
O Internacionalista n° 5 / NOTAS NACIONAIS / julho de 2023
Campanha salarial do funcionalismo de São Sebastião/SP
A campanha salarial de 2023 foi iniciada com 3 assembleias (Costa Norte, Sul e Centro), aprovando uma pauta de reivindicações: reajuste salarial de 38%, reajuste de 27,5% no vale-refeição e alimentação, piso dos ACEs e ACSs, aumento do percentual dos adicionais de risco, criação do plano de cargos e salários, implantação do estatuto do magistério, etc.
A segunda jornada de assembleias deliberou e aprovou um dia de paralisação com ato (09 de maio). Para surpresa dos servidores que estiveram nas assembleias, a direção sindical rebaixou os 38% para 12,14%, e confundiu a categoria, ao não divulgar a paralisação inicialmente, ao não garantir que a paralisação seria para toda a categoria (e não apenas para os associados), e ao informar que os servidores poderiam trabalhar normalmente até o horário do ato. Coube aos militantes e simpatizantes da Corrente Sindical Marxista – Guillermo Lora o trabalho de base, bastante diferente da passagem da direção, que apenas deixa o jornal Alerta Servidor! nas repartições públicas.
A assembleia após o ato do dia 09 garantiu mais um dia de paralisação (23 de maio), e a direção sindical repetiu a postura frouxa e que sobrepôs suas decisões à decisão coletiva das assembleias.
Uma conquista organizativa dos últimos anos é a realização de assembleias após os atos, que foi manobrada pela presidente interina no dia 23/5, com uma “votação simbólica pela continuidade da campanha salarial”. Ocorre que a “votação simbólica”, mesmo unânime, não garantiu a real continuidade, ao contrário, passado mais de um mês, os servidores não se reorganizaram, e não existe mais mobilização ou chamado do sindicato.
A derrota da categoria foi dura: 0% de reajuste salarial e nenhuma outra reivindicação atendida. Parte dessa derrota se deu pelos recuos e imposições da atual direção, e outra parte se deu pela política de conciliação de classe e aposta no legislativo. 5 ofícios foram simplesmente ignorados pelo prefeito, enquanto a categoria era arrastada à Câmara Municipal, para escutar a presidente fazer uso da tribuna, pedindo apoio dos vereadores.
A experiência desta campanha salarial demonstrou o caminho para as futuras mobilizações: 1) trabalho de base e elaboração contínua de material sindical, 2) nenhuma confiança no legislativo, 3) democracia sindical e autonomia da assembleia da categoria 4) nenhuma confiança no patrão! É necessário ocupar as ruas, em paralisação e greve, para tentar arrancar as reivindicações aprovadas em assembleia!
