O Internacionalista n° 4 / junho de 2023

Editorial Internacional

As massas em luta pelas suas reivindicações e a derrota do imperialismo são os pontos altos da tática proletária para derrotar a burguesia imperialista e retomar o caminho à revolução


A reunião do G7 se focou em discutir como continuar armando a Ucrânia, e ampliar as alianças para cercar a China na Ásia. Quanto à Rússia, o objetivo permanece o mesmo: derrotá-la militarmente, integrar a Ucrânia na OTAN e, finalmente, derrubar o Estado Operário degenerado e destruir suas forças produtivas, para integrar a Rússia (ou destroços dela) na divisão mundial do trabalho como semicolônia. Quanto à China, as potências pretendem, agora, impedir seu avanço econômico mundial, destruir os entraves ao controle dos monopólios sobre sua economia, e preparar uma aliança para socavar sua influência na região, em direção à liquidação de sua indústria. O que depende da destruição do Estado Operário degenerado chinês.

O problema é que o imperialismo subestimou as potencialidades dos Estados Operários (ainda que degenerados) e a importância estratégica da atual aliança sino-russa. As elevadas capacidades técnicas e a profunda integração produtiva interna desenvolvidas sobre a base da propriedade nacionalizada pelas revoluções proletárias explicam, tanto as capacidades bélicas russas, como o desenvolvimento mundial da China. O que tem levado o imperialismo a subestimá-los e a cogitar um “acordo de paz” nos parâmetros “coreanos”: negociar a partição (conjuntural) da Ucrânia, procurando ganhar tempo para retomar a ofensiva e evitar, ao mesmo tempo, esgotar sua força em caso de guerra contra China.

Uma derrota da Rússia seria desfavorável à burocracia chinesa, caso estoure um conflito por Taiwan. O mesmo objetivo a leva a reforçar sua ofensiva diplomática na África, Oriente Médio e Ásia. As rotas comerciais que passam por essas regiões são vitais, para avançar sua economia, contra as manobras imperialistas. Eis porque a burocracia chinesa se vê obrigada a reforçar e estreitar sua “aliança estratégica” (que é diplomática, econômica, política e militar) com a Rússia. E, por outro lado, a organizar uma “cúpula” com Uzbequistão, Tadjiquistão, Turcomenistão, Cazaquistão e Quirguistão, países chave da Ásia Central, por serem uma fonte adicional de recursos naturais e via terrestre da nova Rota da Seda – uma via de abastecimento e intercâmbios comerciais que favorece a economia e defesa das fronteiras chinesas. A China avalia seriamente medidas que permitam fortalecer seus interesses perante o cerco imperialista, se fechando ao sul. Após o G-7, noticiou-se um acordo secreto do país insular de Papua Nova Guiné (no Pacífico Sul) com os EUA, para construir bases navais desse país, após fazer o mesmo com a Indonésia.

Agravam-se as tendências bélicas, que decorrem da crise e decomposição capitalistas, que se veem agravadas pelas contradições insolúveis entre a grande propriedade privada monopolista do capitalismo em decomposição, em choque com as economias nacionalizadas pelas revoluções (que permitem um limitado desenvolvimento dos Estados Operários degenerados no quadro de decomposição capitalista, ainda que condicionado pela crise mundial capitalista). Destaca-se, especialmente nesse quadro, o agigantamento das dívidas nos países imperialistas, assim como a violenta ofensiva do capital financeiro para sangrar ainda mais as massas e os países oprimidos. Mas, de solução imediata, passa a ser uma bomba relógio, ao aprofundar as tendências recessivas, a destruição das forças produtivas e a superexploração assalariada. O que acaba impulsionando crises políticas e a luta de classes, como se verifica em maior ou menor grau por todo o mundo.

No marco de acirramento dos conflitos entre os países imperialistas coligados e os Estados Operários degenerados aliados, cada vez há menor margem de manobra às semicolônias para erguerem a bandeira da “independência” e “neutralidade”. As eleições na Turquia, que enfrentam um candidato do imperialismo contra Erdogan, que tem fortalecido seus laços com Rússia; o reatamento das relações entre Irã e Síria com o restante dos países árabes, por obra da diplomacia chinesa, que atinge as alianças costuradas pelo imperialismo; o golpe estado no Sudão (África), que enfrenta uma facção do exército ligada ao imperialismo e outra à Rússia e China pelo controle do país; as manobras militares conjuntas entre China, Rússia e África do Sul; os acordos segredos para fazer, de países da Ásia e do Pacífico, bases militares norte-americanas; a decisão de Japão e Coreia do Sul de prover armas e munições à Ucrânia; o acordo de paz entre Armênia e Azerbaijão, sob tutela russa; e a aliança militar entre Bielorrússia e Rússia, assim como a “desdolarização” de grande parte dos intercâmbios comerciais e as contínuas pressões aos governos na América Latina para que rompam relações com Rússia e China, expressam os avanços e retrocessos desse curso geral dos conflitos. Em meio dessas poderosas pressões mundiais, as burguesias semicoloniais manobram, visando a impor interesses particulares e conjunturais.

Aos explorados e oprimidos em cada país, interessa defender suas reivindicações com a luta de classes, preparando a derrota de seu principal inimigo de classe: a burguesia imperialista, que destrói seus direitos e desgraça suas vidas, para sobreviver parasitando do mundo todo. Ao proletariado mundial, interessa fundamentalmente fazer tudo a seu alcance para derrotar a maquinaria bélica das potências, e erguer a bandeira da derrota do imperialismo. Essas tarefas estão ligadas ao objetivo de defender suas vidas e suas conquistas históricas do curso de decomposição do capitalismo.

As massas nada devem ajudar seu inimigo de morte, a burguesia imperialista, ou pagarão com mais sangue e barbárie. A vanguarda com consciência de classe deve orientar a luta da classe operária sob o programa de conquista do poder político nos países capitalistas por meio da revolução social, e de regeneração dos Estados Operários degenerados, por meio da revolução política. Nessa tática comum à luta da classe operária mundial, está a chave e o método para superar sua crise de direção revolucionária.

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