
O Internacionalista n° 7 / MOVIMENTOS / setembro de 2023
Greves se multiplicam contra os ataques capitalistas no Brasil
O Dieese registrou, no primeiro semestre deste ano, 558 greves no Brasil. Destas, acompanhou de perto 166 mobilizações, que resultaram em 108 com conquistas. Em 78 delas, houve atendimento parcial das reivindicações. Em 30, atendimento integral. Em 27 greves, houve derrota dos trabalhadores. Em 51 delas, as reivindicações foram encaminhadas para negociação. 276 greves foram de advertência, 273 por tempo indeterminado.
449 greves foram organizadas para defender as condições de trabalho, saúde e segurança, ou acordo coletivo, convenção ou legislação, já anteriormente conquistadas e sob ataque patronal.
41,6% reivindicaram reajuste salarial, 32,8% o pagamento do piso. 102 greves pediram reajuste no vale alimentação. 89 paralisações foram por plano de cargos e salários. Esses números mostram a importância da questão salarial para a maioria. A alta dos preços dos alimentos e demais gêneros de primeira necessidade não foi acompanhada pelos salários. Assim, os trabalhadores saíram à luta por reajustes e pagamento do piso.
20% reivindicaram o pagamento de salários atrasados. 21,5% exigiram melhora nas condições de trabalho. Grande parte dos grevistas reclamou, portanto, de ataques a direitos anteriormente conquistados. O aumento da exploração do trabalho se realiza também pela piora das condições de trabalho.
58% foram de servidores públicos. Os governos atacam as condições de vida e trabalho dos funcionários públicos em benefício do parasitismo da dívida pública e do subsídio aos grandes capitalistas. Muitas categorias do funcionalismo, em especial da educação, saíram em greve, mas foram mantidas isoladas pelas direções sindicais. A unificação poderia dar-lhes mais força para pressionar os governos. Note-se que algumas categorias nem mesmo realizaram campanhas salariais, as direções aceitaram diretamente as propostas governamentais.
A realização de mais de 550 greves só no 1º semestre indica a possibilidade e as tendências de luta nacional unitária contra as medidas de ataques dos governos e dos patrões. As direções sindicais governistas precisam ser derrotadas nas assembleias de base livres e democráticas.
