
O Internacionalista n° 12 / NOTAS OPERÁRIAS / fevereiro de 2024
Alemanha
Greves de ferroviários na Alemanha é um sinal do avanço da revolta da classe operária e da luta de classes
O sindicato de maquinistas da Alemanha (GDL), fez greve por cinco dias (de 23 a 28 de janeiro), contra a empresa Deutsche Bahn (DB, estatal) exigindo aumento de salários de € 555 (18%), redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais (por 4 dias de trabalho), aumento em 5% nas contribuições patronais nas aposentadorias, e aumento dos “prêmios” por produtividade em 25%. A empresa ofereceu aumento salarial de 4,8%, adicional de 5% a partir de abril de 2025, redução de jornada de 38 para 37 horas para 2026, e um “bônus” em face da escalada inflacionária de até € 2.850.
A greve da GDL, que representa 50 mil assalariados, paralisou o transporte de passageiros e mercadorias em todo o país. É a quarta greve em três meses, e a mais longa do plano de lutas aprovado. Representa ainda um novo elo na alta da luta de classes no país, perante o aumento do custo de vida e precarização do trabalho, produto do agravamento da crise econômica diante dos custos do financiamento da guerra na Ucrânia e, especialmente, pelos reflexos do aumento dos preços dos serviços e da energia, que resultaram do bloqueio às importações de alimentos e energia da Rússia.
Negociações entre empresa e sindicato foram convocadas para dia 5 de fevereiro. Estima-se que durante as negociações não haverá novas medidas de força. Se não houver resposta favorável do Estado às reivindicações operárias, é possível que os trabalhadores retomem as paralisações. A destruição acelerada das condições de vida obriga os assalariados a saírem à luta.
A greve da GDL expressou as tendências de revolta dos trabalhadores contra o aumento da exploração e derrubada dos ganhos, produto das políticas e interesses imperialistas. No momento de fecharmos este jornal, foi convocada uma paralisação do transporte público municipal (2 de fevereiro) de ônibus, metrôs e trens, com mais de 90 mil assalariados por todo o país. Essa nova manifestação é parte das tendências de luta presentes entre o operariado alemão. A colisão dos sindicatos de um setor estratégico abre um caminho de choque com a burguesia imperialista alemã e seu governo.
As greves, bloqueios e manifestações que acontecem na Europa demonstram que na Alemanha também as massas operárias e assalariadas devem recorrer à ação direta para impor suas necessidades mais imediatas e a defesa de seus direitos. Está objetivamente colocada a unificação das lutas operárias por toda a Europa. Para isso, é preciso passar por cima do divisionismo nacionalista e desenvolver a política e programa revolucionários, que ajudem a vanguarda a travar a luta pela estratégia proletária.
