
O Internacionalista n° 8 / MOVIMENTOS / outubro de 2023
Direções sindicais enfraquecem convocatória da greve,
sem a convocação de um ato unitário nas ruas
O Ato/Assembleia convocado para a Quadra dos Bancários do dia 02/10, no centro de São Paulo, não passou de uma “plenária” das direções sindicais, esvaziada da participação das bases. Os dirigentes dos sindicatos da Sabesp, CPTM e Metrô, junto a lideranças da CUT, compareceram para “definir” a organização e as ações da greve convocada para o dia seguinte. Estavam também presentes partidos e correntes políticas que dirigem os sindicatos, a exemplo da UP e PCdoB, que dirigem o Sintaema-SP, sindicato dos operários e trabalhadores da Sabesp, e do PSOL, que dirige os metroviários. A base social do teatro do “ato/Assembleia” foi esmagadoramente a militância do reformismo e do centrismo (PSTU).
As falas dos dirigentes sindicais estiveram voltadas a relatar os problemas que a população e os trabalhadores já enfrentam, e como isso se aprofundaria e agravaria com a privatização. Porém, não falaram de continuidade de greve sob nenhuma circunstância. Não marcaram uma próxima assembleia. Colocaram todo o peso no plebiscito que fizeram, exaltando uma suposta boa aceitação pela população, e “cantaram” que já era “a” vitória da greve de 24h. Mencionaram a necessidade da greve, mas claramente submetida ao objetivo de exigir a realização de um plebiscito oficial, convocado pelo governo. Falaram apenas as direções e, após meia hora, encerrou-se o “debate”, com uma votação “simbólica”, sob a justificativa de que sairiam dali para compor os comandos, nos pátios de metrô e trens. Apenas houve propostas quanto aos locais onde teriam piquetes, sem aprovar atos de concentração e mobilização para depois disso. Tampouco foi “aprovado” um ato unificado em nenhuma região para o dia 3. Assim, a burocracia “decretava” na véspera o esvaziamento dos atos, que se fariam sob controle da burocracia, e subordinados ao objetivo democratizante do “plesbicito popular”.
Apesar disso, no interior desse teatro se manifestaram, ainda que limitadamente, as tendências de luta e radicalização que existem em um setor da base. Um grupo, no fundo da quadra, perceptivelmente de trabalhadores da base, gritou palavras de ordem que de fato entravam em choque com a polítcia subserviente demostrada pelas direções burocratizadas perante as ameaças do judiciário: “se demitir ou se multar, a greve vai continuar!”. Foram também os únicos a defenderem a continuidade da greve após o dia 3. Em contraposição, a burocracia e correntes decidiram não aprovar qualquer indicativo de continuidade da greve e, junto da maioria das correntes políticas presentes, decidiram gritar uma palavra de ordem vazia: “Unificou, CPTM, SABESP e METRÔ!”.
O setor das bases presente na Quadra dos Bancários mostrou que as tendências de luta são fortes entre os trabalhadores, e que instintivamente se projetam a participar de greves radicalizadas e unitárias, mas não ganham força, e não conseguem superar os bloqueios da burocracia, porque não contam com uma vanguarda com consciência de classe, organizada como fração revolucionária no interior dos sindicatos. O que permite que se imponha a política das direções, de fazer unidade apenas de cúpulas, e desse modo impedir as bases de tomar em suas próprias mãos o rumo da greve. Dessa forma, as direções podem impor a política de usar o movimento como trampolim para as disputas eleitorais, e a subordinação do movimento à democracia burguesa. Apenas ficou “pautado”, para depois da greve, a exigência de que se cancele qualquer processo aberto contra os grevistas, e se reforce a campanha de exigir de Tarcísio que convoque um plesbicito “oficial” para consultar à população sobre a privatizações.
