
O Internacionalista n° 11 / NACIONAL / janeiro de 2024
BARBÁRIE CONTRA OS POVOS INDÍGENAS SE MANTÊM
A situação dos povos originários dentro do sistema capitalista é de violenta opressão. Desde a chegada dos europeus, os indígenas sofrem com as piores violências: genocidio, terrorismo de estado, assasinatos, invasão de suas terras, deslocamento forçado, escravização, estupro, extinção de suas línguas e de suas culturas etc. Desde o início da colonização, houve resistência contra tamanha barbárie.
Entre os crimes mais bárbaros contra os indígenas, pode-se falar sobre o massacre dos Tikuna, que ocorreu em 1988 no município de Benjamim Constant (AM). Nessa ocasião, a terra indígena dos Tikuna estava em processo de demarcação, o que acirrava os conflitos entre os posseiros e os indígenas. Enquanto os indígenas Tikuna se reuniam em assembleia para debater a situação, 14 homens armados invadiram a comunidade atirando e matando os indígenas. O saldo foram 14 pessoas mortas, entre elas 5 crianças, e mais 23 feridos.
Alguns anos depois, em 1993, aconteceu outro terrível massacre, na comunidade de Haximu, que completou 30 anos, em 2023, em que garimpeiros invadiram a comunidade, localizada na fronteira entre Brasil e Venezuela, e assassinaram, a golpes de facão, 12 indígenas Yanomami, entre eles havia um bebê, além de crianças e de adolescentes.
Outro exemplo ocorreu em 2017 quando houve um massacre de 20 pessoas indígenas, da Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas, cometido por garimpeiros, local onde ocorreu o assassinato dos indigenistas Bruno e Dom.
A violência mais recente contra os povos indígenas aparece no relatório “Violência contra os povos indígenas do Brasil”, lançado pelo Conselho Indígena Missionário (CIMI), mostrando que, somente em 2020, 182 indígenas foram assassinados, aumento de 61% em relação ao ano anterior. Esse aumento está ligado ao grande aumento de invasões e exploração ilegal de terras indígenas que subiram137% entre 2018 a 2020, de acordo com o documento.
De acordo com as edições do relatório do CIMI, entre 2019 e 2022, 795 indígenas foram assasinados, mais de cem por ano. Nos últimos 4 anos, houve também 49 casos de estupro, e 535 indígenas se suicidaram entre 2019 e 2022. Sem contar outros tipos de violência, como lesão corporal, ameaças, tentativas de assassinato, racismo etc. que os indígenas sofrem em seus territórios ou nas regiões urbanas onde vivem ou transitam.
Além de tudo, sabemos que a situação da Pandemia piorou a miserabilidade entre os povos indígenas. No caso do Yanomami, as contaminações, a fome e a violência dos garimpeiros apenas se intensificaram durante a pandemia. Doenças várias afetam estes povos. Até julho de 2023, o Ministério da Saúde já contabilizava 123 mortes de indígenas Yanomami, a maioria crianças, por causas evitáveis e doenças tratáveis com medidas básicas de saúde pública. Durante a pandemia, dezenas de crianças perderam a vida pelo descaso do Estado e milhares sofreram por doenças e desnutrição.
Em julho de 2023, em meio à violência dos garimpeiros que atingiam os indígenas Yanomami, o corpo de uma criança foi encontrado morto em um dos rios da região do território. Em dezembro de 2023, outra criança, de 11 anos, foi vítima de estupro coletivo próximo à casa de saúde indígena de Boa Vista, em Roraima, que deveria ser um “local seguro” para as crianças indígenas.
Nos últimos meses, o povo Yanomami, que tem o maior território indígena já demarcado, no norte do país, vem denunciando o enfraquecimento da operação de desintrusão do garimpo, iniciada com o governo. Eles denunciam que os garimpeiros estão voltando e ameaçando a vida de seu povo. Recentemente, houve diversos assassinatos, como a violenta morte do indígena Yanomami Ilson Xiriana, agente de saúde da comunidade, que foi alvejado por garimpeiros junto de outros parentes. Fora do território Yanomami, também se multiplicam as mortes, a exemplo do assassinato do cacique Pataxó Hã-hã-hãe , Lucas Kariri-Sapuyá, vítima de uma emboscada no sul da Bahia, ativo na luta contra o Marco Temporal e em defesa dos direitos dos povos indígenas.
