
O Internacionalista n° 12 / NACIONAL / fevereiro de 2024
A crise climática avança no mundo e no Brasil
Segundo a Organização Metereológica Mundial (OMM), o ano de 2023 foi o ano mais quente da História da Humanidade, bem como houve recorde na redução das calotas polares e na elevação do nível dos oceanos.
Situações “extremas” ambientais estão ocorrendo em todo o mundo, como, por exemplo, a seca que afeta toda a América Central, e que, entre outros fenômenos, fez baixar o Canal do Panamá a níveis que tornou inviável a navegação. A Maersk, uma das maiores empresas de navegação e transporte de mercadorias do mundo, anunciou que utilizará o transporte ferroviário para contornar o bloqueio, o que aumentará o preço do frete, portanto, das mercadorias.
A seca ainda atinge a Amazônia brasileira, deixando para trás um impacto generalizado entre os indígenas (acossados de um lado pela questão ambiental e de outro pelos extrativistas), ribeirinhos, pequenos agricultores, etc., destruindo suas condições de existência social.
No Sul e Sudeste, por sua vez, as fortes chuvas desde o dia 18 de janeiro causaram várias mortes e deixaram centenas de desabrigados. No Rio Grande do Sul, foram mais de 10 mortos, e no Rio de Janeiro, já são mais de 300 desabrigados, principalmente na Baixada Fluminense, uma das regiões mais pobres do Estado.
Como sempre, são os mais pobres e miseráveis que sofrem as piores consequências dos “fenômenos naturais”. Após as destruições das agriculturas, das vias de transporte e infraestrutura de moradias, o Estado burguês pouco faz pelos atingidos, como no caso da Costa Sul de São Sebastião, que, após um ano das 64 mortes, mesmo com a repercussão internacional, não foi entregue ainda um único imóvel aos desabrigados.
AS PRIVATIZAÇÕES AGRAVAM OS IMPACTOS DAS CHUVAS
As fortes chuvas das últimas semanas deixaram novamente a capital de São Paulo, maior e mais rico município do Brasil, em uma situação caótica.
Diversos alagamentos, árvores caídas, milhões de domicílios sem luz por dias, principalmente nas periferias, etc.
O quadro é tão grave que o prefeito Ricardo Nunes (MDB) chegou a pedir demagogicamente o cancelamento da concessão da ENEL. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), por sua vez, fez coro na crítica à ENEL, afirmando que a concessionária “mostrou despreparo ao lidar com tempestades e ventanias que deixaram milhões de domicílios sem luz nos últimos meses”.
Chamou atenção o silêncio do governo federal petista sobre o tema, que nem fez coro pelo fim da concessão ou mesmo defendeu a estatização do serviço. Vê-se que a burguesia, seja por meio dos seus partidos mais direitistas ou mais à esquerda, só podem silenciar ou criticar eleitoralmente o serviço privatizado, mas não impulsionar uma campanha ou mobilização pela reestatização dos serviços públicos que foram privatizados nas últimas décadas. Pelo contrário, prosseguem as privatizações, como as da SABESP, Metrô e CPTM no Estado de São Paulo.
A RESPOSTA BURGUESA PARA OS PROBLEMAS AMBIENTAIS
De tempos em tempos, os países capitalistas se reúnem em Cúpulas e Conferências para discutir e aprovar acordos internacionais para redução da emissão de gases do efeito estufa, do desmatamento, etc. A Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP28) foi a última delas.
Os acordos não visam de fato a impedir os desmatamentos e emissões, o que dependeria para sua aplicação acabar com a anarquia da produção capitalista, que é a decisão privada dos capitalistas de quando e quanto explorar a natureza, produzir, etc. A exploração da natureza se realiza de acordo aos cálculos contábeis de quanto lucro se pode obter e aplicando ou não tecnologia “limpa” se esta permite as margens de lucro esperadas. Por outro lado, tais acordos são impostos aos países que não são imperialistas, com limites ao desenvolvimento de suas forças produtivas e economias nacionais, e que contribuem para a permanência do seu atraso, ao mesmo tempo que os países imperialistas descumprem estes mesmos acordos.
PROGRAMA OPERÁRIO PARA A QUESTÃO AMBIENTAL
A burguesia mundial e os seus Estados, responsáveis pela destruição da natureza e pelas consequências sociais deste fato, se mostram plenamente incapazes de reverter ou mesmo de diminuir o problema. São as nações industrializadas ou que se industrializaram no passado, ou seja, as potências capitalistas, que devem arcar com os custos da destruição do meio natural e que ainda destroem ecossistemas e a natureza das nações oprimidas para continuar a enriquecer.
O problema fundamental, como apontado, está na anarquia da produção, fenômeno da essência do capitalismo.
Assim, somente com a planificação da economia será possível, de forma racional e planificada, aplicar tecnologia para retirar da natureza o que for necessário à produção e reprodução da vida humana, reduzindo ao mínimo os efeitos de sua ação sobre o meio natural e permitindo a esse condições para se regenerar. É necessária a destruição do capitalismo e construção da sociedade socialista para preservar o meio ambiente.
