O Internacionalista n° 3 / INTERNACIONAL / maio de 2023

As tendências objetivas da luta de classes colocam ao proletariado francês combinar a luta pela derrota da Reforma com a luta pela derrota militar da OTAN na Ucrânia


Em 13 de abril, aconteceu a décima-segunda greve nacional, convocada pelas centrais sindicais contra a Reforma da Aposentadoria, a qual foi aprovada pelo decreto de Macron. Uma semana antes, o Tribunal Constitucional considerou que a aprovação por decreto de Macron foi “ajustada a direito”, encerrando, com um canetaço, qualquer via de contestação jurídica ou constitucional para sua revogação. Isto acontecera dias antes de convocada a última greve nacional. O que demonstrou claramente que a derrota da contrarreforma dependerá de as massas impô-la com os métodos da luta de classes.
Desde que explodiram as greves em janeiro, a mobilização de massas cresce em massividade e radicalização. As votações nas assembleias operárias continuam demonstrando que as massas não se submetem às decisões das instituições burguesas, e querem seguir lutando. Destacaram as votações em algumas assembleias que exigem das direções que deixem de convocar greves parciais, e decidam convocar uma greve geral por tempo indeterminado. É um claro sinal de que a revolta operária está longe de arrefecer, e que se mantém a pressão das bases sobre as burocracias sindicais.
Operários das ferrovias e dos transportes, das refinarias e geradoras de energia nuclear, compareceram como vanguarda nas últimas greves, de 6 e 13 de abril. Além da paralisação dos locais de trabalho, viu-se um setor do movimento sindical invadir as sedes do fundo de investimento Black-Rock (envolvido no negócio bilionário das pensões) e da indústria de artigos de luxo Louis Vuitton. Mas, o ponto alto foi dado por uma manifestação espontânea de solidariedade de classe internacional. Na greve de dia 6 de abril, após o bloqueio dos operários franceses das refinarias do país, o governo procurou abastecer o país de gasolina e gás que estava em falta, recorrendo à refinaria da Total, sediada na Bélgica. Porém, os operários belgas se negaram a servir de fura-greves, e iniciaram sua própria greve. Nas manifestações na França, há ainda, entre os operários franceses, delegações espanholas e belgas.
A decisão de impor a contrarreforma pela via do decreto demonstra que a burguesia francesa, decidida a continuar a financiar a guerra na Ucrânia, e em face do retrocesso da economia nacional, não pode esperar para impor seus interesses aguardando as negociações com as direções sindicais: deve garantir o parasitismo financeiro e os lucros monopolistas imediatamente, a sangue e fogo, se necessário. Mas, essa via acaba fortalecendo as tendências de radicalização e projeção das greves e manifestações. E instintivamente acabam revelando as bases programáticas sobre as quais se desenvolverá a unidade dos explorados e oprimidos contra a burguesia e sua ditadura de classe. Está clara a estreita relação entre o envolvimento da burguesia e o capital financeiro franceses na Guerra da Ucrânia com a Reforma das Aposentadorias. Na medida que a guerra continuar, e o capital francês mantiver sua política belicista, novas contrarreformas virão a ser aplicadas – a sangue e fogo também. Assim, ficará mais claro para as massas que, sem impor o fim da participação de seu governo e capitalistas na guerra e a imediata resolução de suas reivindicações, a burguesia não apenas continuará atacando-as, como reforçará sua ditadura.
A permanência das tendências de alta da luta de classes cria condições favoráveis para que as massas possam vir a tirar as conclusões práticas da ligação entre a guerra e a luta pelos seus direitos e reivindicações. Essa avaliação está fazendo também a própria burguesia. Ainda que a aprovação por decreto da Reforma da Previdência não esteja em discussão, cada vez mais setores burgueses avaliam que talvez seja necessário negociar com as direções burocratizadas para assim terem algo a oferecer, facilitando a desativação das greves e dos protestos, e garantir a marcha de seus negócios. Sob essa diretriz, Macron convoca as Centrais a negociarem qualquer coisa que queiram, menos a Reforma.
A primeira central a se mostrar disposta ao diálogo foi a CFDT – a maior em número de filiados. Seguiu-a a CGT, após encerrado o 53° Congresso, e garantida a permanência da direção reformista no controle da Central. Encaminham-se, dessa forma, para trair o movimento, e ajudar o governo e a burguesia a se fortalecerem. Entretanto, nada terão de concreto para arrefecer o movimento e, logo, se verão em dificuldades para explicar às bases porque ajudaram a frear um poderoso movimento, capaz de impor ao governo a revogação, por uma farsa “negociada”.
A vanguarda com consciência de classe deve lutar, junto ao setor mais avançado do proletariado, pela convocatória de assembleias gerais e a constituição de comitês unitários de luta, elegendo uma direção pelas bases para dirigir a mobilização. Assim se avançará à unificação, se erguerá uma direção surgida da luta, e se derrotará as traições das direções. Por outro lado, devem ajudar a transformar as demonstrações espontâneas de solidariedade entre a classe operária de diferentes países em unidade internacionalista, baseada em um programa comum na luta pelas reivindicações e contra a vitória de sua burguesia e da OTAN na guerra da Ucrânia. As reivindicações da classe operária na Europa são as mesmas porque entram em choque com as frações da burguesia europeia, que, em seu conjunto, se orienta a despejar as mesmas contrarreformas para garantir seu parasitismo e lucros nas condições de guerra e de crise.
A tarefa fundamental, portanto, é dar uma expressão política consciente às tendências presentes na luta de classes, sob um programa que ajude a transformar a luta reivindicativa em luta política. Nesse caldeirão, será possível forjar a vanguarda e o programa do partido revolucionário, que estará sob a estratégia da revolução e ditadura proletárias.

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