O Internacionalista n° 3 / maio de 2023

Editorial Internacional

Pela vitória das massas e derrota militar da OTAN!


O Tribunal Constitucional da França sancionou como “ajustado a direito” o decreto de Macron, que impôs a Reforma das Aposentadorias, por cima do Parlamento. A decisão apenas reforça o objetivo da burguesia francesa de impor a contrarreforma que destrói direitos sem precisar recorrer à máscara democrática parlamentar. Não haverá qualquer negociação ou concessão às massas quando se trata de preservar os lucros parasitários sobre suas condições de vida mais elementares.
O sacrifício das massas ao objetivo de continuar a municiar e suprir o aumento das despesas e financiamento da guerra na Ucrânia é uma política comum a todas as frações da burguesia imperialista europeia. A União Europeia decidiu dispor dos fundos bilionários aprovados para o desenvolvimento social do continente para a aquisição de mais armas e material bélico. Dispondo de fundos, as remessas e exportações de armas e munições permitem parasitar desses fundos e obter lucros imediatos.
As greves na Inglaterra e na Alemanha têm por base objetiva as mesmas reivindicações econômicas, e se chocam com os governos imperialistas mais importantes da Europa, envolvidos diretamente na guerra na Ucrânia. Porém, também cresceram nesses países as manifestações contrárias a continuar despejando recursos financeiros em uma guerra que nada diz respeito aos explorados, e que bem poderiam servir para resolver parte de seus problemas mais imediatos. E agora soma-se a resistência dos pequenos e médios produtores agropecuários, que viram inundar os mercados europeus com os grãos baratos procedentes da Ucrânia. Polônia, Hungria e Eslováquia decidiram suspender as importações. Bulgária e Romênia ameaçam seguir o mesmo caminho. O chamado Acordo de Grãos, que devia prover matérias-primas alimentícias abaixo dos custos de produção europeus, e assim ajudar aliviar a inflação, acabou destruindo as condições de produção de uma classe que historicamente serviu à estabilidade burguesa da Europa. Eis como os efeitos e consequências da guerra começam a atingir ao conjunto dos explorados e oprimidos, favorecendo a confluência dos movimentos grevistas e contra a guerra na Europa com o do campesinato.
A suspensão pela União Europeia do Acordo de importação de grãos da Ucrânia é uma medida política que visa a evitar essa confluência. Ainda é necessário preservar a frente unida para derrotar a Rússia, e continuar a alimentar os lucros parasitários da guerra. O principal interessado e beneficiário são os EUA. Por isso, ameaçaram a França de se virar sozinha na guerra da Ucrânia, caso não se submeta ao objetivo traçado pelo imperialismo norte-americano para Taiwan. Entretanto, a derrota da Rússia cada vez parece mais improvável de acontecer. Os acordos sino-russos e o crescimento da economia russa, enquanto a europeia afunda, bloqueiam conjunturalmente os planos de vitória imperialista.
Ao capital financeiro e à burguesia imperialista interessa a guerra na Ucrânia, não apenas para dar saída ao capital financeiro paralisado nas potências. Mas, fundamentalmente, como uma via para equacionar a lei tendencial à queda da taxa dos lucros monopolistas pela via da destruição da propriedade estatizada na Rússia, e das forças produtivas que sobre essa base se ergueram, e assim abrir uma válvula de escape à decomposição capitalista. Por isso, as oscilações de Macron com respeito a Taiwan não alteraram sua decisão de continuar com o envio de armas e injeção de bilhões de euros na guerra. O governo alemão e inglês, assim como o polonês e outros, seguem ainda firmes sob a direção do imperialismo norte-americano. Porém, a continuidade da guerra acaba por destruir as economias nacionais da Europa, cujas consequências, por sua vez, são repassadas na forma de ataques e mais contrarreformas sobre as massas. No quadro de alta da luta de classes, isto significa abrir caminho ao choque direto dos explorados e oprimidos contra a burguesia e seus governos em seu conjunto.
A defesa das reivindicações dos explorados coloca a classe operária e demais oprimidos em choque direto com a farsa da democracia burguesa e a maquinaria bélica montada para servir ao parasitismo da burguesia imperialista. Por sua vez, a derrota militar da OTAN não apenas ajudaria a preservar a propriedade estatizada – a mais fundamental e decisiva das conquistas revolucionárias – quanto permitiria à classe operária francesa, alemã e inglesa debilitar seu inimigo principal na sua própria casa. A tática do derrotismo revolucionário leninista, nas atuais condições, está intimamente ligada à luta pela derrota das contrarreformas e dos planos e ditames do capital financeiro.
Dessa compreensão objetiva surgem as palavras de ordem que de fato podem ajudar às massas na sua vitória, e que devem ser defendidas e propagandeadas amplamente pela vanguarda com consciência de classe. São elas: Abaixo as contrarreformas! Aumento imediato dos salários de acordo com o aumento dos preços! Pela derrota militar da OTAN! Controle operário coletivo sobre a indústria! Boicote ao envio de armas! Eis como se dará um passo para derrotar os parasitas e seus governos com a luta coletiva das massas. Eis como se dará também um passo concreto e prático para forjar uma verdadeira direção revolucionária, proletária e internacionalista, sob o programa da revolução e ditadura proletárias.

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