
O Internacionalista n° 5 / INTERNACIONAL / julho de 2023
Palestina
Responder ao terrorismo de Estado com a luta de classes: pela derrota de Israel diante dos palestinos!
Mais uma invasão sionista de territórios palestinos foi realizada, desta vez no campo de refugiados de Jenin (Cisjordânia). A ofensiva ao campo de refugiados começou com um ataque de drones. Contabilizam-se em mais de 20, os palestinos assassinados pela maquinaria bélica israelense, entre os quais crianças. Centenas de manifestantes que enfrentaram as colunas militares colonialistas ficaram feridos. Paramédicos foram dispersados a tiros por soldados israelenses. A invasão foi precedida por atos terroristas e pogroms perpetrados por colonos judeus em Ramallah e Nablus, enquanto a Esplanada das Mesquitas era tomada por tropas israelenses e se demoliam casas palestinas em Jerusalém. No total, contabilizam-se 200 palestinos assassinados, apenas em 2023.
O ataque foi denunciado como “declaração de guerra” pelas organizações palestinas e pelo governo do Irã. Turquia, Egito, Emirados Árabes, Irã e Síria denunciaram o terrorismo de estado do governo sionista. Os Estados Unidos pediram a Netanyahu para frear a ofensiva militar nos territórios palestinos. Alemanha, França e Itália exigiram a paralisação imediata dos assentamentos de colonos judeus. A ONU afirmou que o governo israelense incorreu em violações aos direitos humanos. Fora as palavras, nada é feito efetivamente para impor a retirada das tropas. “Exigências” e “solicitações” são jogadas no lixo pelo governo sionista. Netanyahu elogiou os militares, por liquidarem “terroristas”. É assim que o regime terrorista sionista denomina qualquer palestino que se revolta, ainda que com pedras e paus, contra a ocupação colonial de seus territórios.
Há anos, as forças israelenses bombardeiam áreas densamente povoadas pelos palestinos. O regime de justiça militar de exceção se estende por toda a Palestina ocupada. O objetivo sionista é o de impedir e bloquear qualquer acordo que respeite os direitos dos palestinos, e impor, pela via militar, o colonialismo sobre os territórios palestinos. Jenin é alvo desse objetivo por anos. A população desses territórios é permanentemente vigiada, encarcerada ou massacrada, quando se revoltam contra a brutal opressão nacional e o saque de suas terras ancestrais. Logo atrás do exército, sempre vêm os tratores de demolição para derrubar casas, e as empresas de construção, civil para construir assentamentos judeus. Nada freia a ofensiva sionista para “conquistar” novas terras e favorecer que “prosperem” os negócios imobiliários da burguesia sionista e camadas pequeno-burguesas judias, ligadas ao comércio e serviços.
O agravamento dos choques entre a nação oprimida (Palestina) e a opressora (Israel) se dá no quadro das manobras imperialistas para equacionar o conflito, visando a impedir que o terrorismo sionista acerque e reate, mais firmemente, os laços recém-atados entre países árabes, até ontem adversários ou inimigos declarados, graças ao esforço diplomático chinês e russo. A tentativa sionista de esmagar organizações palestinas que contam com respaldo de Irã, para assim “limpar” o terreno interno de qualquer resistência armada e popular, caso decida atacar o Irã, reforçará a conjuntural unidade desses países, uma vez que temem (especialmente a Jordânia que conta com o maior campo de refugiados palestinos, e celeiro de militantes das organizações palestinas armadas) que a revolta das massas árabes se alastre e coloque em perigo seus interesses burgueses, abrindo caminho ao levante regional das massas oprimidas.
O regime sionista, apoiado na colonização militar e no terrorismo de Estado, impôs um verdadeiro de apartheid étnico, racial e nacional. Contra esse regime, se revoltam permanentemente as massas palestinas nacionais oprimidas. E enfrentam diariamente, com todos os meios a seu dispor, o sionismo, para retomar seus direitos. No caldo de cultura das revoltas e levantes, se forja a juventude que, erguendo barricadas e com pedras e bombas caseiras, enfrenta as colunas blindadas e tropas sionistas, assim como destacamentos armados, ligados estreitamente à população palestina. Toca de Leões, que está à frente da resistência armada e radicalizada em Jenin, e conta com apoio das massas, atacou as tropas sionistas. As Brigadas Jenin, autodefesa organizada em 2021, no campo de refugiados, conflui com ela e Al-Fatah, Jihad Islâmica e Hamas, em ações armadas contra o avanço militar israelense na Palestina.
Os agrupamentos armados convocaram a população da Palestina a se levantar em defesa de Jenin. Mas, são incapazes de cumprir a principal tarefa prática colocada: o armamento geral das massas, que as prepara e educa para conquistar a autodeterminação nacional, com suas próprias mãos. Não será com a guerra de guerrilhas, realizada por pequenos grupos, por mais bem treinados e corajosos que sejam, que se derrotará o Estado colonial e racista de Israel. A sua derrota acontecerá com a insurreição da nação oprimida pelo fim da opressão e o terrorismo sionistas, sob o programa da autodeterminação nacional. Imediatamente, se trata de convocar e organizar uma Intifada (levante) que se estenda a toda Palestina.
Esse chamamento também deve ser defendido pelos explorados judeus. A derrota da ofensiva militar fortalecerá sua luta estratégica pela expropriação da genocida e racista burguesia sionista. O que exige deles apoiar claramente o direito das massas palestinas a conquistar sua real autodeterminação nacional por elas mesmas. Somente é possível romper o bloqueio do divisionismo nacional, racial e religioso defendendo, lado a lado, com o programa comum de derrubada revolucionária das burguesias (imperialista, sionista e árabe, cada uma a seu modo), dando assim um passo à unidade na luta revolucionária pela plena igualdade de direitos e o fim de toda opressão nacional sob a estratégia do Estado operário e camponês e dos estados unidos socialistas do oriente médio.
