
O Internacionalista n° 10 / dezembro de 2023
Editorial Internacional
As massas mundiais se projetam em luta contra a opressão social e nacional em todo o mundo
Nem tinha passado uma semana, e o cessar-fogo na faixa de Gaza foi desmontado, sob uma nova chuva de bombas e destruição desfechadas pelo sionismo. A trégua foi implodida pelo Estado genocida de Israel e defendida pelo imperialismo, porque o objetivo não é outro que trucidar, a sangue e fogo, a resistência palestina, seja a expressa por um dos braços armados, seja aquela que surge, uma e outra vez, da decisão dos palestinos de não serem espoliados de seus territórios e retornar a seus lares e nação.
A trégua revelou-se como uma vitória política do Hamas contra a ofensiva sionista em Gaza. Mas, sequer poderia ser cogitada, se a revolta das massas mundiais contra o genocídio planificado pelo imperialismo e o sionismo não tivesse achado uma radicaliza resistência operária e popular por toda parte, especialmente nas potências. Centenas de milhares de manifestantes, conformada quase exclusivamente pelos setores mais explorados e oprimidos, têm demostrado uma clara posição de classe diante do genocídio e da brutal opressão nacional que sofrem, dia após dia, os palestinos.
É uma constante, a irrupção espontânea do profundo instinto de revolta dos explorados contra os governos burgueses, em defesa das mais imediatas reivindicações. A greve da UAW nos EUA conseguiu derrotar os monopólios da indústria automotiva e impor importantes conquistas, além de recuperar direitos perdidos. Mas, também começam a se manifestar, ainda que limitadamente, movimentos no seio da classe operária mundial, de intervir contra as tendências belicistas do imperialismo com seus métodos próprios, afetando a maquinaria bélica, a exemplo da paralisação de portos e aeroportos na Bélgica e Espanha por sindicatos operários, impedindo o envio de suprimentos de armas e equipamentos ao sionismo.
As burguesias imperialistas e seus aliados são obrigados a buscar a destruição de forças produtivas em grande escala, aprofundando e estendendo as tendências bélicas, e a atacando mais fundo os explorados, visando a uma recomposição das forças produtivas capitalistas e retomada dos lucros, destruindo as economias estatizadas e submetendo as massas à mais escancarada superexploração assalariada. Essa tendência verifica-se na Palestina, como opressão nacional, ocupação militar de novos territórios, e expansão dos negócios monopolistas.
A Ucrânia é outro elo nessa cadeia de acontecimentos. A guerra e a carnificina que aumenta a destruição de milhares de homens e mulheres, desperdiçando um fabuloso contingente da força de trabalho, expressam a destruição de riqueza socialmente produzida. Riqueza e forças produtivas que ainda são dilapidadas sob outras formas, a exemplo do desemprego, terceirização, desindustrialização, etc. O quadro de crises e guerras são as convulsões de um sistema econômico completamente apodrecido, que se nega a morrer, que arrasta a humanidade seu conjunto à barbárie, e revela que, sem que as massas deem um salto à frente em sua luta contra a burguesia, o caminho das guerras e de maior opressão nacional alavancará a barbárie mais completa.
A direitização da política burguesa se realiza no quadro da impossibilidade da burguesia conceder qualquer reforma ou concessão aos explorados e nações oprimidas. Entretanto, é nesse quadro que comparece a tendência do proletariado, dos camponeses, da juventude oprimida, a pequena burguesia arruinada e dos demais assalariados, de assumirem uma clara posição de classe perante os conflitos mundiais e contra suas burguesias. Essas condições são favoráveis ao desenvolvimento da tática de derrotismo revolucionário nas potências imperialistas e de ruptura das massas com suas direções políticas, que se subordinam à direitização da burguesia, abandonando até a mais mínima das reivindicações operárias ou populares. Cada luta, por mais imediata que seja em seus objetivos, tende a projetar instintivamente as massas pela via da luta de classes. Mas, não conseguem avançar ainda mais, porque são contidas, desviadas ou diretamente traídas pelas direções políticas afundadas no colaboracionismo de classe e no democratismo burguês mais cretino.
Apesar desses obstáculos, as massas não arrefecem em sua ofensiva. As massas não escolhem quando lutar, nem o campo da luta de classes, contra os opressores e exploradores. A classe operária é empurrada pelas circunstâncias objetivas a avançar a sua independência de classe, e assumir a defesa dos direitos democráticos, nacionais e políticos, que levam ao choque dos oprimidos com o regime burguês e o imperialismo. É necessário organizar um movimento geral e campanhas em defesa dos palestinos e de boicote ao imperialismo e aliados, para que as tendências de ódio à burguesia mundial se transformem em ações políticas e solidariedade ativa, atacando a propriedade burguesa e seus negócios. As fábricas de armamento e suprimentos para a guerra devem ser paralisadas, e seu funcionamento passar sob controle operário coletivo. Trata-se impulsionar os movimentos, greves, ocupações em cada país, e apoiar ativamente a resistência das nações oprimidas pelos objetivos imediatos de derrota militar da OTAN e seus aliados na Ucrânia e na Palestina.
Nessa maré de instinto de revolta das massas mundiais contra a burguesia e os governos, é preciso impulsionar os confrontos de classe, defender as consignas que unificam os explorados por cima de suas nacionalidades e interesses econômicos, e projetar um movimento geral contra os governos burgueses, apoiado nos métodos da luta de classes. Ou seja: trabalhar por generalizar e unificar cada protesto e luta sob um programa comum, anti-imperialista e anticapitalista. Assim, a luta instintiva se aproximará da estratégia proletária, favorecendo a reconstrução da direção revolucionária.
