O Internacionalista n° 4 / INTERNACIONAL / junho de 2023

Turquia – eleições

Vitória de Erdogan não conduzirá à estabilidade da Turquia


O líder conservador Recep Tayyip Erdogan conseguiu a reeleição, em um segundo turno apertado. Venceu com cerca de 52% dos votos, contra 48% de seu oponente, Kemal Kilicdaroglu, que era o candidato do “ocidente” (imperialismo ianque e da Europa), apresentando-se com pautas, como a liberdade de expressão e a separação entre Estado e religião. Como candidato dos EUA, poderia impedir a contínua aproximação do país com a Rússia e com a Síria, como Erdogan tem feito nos últimos anos.

A vitória de Erdogan, comemorada por Putin e já reconhecida por todos os países, aumenta as dificuldades da Otan em sua investida contra a Rússia e a China. Embora o político, nestes últimos vinte anos, como primeiro-ministro ou presidente, tenha procurado equilibrar-se entre demandas pró-Europa, como integrar a OTAN, a tentativa de entrar na União Europeia (é um país euro-asiático), e os acordos comerciais com a Rússia, como o de distribuição de gás para o país.

Erdogan foi eleito pelas zonas da região central do país. As regiões mais próximas da Europa, no Oeste, e as regiões do Leste, de população curda, fortemente reprimidas em suas reivindicações de emancipação, e que se apoiam econômica e militarmente nos EUA e servem de base à ocupação militar desse em parte da Síria, votaram na oposição.

Os laços com as seitas muçulmanas garantiram a vitória de Erdogan, mas não garantiram a sua estabilidade política. O “ocidente” tem desestabilizado a sua moeda. Desde janeiro deste ano, já perdeu 7% de seu valor e, na década, mais de 90% em relação ao dólar. Houve uma verdadeira fuga de dólares, que só está sendo contida por uma intervenção do Banco Central turco, que tem agido no mercado. A inflação em março deste ano estava em 50,1%, o que pesou também para o declínio do poder de Erdogan, embora o governo esteja atuando fortemente para conter os preços de itens básicos, e também para elevar o salário-mínimo mensal. A crise econômica alimentada pelos EUA não deve cessar, ao contrário, apoiada numa expressiva votação do candidato pró-EUA/Europa, a oposição deve dar muito trabalho a Erdogan durante seu próximo mandato.

A Rússia deu uma “ajuda” ao político, ao adiar o recebimento de mais de US$ 600 milhões pelo gás natural russo. Erdogan foi peça chave na negociação com a burocracia russa e o governo burguês da Ucrânia, que permitiu o envio dos grãos deste país ao exterior.

O governo turco tem utilizado-se da disputa entre os países imperialistas e a Federação Russa, para ganhar posições importantes no interior da OTAN e no comércio regional. O que demonstra como o choque entre as frações imperialistas e os Estados Operários degenerados têm sido fundamentais nos conflitos regionais e se expressaram nestas eleições.

As massas da Turquia se viram nestas eleições diante da disputa entre um governo repressivo, direitista, que se tem aproximado da Rússia e China, sem se separar da relação com a Europa, e o candidato de maior subordinação do país ao imperialismo ocidental.    

A ausência do partido revolucionário foi determinante para que as massas não assumissem uma posição de independência de classe perante os dois candidatos burgueses e a democracia burguesa, erguendo as reivindicações que de fato as colocam em choque com o imperialismo e a burguesia pró-imperialista, e usando a luta de classes para combater por elas. A independência política e organizativa das massas  depende da construção da direção revolucionária, capaz de mobilizá-las pela derrota e expulsão do imperialismo e expropriação da burguesia com os métodos da luta de classes.

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