O Internacionalista n° 9 / NOTAS OPERÁRIAS / novembro de 2023


4,3 mil operários da GM, filiados ao Unifor, entraram em greve, após a empresa se recusar a aplicar o aumento de 25% nos salários, acordado entre o sindicato e a Ford Motor. A paralisação afetou a produção de caminhões (Oshawa), de motores e peças (St.Catharines) e distribuidoras (Woodstock).

A greve dos operários canadenses é parte das tendências de luta grevista, que se estende, por mais de 5 semanas, nos EUA, afetando a GM, Ford e Stellantis (ex-Crysler Motors). E que se estendeu recentemente para a Mack Trucks (produção de caminhões), da Volvo, quando seus operários rejeitaram a proposta da patronal, de impor os contratos por 5 anos, destruindo estabilidade e impondo o trabalho temporário.

A luta para estender as melhores condições salariais e trabalhistas conquistadas por uma fábrica ou setor da produção, para toda uma categoria de operários que desenvolvem tarefas e exercem funções iguais, é parte do programa histórico de reivindicações da classe operária, embora há muito abandonado pelas direções sindicais colaboracionistas. Os capitalistas exploram a força de trabalho em um país ou outro, procurando abocanhar maiores lucros pela diferença entre salários nacionais e regionais. Esse método é parte das “engrenagens” utilizados pela burguesia (como resultado da divisão mundial do trabalho), aproveitando-se da localização de fábricas em um país ou outro, para obter uma maior taxa de mais-valia.As condições que fazem do trabalho de um país uma engrenagem da produção social tornam o proletariado em classe mundial, e colocam a unificação de suas lutas, por cima das fronteiras nacionais. A luta pela isonomia do acordo salarial no interior das fábricas do Canadá, assim como acontece nos EUA, tendo por seu inimigo o mesmo patrão, abre, assim, uma via para a unificação internacional da luta, sob um programa unitário de reivindicações.

É tarefa da vanguarda com consciência de classe no Canadá e nos EUA revelar essas ligações, propor uma pauta de reivindicações que unifique as lutas, e exigir das direções que organizem uma greve geral em ambos os países. Assim é que se fará, da luta de um destacamento nacional do proletariado, parte da luta do proletariado de ambos os países contra os mesmos patrões. Assim também se avançará em um passo prático para o internacionalismo proletário, e se criarão as bases para que a vanguarda dê passos efetivos na resolução da crise de direção revolucionária mundial, sob um mesmo programa.