O Internacionalista n° 7 / NOTAS NACIONAIS / setembro de 2023

Governo estrangula CPI do MST por meio de acordos com o Centrão


Tudo indica que a CPI do MST será encerrada em 14 de setembro. Os parlamentares bolsonaristas, chefiados por Ricardo Salles, defendem que a CPI seja prorrogada, e as investigações com o intuito de criminalizar o MST continuem. No entanto, seis integrantes do bolsonarismo foram excluídos da Comissão pelos seus partidos (PL, PP, União Brasil e Republicanos), que colocaram nos seus lugares parlamentares alinhados à Brasília, dando maioria ao governo para encerrar a CPI. Segundo levantamentos realizados pelo “Radar do Congresso”, os parlamentares excluídos apoiaram o governo em apenas 22,8% das votações, enquanto os ingressantes na Comissão em 80%. Assim, o governo conseguiu maioria para encerrar a CPI.
O estrangulamento da CPI se deu como parte do processo de entrada no governo do PP e do Republicanos. O Governo Lula está há mais de um mês tratando da entrada destes dois partidos oligárquicos, por meio de negociações de Ministérios e cargos no segundo escalão. O PP e o Republicanos somam, juntos, 90 deputados federais. Embora a ala mais direitista se tenha oposto e ameaçado sair destes partidos, o ingresso na base governista é praticamente certo.
Estas movimentações evidenciam dois fenômenos políticos:
1) De um lado, a incapacidade do Governo Lula e dos movimentos sociais, como o MST, de mobilizar as suas bases e os movimentos sociais contra a criminalização por meio dos métodos da ação direta, com assembleias, manifestações, passeatas, etc. O MST abandonou o método de ocupações de terra como forma de conquistar o acesso do campesinato pobre à terra pelas ocupações, para pressionar o governo a apresentar um plano de reforma agrária;

2) De outro, a ofensiva da Frente Ampla burguesa contra o bolsonarismo e a extrema direita, que se expressa, entre outras formas, no isolamento no congresso dos parlamentares bolsonaristas (enquanto os demais parlamentares dos partidos oligárquicos se alinham ao governo) e também na repressão por meio das operações policiais judiciais aos ex-presidente Bolsonaro e seu círculo mais próximo, cassação do mandato de Deltan Dallagnol, etc.