
O Internacionalista n°6 / NOTAS NACIONAIS / agosto de 2023
Guerra entre organizações criminosas e repressão policial leva a mortes e prisões nas comunidades de SP, RJ e BA
A violência policial na Baixada Santista, em S. Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia indicam ações organizadas de disputas territoriais de organizações criminosas, em particular entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho). Essas ações levaram a mortes de 45 pessoas nos três estados, e mais de 110 presos, só na Baixada. Muitos moradores denunciaram que os policiais estão intimidando e agredindo moradores dos bairros das comunidades.
Na Baixada Santista, um policial da Tropa de Choque foi assassinado no dia 28/7, quando fazia uma patrulha na comunidade Vila Zilda. Imediatamente, o governador Tarcísio, aliado de Bolsonaro, cuja família tem vínculo com as milícias bolsonaristas cariocas, acionou um grande efetivo repressivo, que matou, em três bairros diferentes, mais oito pessoas. A ação repressiva violenta da polícia sobre as comunidades e o assassinato de criminosos é algo caro aos bolsonaristas. O chefe da segurança do PCC da região se entregou, alegando que realizou o disparo. Certamente, pretendeu brecar a ação policial. Mas isso não aconteceu. Já se admitem oficialmente pelo menos 16 mortos na região. Manifestações foram feitas contra a ação repressiva policial, e organizações de direitos humanos e antirracistas também protestaram. O governador carioca afirmou que a ação da polícia foi normal, e que “irregularidades” serão “apuradas”. Uma promessa de impunidade aos policiais em ação, sob suas ordens.
No Rio de Janeiro, a polícia subiu o morro do complexo da Penha, destruindo as barricadas erguidas pelo CV, e perseguiu os membros da organização até a mata, realizando uma brutal troca de tiros, que encurralou a população assalariada em suas casas. Pelo menos dez foram mortos, e há vários feridos.
Sete mortes foram registradas oficialmente em Camaçari, na Bahia, e mais oito em Itatim, no mesmo estado. Mais quatro foram assassinadas na capital, Salvador.
Esta semana, está em julgamento no STF a quantidade de maconha que pode ser considerada “para consumo”, e não “para tráfico”. O relator é conhecido por ter defendido por seu escritório mais de 400 processos envolvendo membros do PCC. A “liberação” de maior quantidade de maconha vai ser um elemento de aumento do consumo, a ser disputado pelas facções em guerra.
O tráfico e o contrabando são atividades consideradas “ilegais” pelas instituições da burguesia. Mas são capitalistas os que organizam a logística (transporte de grandes quantidades, distribuição, etc.), têm capital para realizar a compra de grandes quantidades e sua venda posterior, pagando uma série de intermediários, desde fiscais até vendedores. Os negócios criminosos da burguesia crescem, à medida que decresce a possibilidade de obtenção de valorização do capital apenas por meio da exploração do trabalho assalariado. Os contrabandista e criminosos têm até mesmo suas bancadas parlamentares, volta e meia denunciadas por terem apreendidas cargas de drogas em seus aviões.
As organizações criminosas são conhecidas apenas pelos seus “soldados menores”. Os grandes capitalistas, por cima delas, que moram nos condomínios de luxo, não são tocados.
Quem mais sofre com a realização de seus negócios é a população assalariada que mora nas comunidades, vítimas da violência policial e de guerra entre gangues, e a juventude em geral, que tem parte dela, sem perspectivas de estudo ou trabalho, recrutada pelas organizações criminosas; e a maioria, que tem suas vidas destruídas pelo consumo de drogas de todos os tipos.
A penetração das organizações criminosas no aparelho de estado da burguesia também recrutou boa parte das polícias como prestadores de serviço dos criminosos, ou agentes do crime, eles mesmos. E até candidatos eleitos, nos diversos níveis da administração, se revelaram participantes de esquemas criminosos, criação e consolidação de milícias, mando de assassinatos de opositores ou queima de arquivos, etc.
As massas oprimidas não têm nada a ganhar com a vitória desta ou daquela facção criminosa. Ao contrário, estarão sob as botas delas e das polícias, que integram os mesmos esquemas.
A defesa real das massas passa pela defesa das reivindicações que as colocam em combate contra os capitalistas (legais e ilegais) e seus governos:
Fora a PM assassina dos morros e comunidades!
Fim da PM!
Salário mínimo vital (suficiente para sustentar uma família de 4 pessoas) a todos os assalariados!
E reajustado de acordo com a inflação real, medida pelos trabalhadores!
Emprego a todos! Fim das demissões! Estabilidade no emprego! Redução da jornada de trabalho,
de forma a que todos tenham trabalho!
Escola e emprego a toda a juventude! 4 horas na escola, 4 horas no trabalho e o restante para o descanso e lazer.
Tribunais Populares para julgar e punir os crimes de classe da burguesia e seu cão de guarda, as polícias assassinas!
