
O Internacionalista n° 14 / MOVIMENTOS / abril de 2024
NOTA DO PPRI – Sobre o conflito com o PCO
PM reprime o PCO no ato do 8M da Avenida Paulista! Fora a PM das manifestações! Pelo fim da PM! Pela independência de classe dos movimentos!
O ato do 8M em São Paulo começou com um conflito entre o PCO e as correntes organizadoras da manifestação. Ainda quando o caminhão de som estava parado junto ao MASP, o PCO reivindicou a palavra e os organizadores lhe negaram, com uma resolução burocrática. O PCO respondeu burocraticamente: ameaçou que, se não falasse, impediria fisicamente que o caminhão se deslocasse. O que colocou em prática por meio da agressão física, respondida enquanto tal. A PM interveio, como de costume, repressivamente, invadindo o espaço da manifestação, prendendo um militante do PCO e tomando-lhe sua grande faixa.
Todos os que participam das manifestações de massa e assembleias conhecem bem as atitudes burocráticas de direções sindicais no sentido de impedir que opositores possam usar da fala para defender suas posições. Em geral, as oposições só falam por pressão das bases, a contragosto das direções. Todos sabem também que em geral só falam as organizações que compõem a organização dos atos, ou aqueles a quem essas organizações permitem falar – em geral, parlamentares, personalidades, etc. As exceções confirmam a regra.
São conhecidas também as atitudes gangsteris do PCO no interior dos movimentos. Não têm como política se apoiar nas bases para se contrapor às direções, e sim se organizam como bando para responder à violência burocrática com a violência física dos aparatos à margem das massas. Também usam dessa violência gangsteril para se impor ou chantagear os movimentos. Agridem mulheres, colocam mulheres para agredir em nome de marmanjos, etc.
As atitudes burocráticas de direções e as respostas burocráticas do PCO são destrutivas aos movimentos. Ambas devem ser rechaçadas e combatidas por meio da democracia operária, que às vezes é impositiva pela força, mas essa força vem da maioria, e não de grupos organizados com a finalidade de agredir.
Já a intervenção da PM no interior do movimento, seja em favor de um lado ou de outro, deve ser rechaçada totalmente. A PM é uma instituição criada pela ditadura militar no Brasil para massacrar os movimentos e a população empobrecida das periferias, especialmente os pretos e pardos. A PM é o cão de guarda da burguesia e de seus governos contra as massas que se levantem contra a opressão e exploração. É um órgão morto-vivo da ditadura militar, a qual acabou formalmente em 1985. Os movimentos sociais não cansam de repetir acertadamente que querem o fim da polícia militar.
Por isso, é preciso rechaçar a intervenção da PM na manifestação, por mais raiva justificada que se tenha do PCO. Em qualquer ação repressiva da PM contra qualquer setor do movimento, a tarefa elementar de qualquer militante classista é ficar ao lado do reprimido contra o aparato repressivo da burguesia. O que não significa apoiar a política do PCO, muito menos seus métodos. Manter a PM fora dos movimentos é defender o conjunto das organizações que o compõem, que agora podem se sentir defendidas diante do PCO, mas logo poderão ser vítimas da repressão dessa mesma PM em outra situação. O aparato repressivo é a parte sobre a qual se fundamenta o Estado burguês, ditadura de classe dos exploradores sobre os explorados. Servem para garantir pela força repressiva os interesses da classe dominante, por mais que se enfeitem de democráticos e enganem parte das massas. De qualquer forma, nosso dever é combatê-los, todos os dias, ajudando as massas a se livrarem de suas ilusões e caminhando para derrubá-los pela via revolucionária.
As mulheres são também vítimas da repressão policial e da colaboração dessa instituição com a violência que sofrem em casa, no trabalho e nas ruas. Seu papel é na linha de frente no combate à intervenção policial no interior das manifestações, no que devem ser apoiadas pelos homens que tenham consciência de classe e combatam a burguesia, seu Estado e seu aparato repressivo.
Nossa denúncia e rechaço aos métodos burocrático-gangsteris do PCO não nos impedem de combater firmemente a repressão policial e a intervenção a PM no interior dos movimentos!
Nada de resolver os conflitos dos movimentos pela ação policial ou do Estado burguês!
Fora a PM das manifestações! Pelo fim da PM!
