perseguições por questões de raça ou religião – não podem, nem devem apoiar ou se calar perante qualquer manifestação da opressão nacional, social e religiosa. E que devem entender que a Reforma Judicial que combatem é uma das manifestações da ditadura burguesa que desgraça principalmente os palestinos, mas também os judeus assalariados.
Por isso, a vanguarda com consciência de classe deve ajudar a impulsionar uma luta conjunta dos explorados judeus e palestinos contra o Estado sionista, defendendo a plena igualdade de direitos, o fim de toda opressão nacional e religiosa, unindo-os sob um programa de reivindicações comum. O que exige dar uma luta árdua, paciente e constante contra o governo e a burguesia sionista, assim como os preconceitos religiosos por ela disseminados, sem deixar de lado aquela que separa as massas das direções nacionalistas islâmicas. Assim é que se dará um passo objetivo na formação de uma direção revolucionária, que encarnará o programa da destruição do estado burguês de Israel, sobre cujos escombros se erguerão o Estado operário e o governo operário e camponês, que abrirão caminho ao fim de toda e qualquer discriminação e opressão.

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