O Internacionalista n°5 / MOVIMENTOS / julho de 2023

Greve dos professores do Rio de Janeiro


Os professores da rede pública do Estado do Rio de Janeiro estão em greve há mais de 40 dias. A paralisação das atividades se iniciou dia 17 de maio. Entre as principais reivindicações, estão o salário dentro do piso nacional e o cumprimento do plano de carreira, abono das faltas por greve desde 2016, e outras, como a revogação do Novo Ensino Médio. Durante a greve, têm acontecido diversas atividades políticas, como atos em frente à Alerj, debates, vigílias e assembleias.

O governo do Estado alega que não há verba para atender as reivindicações dos professores. No dia 20 de junho, o Tribunal de Justiça do Estado determinou a interrupção da greve e o retorno ao trabalho, sob pena de multa de R$ 500 mil ao Sindicato da Educação dos Professores do Estado (Sepe). Apesar disso, em assembleia, no dia 21/06, os grevistas votaram por permanecer com os trabalhos paralisados, e fizeram atos em frente à Secretaria do Estado, exigindo uma resposta a suas reivindicações, o que não ocorreu.

No dia 27, os professores realizaram mais uma manifestação no centro da cidade, chamando a atenção por conta da interferência no trânsito da cidade. Foi um passo à frente na luta e nos métodos empregados até esse momento. O que obrigou a marcar uma audiência de conciliação entre o sindicato e o governo para o dia 28/06. 

As principais reivindicações dos professores do Estado do RJ são, em grande medida, as mesmas erguidas nas greves dos Estados do DF e do AM, que ocorreram em maio deste ano. Essa unidade reivindicativa reflete a situação da educação em geral: é de restrição de investimento e piora das condições de trabalho e estudo. Neste sentido, A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que poderia ter um importante papel de unificação e generalização das lutas, na sua inatividade e apatia, cumpre o papel contrário, de isolar e fragmentar as mobilizações. É importante lembrar que o Estado do Rio de Janeiro tem o menor piso salarial do país. A permanência dos professores durante esses mais de 40 dias de greve, além do péssimo salário e precária condição de trabalho, manifesta as condições gerais de vida e trabalho da população do Estado. Em 2021, uma pesquisa do IBGE apontou que o RJ tem a pior qualidade de vida entre os Estados brasileiros, em que os principais problemas são transporte e moradia, dois serviços essenciais para as condições de vida dos trabalhadores. Nenhuma política, nesses dois anos que passaram, assinala qualquer melhora nesse cenário. É dentro dessas condições gerais de vida da população do Estado que os professores se levantam em luta para reivindicar um salário suficiente para viver em condições de trabalho dignas

No entanto, a insistência das direções  em arrefecer as tendências de ação direta, e se orientar exclusivamente ao diálogo com o governador  aponta para a desmobilização do movimento, assim como aconteceu nos demais Estados onde ocorreram as greves da educação. Subordinar a greve ao diálogo com os  governos é direcionar as lutas para o fracasso. O contrário deveria ser feito: desenvolver a greve baseada nos métodos da ação coletiva de massas e, assim, obrigar ao governo a negociar em condições favoráveis para os trabalhadores. É preciso que as lutas dos professores sejam independentes e se apoiem na mobilização coletiva, nos métodos de luta da ação direta que, com sua força política de classe, levaria à conquista das reivindicações apresentadas. 

As direções dos sindicatos têm se mostrado alinhadas às políticas antipopulares e de ataque contra os assalariados  do governo Lula,  levando os movimentos grevistas a se subordinarem ao que a burguesia está disposta a dar, desmobilizando os movimentos, e aceitando as pressões dos governos. Nesse cenário é que se destaca a crise de direção revolucionária. Esse  é o principal problema colocado nessas greves, pois, há disposição dos trabalhadores para a luta, mas falta-lhes sua direção revolucionária, organizada ao interior dos sindicatos para mobilizar as bases contra a burocracia governista, impulsionando a luta de classes

É preciso denunciar as direções dos sindicatos, forjar as oposições sindicais revolucionárias e lutar por eleger direções combativas e revolucionárias, que impulsionem as lutas, com um programa e métodos capazes de impor aos governos nossas reivindicações!

Todo apoio à greve dos trabalhadores do RJ!

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