


O Internacionalista n° 8 / MOVIMENTO / outubro de 2023
Atos e piquetes esvaziados para defender o plesbicito
A greve do dia 3 começou logo cedo, com o bloqueio dos pátios e piquetes, nas entradas do Metrô e da CPTM. Nos pátios, os piquetes foram garantidos pelos trabalhadores, o que impediu que fura greves e funcionários das empresas boicotassem a greve. Quanto aos piquetes nas entradas das estações, notou-se que não houve uma organização centralizada, e nenhum preparo para serem atos políticos. Pelo fato de os pátios estarem bloqueados, se concretizam algumas manifestações nos portões das estações, reduzidas em sua maioria à participação das correntes e partidos governistas (PSOL, PCdoB, UP etc.). Teve ainda uma manifestação organizada pelo PSTU e suas correntes (Reviravolta e Rebeldia) na frente da Sabesp, também pela manhã. No “ato”, os dirigentes da Conlutas e do PSTU afirmaram a “pressão do movimento”, e convocavam a continuar em luta e unificados, apesar dessa central e o partido que a dirige terem se oposto às assembleias unificadas para fortalecer o movimento de dia 3.
Houve ainda dois atos em frente de unidades da Sabesp. Um de manhã, em Pinheiros, e outro à tarde (15h), na Ponte Pequena. Os atos não ultrapassaram os 50 manifestantes, principalmente de direções sindicais, partidos e correntes de base do governo burguês de frente ampla de Lula/Alckmin. As falas foram abertas a deputados estaduais. Bebel, deputada estadual pelo PT; Giannazi e membros da bancada feminista, do PSOL, confluíram em apresentar a “greve” como uma vitória contra o governo de Tarcísio, e uma demonstração da necessidade de dar um novo impulso ao plesbicito, exigindo agora do governador que transforme o plesbicito organizado pelos sindicatos em uma proposta oficial de seu governo. Deixaram claro o objetivo político de “desgastar” eleitoralmente a Tarcísio.
Ficou evidente que os atos esvaziados de bases e de qualquer apoio popular não passavam de comícios, organizados pelos sindicatos e partidos governistas, e para servir de base à disputa eleitoral do PT e aliados. Ficou também evidente que todas as correntes depositaram as forças no plebiscito, nenhuma colocava a necessidade de greve por tempo indeterminado, de continuidade do movimento, da convocação das bases, e por um ato unificado. Nenhuma corrente divulgou antes onde participaria de ações. Um exemplo disso foi a OPOSIÇÃO UNIFICADA COMBATIVA de professores, que ficou em completo silêncio. No dia da greve, as correntes postaram no grupo de whatsapp onde atuaram, deixando clara a divisão dos grupos, não defendendo a unificação, organizando manifestações em lugares e locais comuns. Assim, o dia 03/10 foi uma greve de 24 horas controlada pela burocracia sindical. Apesar de a greve ter sido aprovada em assembleias dos trabalhadores, as ações que mantiveram a greve não foram construídas e mantidas com a intervenção desses. A não participação da base dos sindicatos caracteriza o movimento como subordinado à política democratizante das direções, e mesmo grupos que se dizem mais à esquerda não mantêm uma posição prática e programática de enfrentamento, se rebaixam e se subordinam, e não denunciam o método de conciliação de classes e subordinação à democracia burguesa.