
O Internacionalista n° 11 / NOTAS OPERÁRIAS / janeiro de 2024
GM – SJC
A Conlutas afunda no peleguismo e no “sindicalismo de resultados” das direções reformistas e direitistas
Os operários metalúrgicos da GM de São José dos Campos aprovaram em assembleia (01/12) a adesão ao programa de PDV (Programa de Demissão Voluntária). A proposta foi resultado da negociação entre a direção sindical (CSP-Conlutas) com a montadora. A adesão ao PDV esteve “aberta” até 12/12 para todos os operários, tanto os da ativa quanto os que estavam em lay-off desde junho.
Por cada operário da ativa que aderir ao PDV, voltará outro à ativa que estava em “licença remunerada”. Para os operários de até seis anos na ativa, a empresa pagará seis meses de salários, um adicional de R$ 15 mil e o plano de saúde por um trimestre ou, se renunciar ao plano, pode receber mais R$ 6 mil. Os operários com mais de sete anos receberão indenização por cinco meses de salário, um carro ou R$ 80 mil, assim como plano médico ou R$ 12 mil.
A negociação foi feita após a greve contra as 860 demissões que a GM anunciou em outubro. A paralisação da produção por 17 dias, graças à reação da base operária, impediu o patronato de impor as demissões de forma imediata, o que a direção do sindicato caracterizou como uma “vitória”. O mesmo fizera em junho, quando anunciou como “vitória” os lay-off e a manutenção da estabilidade até março do ano que vem. Mas, basta ver o conteúdo do novo “acordo” para entender que a patronal apenas mudou de tática, para retornar com seus planos de impor as demissões sob outra forma, ainda que a conta-gotas.
Por isso, é hipócrita afirmar (veja-se site da Conlutas) que o PDV é uma “alternativa às demissões arbitrárias”. Pior hipocrisia é afirmar que a direção “é contra qualquer fechamento de postos de trabalho”. Um operário com o mínimo de consciência sabe que o PDV é a demissão com indenização.. E sabe que todas as demissões são “arbitrárias”, para quem é obrigado a vender sua força de trabalho para viver. Enquanto ao capitalista apenas interessa saber o quanto pode lucrar aumentando a massa de mais-valia arrancada de uma menor quantidade de operários, ao operário interessa defender seu emprego. Sair “voluntariamente” de um emprego no quadro de desemprego e precarização em alta, é um suicídio. A suposta “vitória”, portanto, não passa de engano de falsos revolucionários (PSTU), que aceitam as imposições dos patrões, sem lutar. Estão aí as consequências da adaptação da Conlutas ao “sindicalismo de resultados”, da burocracia reformista e direitista, apresentando os interesses dos capitalistas como algo bom para os assalariados.
A greve contra as 860 demissões mostrou a força coletiva e a disposição dos operários em defender seus empregos, salários e direitos. Sabendo que o patronato retomaria a ofensiva após o conjuntural recuo, uma direção verdadeiramente classista usaria a “trégua” entre explorados e exploradores para preparar e organizar uma greve e uma luta radicalizada contra os ataques que viriam. A CSP-Conlutas negou-se a cumprir essa tarefa, expondo a necessidade de constituir uma direção de fato revolucionária em SJC.
A defesa da fonte de trabalho passa pela luta pela expropriação (sem indenização) das fábricas que demitam ou fechem, estatizando-as e colocando-as sob controle operário coletivo, e não pelos acordos que abrem uma via às demissões. No imediato, exijamos dos sindicatos, centrais e direções metalúrgicas que se convoquem assembleias unificadas e se organizem piquetes de base visando a deflagrar uma greve unificada para impedir as demissões e os PDVs, e impor a estatização das montadoras!
