O Internacionalista n° 9 / novembro de 2023

Editorial Internacional

A derrota militar do imperialismo e de seus vassalos em Gaza e na Ucrânia é objetivo imediato da luta revolucionária das massas


A carnificina desfechada sobre a Faixa de Gaza pelo exército israelense teve como reflexo a ida das massas exploradas às ruas, em defesa do povo palestino, nas potências e nos países semicoloniais. A revolta mundial das massas oprimidas contra a opressão sionista as coloca em choque diretamente com o imperialismo norte-americano e também com o europeu, que apoiam o extermínio físico dos palestinos e a imposição de um “protetorado” em Gaza, para garantir seus interesses econômicos e políticos na região.
A Faixa de Gaza é parte de uma região que é ponto estratégico em relação a grandes produtores de petróleo, e a rotas comerciais, que ligam o Oriente Médio à África e Europa, e estão na mira da Rota da Seda Chinesa. Para deterem total controle da Palestina, governos e exércitos imperialistas impulsionam o massacre em Gaza, que já ceifou a vida de mais de 10 mil palestinos, dentre mais de 4 mil crianças e 2,5 mil mulheres, reduzindo a pó grande parte da infraestrutura econômica, hospitalar, escolar e institucional da região. Atacam também agora os assentamentos palestinos sob ocupação sionista na Cisjordânia. A destruição de Gaza, o deslocamento forçado e o massacre sistemático são a resposta que o imperialismo dá aos palestinos, por se negarem a se ajoelhar perante o sionismo, e usarem a violência revolucionária na luta contra a opressão nacional.
O deslocamento de tropas e navios de guerra dos EUA garantem a possível intervenção militar, caso a guerra arraste as forças nacionalistas árabes a combaterem ao lado dos palestinos. O apoio e pleno suporte militar dos EUA a Israel prova que a divergência anterior, acerca de como se deveria organizar o regime político (se por meio de uma ditadura centralizada no 1º Ministro ou numa democracia burguesa deformada que dividiria poder com o judiciário) pairou sobre uma mesma estratégia política de destruição do Hamas e da Faixa de Gaza por meios do terrorismo de Estado, que agora foi despejado por meio de um genocídio.
Por outro lado, a projeção do Hamas e de seus aliados, sob ataque estadunidense e sionista, ressaltou a necessidade da destruição do Estado de Israel como condição para que se alcance a autodeterminação palestina. Os governos burgueses em geral substituem essa tarefa histórica pela tese dos dois estados, um judeu e um palestino. Os dois estados levariam à permanência da opressão nacional de um sobre o outro, sob o capitalismo não será possível outra possibilidade.
A advertência de Erdogan, de que os países árabes devem preparar-se para intervir no conflito, assim como a ruptura de relações entre Bahrein, Qatar, Arábia Saudita e Jordânia com Israel, alertou o imperialismo de que desta vez não contarão com a tolerância e convivência dos governos da região. Soma-se a isso, a revolta das massas oprimidas nas potências contra a carnificina sionista, defendendo incondicionalmente o direito dos palestinos a combaterem seus algozes com os métodos que bem entenderem.
A guerra na Palestina se transformou em um massacre televisionado abertamente, sem que a ONU fosse capaz de contrariar os ditames dos EUA e seus aliados. Entre Gaza e Ucrânia, milhares de bombas, equipamentos militares e apetrechos bélicos são despejados, para favorecer o lucrativo negócio da indústria militar, em meio ao estreitamento de mercados e a paralisação de capitais nas potências. Não há outra via, aliás, para avançar com a maciça destruição de forças produtivas, que comparece no cenário da crise mundial como a única saída para uma recomposição das forças produtivas capitalistas. As mudanças nas relações políticas mundiais, marcadas pelo retrocesso das potências e avanço das forças produtivas baseadas nas economias estatizadas pelas revoluções, abrem passagem aos choques militares entre os Estados Imperialistas e os Estados Operários. Em ambos os conflitos, essas forças econômicas e políticas estão em trincheiras opostas nos combates e nas manobras diplomáticas.
O armamentismo que envolve todos os países, e os coloca de um lado ou outro dos choques mundiais, mostra que as crises econômicas antecedem as guerras. Mas, estas abrem também uma via para a intervenção das massas exploradas e oprimidas na luta de classes. A incorporação da guerra em Gaza na corrente violenta das tendências bélicas, que alcançou projeção mundial com a guerra na Ucrânia, acontece no momento em que as massas exploradas projetam as mais variadas formas e táticas da luta de classes contra a burguesia imperialista mundial e seus ditames, abrindo caminho para se avançar no caminho das revoluções, em oposição às tendências reacionárias e contrarrevolucionárias desenvolvidas pelas potências imperialistas.
O massacre em Gaza deixou claro às massas oprimidas dos países imperialistas e das semicolônias que devem defender incondicionalmente aos palestinos e seu direito de combater e derrotar os sionistas e seu amo imperialista com os métodos e táticas que eles escolherem. Esse instinto de classe divide aos explorados da grande burguesia e setores da pequena burguesia que se colocam ao lado do imperialismo e seus vassalos. Essa delimitação de classe se realiza em meio ao crescimento das manifestações que exigem o fim da guerra na Ucrânia e Gaza, e que se acabe com o apoio militar de seus governos a essas.
Para ampliar os gastos parasitários do imperialismo e criar condições de uma retomada da economia capitalista sobre a base da destruição maciça de forças produtivas mundiais, o imperialismo precisa disciplinar e desgraçar as massas em seus próprios países atacando direitos, ampliando as contrarreformas, exaurindo os assalariados com mais encargos para manter os gastos da guerra e, cada vez mais avançando na militarização de todas as manifestações da vida política e social. O governo imperialista francês proibiu qualquer manifestação em favor dos palestinos. O mesmo fez o governo inglês. Apesar disso, as massas decidiram se manifestar massivamente e erguer palavras de ordem cem favor dos palestinos, passando por cima das ameaças e proibições de suas burguesias. Essa fenda foi aberta inicialmente com os protestos contra o financiamento dos governos à guerra na Ucrânia, continuo se abrindo com as manifestações em favor dos palestinos e deu mais um salto com o boicote organizado por quatro sindicatos do aeroporto de Lieja, na Bélgica, que paralisaram a exportação de armas que seriam enviadas pelo seu governo para Israel. É essa solidariedade instintiva de classe que abre uma via para a luta coordenada, unificada e internacional visando paralisar a indústria militar e continuar com novos bloqueios de portos, ferrovias e rodovias em cada potência imperialista.
Esse objetivo deve guiar a intervenção da vanguarda com consciência de classe em cada país e no mundo todo, trabalhando por generalizar os protestos e pela sua imediata unificação em uma ação coordenada e radicalizada que favoreça a projeção de cada luta reivindicativa e cada protesto em um passo a mais para efetivar a derrota militar do sionismo em Gaza e da OTAN em Ucrânia.
A defesa incondicional dos palestinos combina-se à defesa incondicional da propriedade estatizada pelas revoluções de sua destruição pelo imperialismo. Essas bandeiras abrem uma via para que as revoltas das massas possam confluir com o programa revolucionário do proletariado mundial. Daí a importância da defesa das reivindicações e dos métodos que colocam objetivamente os explorados e oprimidos em choque contra a burguesia mundial e seus interesses em qualquer parte do mundo.

ACIMA
EDITORIAIS INTERNACIONAIS
INICIO

Compartilhar

  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando…

Partido Proletário Revolucionário Internacionalista

Pela reconstrução da IV Internacional

  • Instagram
  • Facebook
  • Twitter

Orgulhosamente mantido pelo WordPress.com

 

Carregando comentários...
 

    • Comentário
    • Reblogar
    • Assinar Assinado
      • Partido Proletário Revolucionário Internacionalista
      • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
      • Partido Proletário Revolucionário Internacionalista
      • Assinar Assinado
      • Registre-se
      • Fazer login
      • Copiar link curto
      • Denunciar este conteúdo
      • Ver post no Leitor
      • Gerenciar assinaturas
      • Esconder esta barra
    %d