
O Internacionalista n° 5 / julho de 2023
Editorial Internacional
Pela derrota militar da OTAN na Ucrânia, para avançar à derrubada dos governos burgueses e à revolução socialista mundial!
A contraofensiva da Ucrânia, que deveria reconquistar os territórios anexados pela Rússia com uma poderosa e moderna maquinaria bélica entregue pela OTAN, demonstrou-se um fracasso. Várias centenas de tanques e veículos de transporte, dentre eles, vários Leopard-2 alemães e dezenas de Bradley norte-americanos que chegaram à Ucrânia há dois meses, foram destruídos ou danificados antes mesmo de chegar à primeira linha de defesa russa. O regime ucraniano, um títere das potências imperialistas, não sobreviveria uma semana sem a OTAN. Centenas de milhares de soldados ucranianos caíram mortos. Centenas de mercenários experientes e altamente treinados (poloneses, georgianos, franceses, italianos, norte-americanos, etc.) tombaram sob fogo russo. A superioridade aérea; a derrubada de centenas de aviões, helicópteros e modernos mísseis de cruzeiro; contramedidas rádio-eletrônicas cegando radares e drones; os permanentes ataques de mísseis de precisão alvejando instalações militares e industriais no oeste da Ucrânia; a permanente chuva de drones de ataque destruindo radares, sistemas antiaéreos, canhões autopropulsados, etc., mostraram a superioridade atual das Forças Armadas russas e a impossibilidade de a OTAN mudar o rumo da guerra, pelo menos por enquanto.
A continuidade da ofensiva constitui massacre planejado do povo ucraniano, a serviço dos interesses imperialistas, em seu objetivo de prolongar os choques militares, com o objetivo de enfraquecer a Rússia e, desse modo, criar condições para cumprir seu principal objetivo histórico: destruir a propriedade nacionalizada e o Estado Operário degenerado, para converter esse país em semicolônia. Eis porque se colocaram muitas expectativas no motim do grupo Wagner que, afirmava-se, indicava uma fratura no interior da burocracia que controla o Estado Operário degenerado e as Forças Armadas russas. Mas, o motim se chocou com a centralização política e militar, dissipando-se rapidamente.
Por enquanto, não se vê uma saída favorável ao objetivo imperialista de derrotar a Rússia e impor sua “Paz sem anexações”. Diferentemente, avança a unidade entre Rússia e China, estreitando a cooperação econômica, política, estatal e militar. Os interesses dos Estados Operários degenerados vêm firmando-se conjunturalmente pelo mundo todo, enquanto o imperialismo acha-se ameaçado pela crise econômica e o avanço da luta de classes no interior dos países capitalistas. A possibilidade de uma conflagração mundial, produto dessas contradições, cresce, assim como uma alta da luta de classes mundial.
Não entanto, dezenas de bilhões de dólares e milhares de equipamentos militares continuam inundando Ucrânia, alavancando a indústria parasitária da guerra – que permite escoar grande parte do capital-dinheiro, paralisado nas potências pela crise de superprodução, estagnação dos mercados e a destruição das condições de vida das massas – embolsando gigantescos lucros, com cada mês que se passa. É para isso que a Ucrânia está servindo de bucha de canhão ao imperialismo e à OTAN. Mas, pagam também a classe operária, os assalariados, camponeses e a juventude oprimida nos países envolvidos na guerra, ou das semicolônias, que vêm destruídos os serviços públicos e os direitos trabalhistas, reduzir seus salários e seu consumo, etc., enquanto o grande capital enche seus bolsos.
O marxismo ensina que as condições objetivas da situação mundial, se aproveitadas pelo proletariado organizado sobre sua estratégia e programa próprios, podem abrir caminho à luta revolucionária. Não há compartimentos estanques entre as tarefas a serem cumpridas pelo proletariado nos países que avançaram a transição ao socialismo daqueles que mergulham na decomposição do capitalismo. Estão ligadas entre si pela estratégia internacional, apesar das diferentes táticas, para cumprir um mesmo objetivo: a revolução socialista mundial, e avançar à transição ao socialismo. A vitória das massas francesas, peruanas ou de qualquer país onde se impulsionam os choques contra o regime e o estado burgueses, pelas suas reivindicações mais sentidas, não apenas fortalecerá a classe operária em cada país, como internacionalmente, ao enfraquecer o imperialismo mundialmente. É parte dessa luta estratégica a unidade do proletariado por cima das fronteiras e das diferenças nacionais, em defesa das conquistas revolucionárias, sem por isso apoiar em nada à burocracia usurpadora que é inimiga da revolução mundial, e que deve ser derrubada em seu momento pela revolução política.
A ausência ou degeneração revisionista da direção política proletária impede que essa perspectiva progrida. Mas, não altera em nada as tarefas históricas e práticas da classe operária nacional e mundialmente. É trabalhando pela vitória dos movimentos e levantes das massas contra os governos capitalistas e pela derrocada revolucionária da burocracia herdeira do estalinismo, assim como pela organização dos partidos marxista-leninista-trotskistas, que a vanguarda caminha na superação da crise de direção e na reconstrução do Partido Mundial da Revolução Socialista, a IV Internacional, que nos ensina que a revolução política é parte da luta do proletariado mundial para avançar para a revolução socialista mundial.
