O Internacionalista n° 7 / setembro de 2023

Editorial Internacional

Por dentro da cúpula dos BRICS, está a contradição e a luta de morte entre sistemas econômicos e sociais antagônicos


A XV reunião dos BRICS (África do Sul, Brasil, China, Índia e Rússia), na África do Sul, finalizou com a adesão formal de mais seis países ao bloco. A cúpula foi precedida por resistências internas e pressões externas à ampliação. Mais de 40 países se declararam favoráveis a ingressar no BRICS. 25 deles já fizeram uma solicitação prévia, enquanto 23 já apresentaram formalmente a petição: Arábia Saudita, Argélia, Argentina, Bahrein, Bielorrússia, Bolívia, Cuba, Egito, Emirados Árabes Unidos, Honduras, Indonésia, Irã, Marrocos, Kuwait, Venezuela, Vietnã, etc. A China – maior economia e principal base econômica do bloco – pressionou pela inclusão de novos membros. Sua insistência , apoiada pela Rússia, concluiu na adesão de Argentina, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Etiópia.
Houve ainda avanço na discussão de criar uma moeda para as transações e comércio, atacando abertamente o dólar norte-americano como referência mundial. Apesar de ainda ter de caminhar até sua aprovação e aplicação – com a possibilidade de uma guerra e novas manobras imperialistas para frear esse percurso – a declaração representa mais um passo dos Estados Operários degenerados em sua ofensiva política e comercial no mercado mundial, e mais um retrocesso do imperialismo dos EUA, Europa e Japão, especialmente na África e Oriente Médio. Isso explica por que, quando se discutiu a guerra na Ucrânia, apenas se assinou uma declaração genérica, que afirma o objetivo dos BRICS em “contribuir eficazmente para um cessar fogo e uma paz justa e douradora”. Não havia como impor uma posição contrária aos interesses russos e chineses a respeito, e não seria bom para o comércio desses países assumir uma posição formalmente pró-Rússia.
Os BRICS representam agora 35% do PIB, 18% do comércio e 46% da população mundial. Neles, estão representados a maior indústria mundial e uma fonte de investimentos trilionários por todo o mundo. A lista de países semicoloniais e atrasados que pretendem entrar no bloco cresce atraída pelas possibilidades de investimento e financiamento, que se apresentam como alternativas à decadência das economias imperialistas. O que levou à aprovação de mecanismos e procedimentos para novas inclusões. Trata-se especialmente de garantir a adesão daqueles países que possuem fontes de matérias primas, mercados, vias de transporte e rotas comerciais vitais à preservação e expansão das economias nacionalizadas, sobre as quais se apoiam as burocracias parasitárias. A Rússia depende desse desenvolvimento para ampliar suas exportações, manter sua economia funcionando, consolidar seus interesses militares, e resistir ao cerco imperialista. Apesar dos países que se integraram aos BRICS, ou pretendem fazê-lo, não terem peso decisivo na economia mundial, sua inclusão permitiria reunir os maiores produtores de petróleo e gás do Oriente Médio, assim como países de importância geoestratégica (Egito, Irã, Arábia Saudita, etc.), sob influência das burocracias chinesa e russa, que procuram fortalecer sua presença em regiões em disputa com o imperialismo.
Essas movimentações têm reflexos particulares na África. Os trilionários investimentos chineses no continente são uma eficaz alavanca para reforçar o país como principal parceiro comercial e investidor. Mas, também a Rússia se vê favorecida, ao lhe garantir uma base continental a suas movimentações diplomáticas e investimentos econômicos particulares. Essa intervenção, ainda que responda aos interesses particulares das burocracias, cria uma base de apoio delas entre as massas africanas, que vêem na influência chinesa ou russa uma via para romper a exploração histórica de seus países pelo imperialismo. O que acaba criando sérios obstáculos às potências e aos governos submissos. A decisão da CEDEAO (Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental), de aprovar a intervenção militar no Níger, não se pôde ser realizada, em primeiro lugar pela resistência interna ao ataque, demonstrada em manifestações de massa nos países da CEDEAO. Burkina Faso e Mali, aliados da China e Rússia, mostraram estarem dispostos a apoiar militarmente o Níger, caso aconteça a invasão. O governo militar desse país aprovou a presença de tropas desses países aliados em seu território.. Na Nigéria, maior economia desse bloco africano, e o país com o maior e mais bem armado exército, houve grandes manifestações em defesa do governo militar do Níger, e pela expulsão das tropas francesas assentadas no país. Trata-se de um claro sinal das tendências anti-imperialistas presentes entre as massas africanas, e uma ameaça aos governos submissos ao imperialismo.
Na base do agravamento da guerra comercial e das tendências bélicas que chocam Rússia e China contra o imperialismo e seus vassalos está o choque de dois sistemas econômicos e sociais antagônicos: de um lado, as forças produtivas desenvolvidas sobre a base da economia e propriedade nacionalizadas pelas revoluções (apesar da política contra revolucionária das burocracias no poder), de outro, as forças produtivas em decomposição da grande propriedade burguesa dos meios de produção, que se expressam no declínio econômico das potências. A cúpula dos BRICS, e seu avanço nos continentes, é parte dos choques entre as potências imperialistas e os estados operários degenerados.
Nas condições concretas criadas pelo desenvolvimento histórico, a derrota imperialista e dos governos vassalos sem nunca apoiar politicamente os governos ditatoriais e as burocracias contra revolucionárias, nem seus métodos ditatoriais militares – é parte da tática do derrotismo revolucionário, política que os explorados e oprimidos dos países imperialistas desenvolvem contra suas burguesias e governos. A derrota militar da OTAN na Ucrânia e a derrota das “democracias” da CEDEAO contra a “ditadura” no Níger favorecem a luta dos explorados internacionalmente, e ajudam a preservar transitoriamente a propriedade nacionalizada, ao enfraquecer a ofensiva imperialista que busca sua destruição. Os explorados nas potências devem fazer tudo a seu alcance para favorecer a derrota do militarismo imperialista. Isso é parte do verdadeiro internacionalismo proletário revolucionário. É com essa compreensão que a vanguarda que não deu as costas à herança do marxismo-leninismo-trotskismo pode caminhar sobre bases firmes para retomar os esforços pela reconstrução da IV Internacional, e forjar em seus países os partidos proletários revolucionários internacionalistas.

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