
O Internacionalista n° 11 / NOTAS OPERÁRIAS / janeiro de 2024
Greve geral na Finlândia:
mais uma manifestação da projeção da luta dos explorados por toda Europa
Em 14/12 (2023), foi realizada a greve geral organizada pela Organização Central de Sindicatos (SAK), contra o projeto de Reforma Trabalhista que facilita as demissões e o trabalho temporário e precarizado, que procura reduzir os subsídios por desemprego e restringir a cobertura de direitos sob Convênios Coletivos, bem como condicionar e impedir as greves. Com mais de 18 sindicatos e 800 mil filiados, a SAK abriu uma via para que se projete um movimento nacional unitário contra o governo, que já retirou os subsídios para estudantes, e planeja expulsar milhares de imigrantes “sem trabalho”.
Há décadas não havia greve geral no país nórdico. Mas, também há décadas que o governo não desfechava um ataque tão profundo às condições de vida e de trabalho. O governo direitista de Petteri Orpo (Coalizão Nacional) junto do ultradireitista Partido dos Finlandeses e aliados de seu governo, procura por meio desses ataques elevar os gastos militares (exigência dos EUA após o país se integrar à OTAN) e, ao mesmo tempo, garantir os lucros da burguesia finlandesa atingida pela recessão da Europa, atacando a fundo as condições de vida das massas. A burguesia nacional, que, durante décadas, se valeu do “Estado de bem-estar” para apagar a luta de classes, avança agora (como faz toda a burguesia), atacando salários e direitos para garantir os negócios da burguesia nacional e imperialista.
O problema é que isso se passa quando por todo o continente europeu se deflagram massivas greves, paralisações e manifestações operárias e populares contra a destruição de suas condições de vida. Acontece, todavia, quando a solidariedade classista dos oprimidos do mundo todo em favor dos palestinos e contra o genocídio sionista se manifestam na forma de mobilizações, bloqueios e paralisações de portos e indústrias, exigindo de seus governos o fim do envio de suprimentos à Israel.
Nota-se que a crise capitalista e o avanço das tendências bélicas, não apenas projetam a centralização e a subordinação dos governos pelos monopólios e pelo ditames das potências, quanto trazem também ao interior dos países as condições para que a luta de classes dê um salto à frente. O que favorece a intervenção da vanguarda com consciência de classe para ajudar os explorados e os oprimidos a romperem com as burguesias e avançarem a sua independência de classe. Imediatamente, trata-se de exigir dos sindicatos, movimentos e centrais que defendam a derrota militar total da OTAN e do imperialismo, tanto na Ucrânia quanto na Palestina, e enfrentar as contrarreformas nas ruas.
Qualquer combate que seja dado pelas massas à linha de sustentação da política burguesa e dos governos, em qualquer país, impedindo-a de continuar financiando os esforços de guerra e pondo abaixo as contrarreformas com a ação coletiva, favorece a luta das massas oprimidas contra o imperialismo e seus vassalos, e abre caminho ao avanço da luta revolucionária contra a burguesia por toda parte.
