
O Internacionalista n° 7 / MOVIMENTOS / setembro de 2023
Capitulação da direção é apresentada como vitória
Em 19 de agosto, a assembleia dos metalúrgicos da Avibras aprovou a “renovação” do lay-off de 400 operários por mais cinco meses (de 1 de agosto até 31 de dezembro), proposta apresentada pela direção do Sindicato Metalúrgico de São José dos Campos e região (CSP-Conlutas). Também se aprovou a proposta da empresa de “garantir a estabilidade” por mais três meses, até março de 2024, para todos os operários.
Segundo o presidente do sindicato, Weller Gonçalves, “Mesmo sem o pagamento de salários, a renovação do layoff na Avibras é uma conquista, pois significa a manutenção desses postos de trabalho”. Que um dirigente de um sindicato que se diz representante dos “interesses da classe trabalhadora” afirme que o lay-off é uma conquista, inclusive “sem pagamento de salários”, é um crime político e uma traição de classe. Se os operários votaram a favor, é porque foram iludidos e enganados pela sua direção.
Desde 2022, a direção do sindicato vem “aceitando” e “impondo” nas assembleias as suspensões e os acordos rebaixados, como se fossem “vitórias”. Mas, se algo ficou claro pela experiência dos últimos anos (Ford, Volks, Mercedes, etc.), é que os lay-off são a ante sala da demissão, ou, no melhor dos casos, da flexibilização e da precarização de empregos e direitos trabalhistas. De fato, o próprio sindicato informou, na mesma nota em que informa sobre a assembleia, que não se estão pagando salários atrasados, nem FTGS, nem outros direitos, para mil operários. Bastaria esse último fato para desmontar a farsa da “vitória”.
Uma direção verdadeiramente classista, que avalie seriamente o curso das lutas e seja plenamente consciente dos obstáculos colocados a essa, fará tudo a seu alcance para que cada combate contra o patronato (tanto conquistando vitórias quanto amargando derrotas) fortaleça a luta da classe operária, pela sua independência de classe e sua projeção revolucionária. Seu primeiro dever será falar sempre a verdade às bases, não fazendo passar derrotas por vitórias, e retrocessos por avanços. Também será seu dever aprender a partir das derrotas, ajudando assim as bases a tirar as lições necessárias delas, visando a reforçar a coesão entre as bases e a direção, para a melhor preparação das lutas que virão.
