
O Internacionalista n° 11 / janeiro de 2024
Editorial Internacional
As massas seguem em luta contra a opressão de classe e nacional. Acentuam-se as contradições objetivas que as empurram a combaterem unidas a burguesia e seus ataques.
A transformação da Rússia na quinta economia mundial, ultrapassando a Alemanha, apesar de cercada e bloqueada pelo imperialismo, trouxe à tona as capacidades produtivas que preservam-se sob o envoltório das economias nacionalizadas pelas revoluções. O mesmo se verifica (resguardadas as devidas particularidades nacionais) com a transformação da China na maior exportadora de mercadorias industrializadas (de alto valor agregado e elevada composição técnica). Enquanto as potências imperialistas se desindustrializam e se aproximam da recessão. Apesar da crise de superprodução se manifestar ao interior dos Estados Operários degenerados, continuam a se desenvolver as forças produtivas nacionalizadas pelo proletariado vitorioso, certamente limitadas pelo seu encarceramento dentro das fronteiras e pelo controle parasitário das burocracias contrarrevolucionárias sobre a economia.
Isso explica porque a coalizão militar mais poderosa e melhor armada de países imperialistas e seus vassalos de toda a histórica não conseguiram ainda derrotar militarmente a Rússia. Sua economia estatizada tem permitido não apenas crescer economicamente como permitiu-lhe se rearmar, expandir a indústria militar e modernizar as forças armadas russas em meio à guerra. O que se reflete na consolidação das posições russas nos territórios anexados e suas ofensivas em grande parte do front.
O conflito na Ucrânia revela o choque de morte entre os Estados Operários e Capitalistas que Lênin caracterizou como o aspecto fundamental que marcaria a situação política mundial, após a vitória da primeira revolução proletária na história. A tese de que o conflito entre dois sistemas antagônicos condiciona o conteúdo e curso dos choques mundiais se verificam e confirmam a cada momento.
Enquanto a situação na Ucrânia se torna em pantanosa para o imperialismo, e a burocracia russa procura um compromisso com ele, os quase 100 dias de genocídio e invasão sionista em Gaza demonstram que a feroz resistência dos palestinos e suas organizações armadas ergueram uma poderosa força, perante a abismal desvantagem em tecnologia e armamentos, conseguindo não apenas manter acesa a luta pela autodeterminação nacional, como também dificultar a ofensiva militar e colonial sionista.
As potências capitalistas e aliados são empurradas pelas condições objetivas a agravar o intervencionismo bélico por toda parte. A Ucrânia e Palestina indicam sua necessidade de destruição de riquezas e forças produtivas (técnicas, materiais e humanas) socialmente produzidas para criar as condições à retomada dos lucros monopolistas e das economias capitalistas. Destruir as economias nacionalizadas para garantir a sobrevivência do capitalismo, por sua vez, combina-se ao ataque mais violento contra as condições de vida das massas. Eis porque a decomposição das economias burguesas é seguida pela decomposição de suas democracias, incapazes de resolver – ainda seja minimamente – as necessidades das massas. Assim, se aprofundam a guerra comercial, as tendências bélicas, o parasitismo financeiro, a destruição de indústrias e as contrarreformas contra a vida das massas.
Em meio a essa convulsiva situação política se potencia a luta de classes mundial. Verifica-se a revolta dos explorados por toda parte. As massivas e internacionalizadas manifestações pelo fim do genocídio em Gaza; as greves contra o envio de suprimentos ao estado terrorista e colonialista de Israel; as greves operárias em defesa dos salários, direitos e empregos etc. são diferentes manifestações da profunda projeção da luta de classes que acontece mundialmente. As massas vêm revoltando-se, apesar dos bloqueios impostos por suas direções políticas e sindicais. Radicalizam-se, apesar de não contarem com suas direções revolucionárias. Demonstram ativamente sua solidariedade de classe com a luta dos palestinos, e erguem as bandeiras capazes de unificá-las por cima das fronteiras nacionais. Enfim, vêm demonstrando um claro instinto internacionalista em defesa da luta dos oprimidos de outros países.
Essa tendência das massas (instintiva, portanto, carente de uma direção política com compreensão histórica das tarefas colocadas para avançar à revolução proletária) entra em choque com a “solidariedade” e unidade da esmagadora maioria dos regimes burgueses em apoiar a ofensiva imperialista e o avanço da opressão nacional. Arábia Saudita, Qatar, Egito, etc. se têm mostrado pilares na sustentação do Estado genocida de Israel. Mas, foram obrigados pelas massas de seus países a congelarem as relações diplomáticas e denunciarem seus crimes de guerra e o genocídio. Resistem a romper relações e ajudar a armar a resistência palestina, porque uma derrota do sionismo e o avanço das massas para a luta anti-imperialista colocaria seus regimes em risco. Contam para isso com apoio da burocracia chinesa e russa, que pretendem congelar o conflito e evitar a deflagração de uma guerra internacionalizada por todo Oriente Médio, que as arrastaria a se chocar com o imperialismo, quando procuram as vias do acordo. Apesar desses bloqueios, as massas árabes estão dispostas a combater o imperialismo e seus serviçais. Como podem, se organizam para atacar as bases e interesses econômicos do imperialismo e aliados.
A derrota militar dos sionistas e imperialistas em Gaza favorecerá a luta anti-imperialista e contra os governos árabes submetidos aos ditames imperialistas, de um lado, e aos interesses e manobras reacionárias das burocracias, de outro. A ação dos rebeldes houthys, atacando navios comerciais e militares das potências, do sionismo e aliados no Mar Vermelho, favorece a luta dos palestinos e impulsiona a revolta das massas árabes contra seus governos serviçais. Tampouco a classe operária mundial está alheia a esse instinto de solidariedade ativa com a luta dos palestinos. Na Bélgica, Espanha e Inglaterra houve greves e bloqueios de portos e aeroportos para impedir o envio de armas e suprimentos ao Estado de Israel. Se as massas conseguirem romper os bloqueios e assumirem a luta direta em ajuda aos palestinos, sem dúvida se dará um salto na luta de classes. É essa perspectiva que deve guiar a intervenção da vanguarda com consciência de classe. Defender o Hamas e os houthys e se colocar de seu lado pela derrota militar do imperialismo e sionismo (sem apoiar seu programa e objetivos) combina-se com a luta da classe operária contra seus capitalistas e seus governos.
As tendências instintivamente revolucionárias das massas surgem por toda parte. O que exige da vanguarda revolucionária se colocar sempre do lado dos oprimidos contra seus opressores. É seu dever defender sempre e incondicionalmente a derrota do imperialismo e seus aliados, e toda e cada uma das conquistas revolucionárias do proletariado mundial, sem nunca apoiar politicamente e sem se submeter programaticamente às direções e governos com os que aquele entra em choque. É necessário para isso defender as consignas que unificam os explorados por cima de suas nacionalidades e interesses econômicos particulares. Imediatamente, trata-se de: 1) organizar bloqueios de portos, aeroportos e transportes que paralisem a maquinaria de guerra imperialista e sionista; 2) lutar pela formação de frentes únicas em defesa dos palestinos, realizando boicotes e atacando a grande propriedade burguesa e sionista, e seus negócios; 3) apoiar e defender toda e qualquer ação de movimentos e correntes que objetivamente ajudem na derrota militar do imperialismo e seus vassalos; 4) organizar a luta nas ruas, o fechamento de avenidas e a ocupação de fábricas, visando a impor a imediata ruptura dos governos com qualquer apoio tácito ou implícito a Ucrânia e Israel; 5) impulsionar as greves e as manifestações unitárias em defesa incondicional dos palestinos 6) erguer as oposições revolucionárias que impulsionem o derrotismo revolucionário dos governos burgueses aliados do imperialismo na guerra contra Rússia e os palestinos; 7) generalizar e unificar cada protesto e luta contra os ataques da burguesia contra as condições de vida das massas operárias e assalariadas; 8) fazer avançar a ação coletiva das massas em defesa de suas reivindicações e direitos, para que se caminhe para uma frente única anti-imperialista, dentre outras.
Cada luta econômica e contra a opressão de classe e nacional que as massas empreendam cria condições para as massas do mundo todo avançarem um passo em direção à revolução proletária. Impulsionar a derrota dos exploradores e opressores em toda parte. A assimilação prática dos fundamentos do programa revolucionário aproxima as massas de sua vanguarda revolucionária.
