
O Internacionalista n° 13 / março de 2024
Editorial Internacional
As massas reagem aos ataques da burguesia mundial:
unificar as lutas sob as bandeiras anti-imperialistas
A ofensiva sionista sobre o sul de Gaza é mais um passo no genocídio, que tem por fundamento a posse de territórios e recursos pela força militar, e se caracteriza pela expulsão dos palestinos de suas terras ancestrais e a limpeza étnica na Palestina. Processo que se iniciou muito antes da criação do estado sionista de Israel (1948). Sua constituição por disposição das potências, de fora para dentro da realidade histórica e das fronteiras nacionais, constituiu Israel como enclave do imperialismo na região.
A partir disso, coloca-se o conteúdo social que associa o genocídio desfechado pelos sionistas contra os palestinos ao genocídio dos judeus pelos nazistas. A posse de territórios, o roubo de propriedades e riquezas, recorrendo ao massacre sistemático de um povo, são impulsionados pelos interesses da grande burguesia imperialista – do capital financeiro internacional. Interesses e métodos que se fizeram presentes na Alemanha nazista: invadiu inúmeros países, usou de seus territórios e recursos (naturais e industriais), e massacrou milhões de judeus, e os expulsou dos lares nacionais que habitavam há séculos, se apropriando pela força de suas propriedades (terras, riquezas e propriedades), visando a impor pela força militar uma divisão da Europa e das colônias mais favorável ao imperialismo alemão. Na Palestina, esses interesses se apresentam sob a forma de ocupação militar de territórios (Israel ocupou também territórios da Síria e Jordânia à força), e pelo objetivo de impulsionar os interesses imobiliários, a prospecção das jazidas de gás nas águas de Gaza que enriquecem a burguesia imperialista e sionista.
O racismo desferido pelos nazistas contra os judeus e outras etnias e raças consideradas “inferiores” (ciganos, eslavos, muçulmanos, etc.) foi apenas um véu ideológico erguido para acobertar os verdadeiros interesses materiais que determinavam o genocídio, e obscurecer perante as massas as reais fontes de suas desgraças: o agravamento de sua opressão de classe. O regime de apartheid racista erguido pelos dos sionistas tem o mesmo conteúdo, os mesmos objetivos e métodos gerais – ainda que se diferenciem na escala dos massacres e da fração da burguesia imperialista que se vê favorecida. Quanto à degradação dos palestinos à condição de “sub-humanos”, e que é possível “escravizá-los” (como afirmaram a Ministra de Direitos Humanos e empoderamento feminino ou o Rabi de Israel), tem o mesmo fundo ideológico racista e xenófobo do nazismo.
Ainda assim, os mesmos interesses econômicos se manifestam na guerra na Ucrânia. O imperialismo procura usar esse país como ponta de lança de seu objetivo estratégico de destruição da propriedade estatizada pela revolução, desmembrando a Rússia em estados étnicos para, assim, retomar a recomposição de forças produtivas imperialistas sobre a base da destruição dos recursos industriais e agrícolas russos – e, principalmente, chineses.
Está aí porque o genocídio na Palestina e a guerra na Ucrânia são manifestações das tendências das potências imperialistas de impor uma nova divisão do mundo para desse modo manter vivo, ainda que conjunturalmente, o moribundo capitalismo. O mesmo objetivo impulsiona as contrarreformas salariais, trabalhistas e previdenciárias sobre os assalariados. Mas, cada passo dado nesse caminho empurra os explorados e oprimidos a reagirem e lutarem. A revolta instintiva das massas contra a exploração burguesa e a opressão imperialista se projeta por toda parte.
Os operários portuários da Índia e Grécia deram continuidade aos exemplos dos operários belgas e espanhóis, paralisando o envio de armamentos e de insumos de guerra para Palestina e Oriente Médio. Nos EUA, foi formada uma “frente” de mais de 400 sindicatos para protestar e exigir o imediato cessar-fogo e fim dos massacres de palestinos. Instintivamente, a classe operária demonstra um profundo instinto de solidariedade de classe com os oprimidos, retomando as melhores tradições do internacionalismo, se chocando abertamente contra seus governos e suas burguesias, abrindo uma via à luta de classes.
A revolta dos agricultores europeus reflete as consequências das “medidas de guerra” contra a Rússia na economia do continente. A prorrogação da isenção de impostos aos grãos ucranianos, o aumento dos custos de produção, e a importação de produtos baratos das semicolônias leva os pequenos produtores à falência. Ao lado das contrarreformas previdenciárias e trabalhistas, estão a serviço da valorização do capital financeiro, para que a burguesia possa saquear os ganhos populares e parasitar os gastos de uma guerra que já consumiu muitas dezenas de bilhões de dólares em armas e munições.
A burguesia imperialista introduziu dentro de suas fronteiras nacionais as condições para um levante geral dos oprimidos. O problema é que essa revolta não rompe o corporativismo e não se projeta para o combate direto ao Estado burguês, pois o programa revolucionário não está presente. Falta às massas sua direção revolucionária, capaz de unificar as lutas sob um movimento geral contra os genocidas e opressores do mundo. Impulsionar as greves, ocupações, bloqueios e manifestações, sob a bandeira da derrota militar do imperialismo e sionismo no Oriente Médio, abre um caminho para essa unificação mundial das ações dos operários da Índia, Grécia, Espanha, Bélgica e outros países, e um caminho para que se possa soldar esse instinto de luta pela derrubada das burguesias pelo proletariado. Também é verdadeiro que a derrota militar do imperialismo na Ucrânia favorece sua derrota na Palestina.
A bandeira da derrota militar do imperialismo e aliados em cada país coloca na mesma trincheira o conjunto dos oprimidos que enfrentam a violenta opressão social e nacional. A trincheira que se ocupa nessa guerra desatada entre oprimidos e opressores é decisiva para a reconstrução da direção revolucionária mundial, sobre bases programáticas e ideológicas firmes, ao mesmo tempo em que separa os marxistas e revolucionários da pequena burguesia pacifista e dos revisionistas pró-imperialistas. O verdadeiro combate à extrema-direita em toda parte tem como ponto de partida defender as reais necessidades das massas, tomá-las como bandeiras contra os governos burgueses e o imperialismo, por meio dos métodos da luta de classes, e com organização de total independência política de classe. A luta das massas por suas necessidades se choca com as instituições da democracia burguesa e, se desenvolvida livremente, enfrenta-se com todas as frações da burguesia, que caminha cada vez mais à direita, para preservar seu poder de classe, seus lucros, e a exploração da maioria. Combater o desvio das massas para as vias parlamentar e jurídica, promovido pelas direções das organizações de massa, é a tarefa mais imediata da luta revolucionária no mundo todo.
