
O Internacionalista n° 13 / MOVIMENTOS / março de 2024
A política democratizante e eleitoralista é um freio a um massivo e radicalizado movimento de massas contra o sionismo em nosso país
No dia 03/02, foi realizado mais um ato organizado pela Frente em defesa da Palestina de São Paulo. Milhares de manifestantes se reuniram na Praça Oswaldo Cruz, na Paulista, para repudiar mais um massacre de palestinos desfechado pelo sionismo genocida. Os presentes demonstraram sua raiva e profundo ódio contra a carnificina desferida contra milhares de palestinos quando se reuniam, desesperadamente, ao redor de alimentos para tentar barrar a fome que assola Gaza, como consequência do brutal cerco israelense. Os palestinos famintos, dentre eles muitas crianças e mulheres, arriscaram suas vidas para conseguir um pouco de farinha. Imagens da mídia mostram como pagaram o preço de suas vidas por tentar evitar morrer de inanição, sendo alvejados por ataques aéreos e atiradores das tropas israelenses.
O ato deu um salto quanto à sua massificação, rompendo o trajeto de atos anteriores, que compareciam pequenos e impossibilitados de se mobilizar, pela imposição autoritária da PM. Houve a participação de membros da comunidade palestina, das torcidas organizadas e centenas de populares que se autoconvocaram contra o genocídio. Os cerca de 5 mil manifestantes presentes furaram o bloqueio da polícia dos atos anteriores. Não houve como impor ao ato ficar isolado na praça, e assim se percorreu toda a Av. Paulista até o MASP, ocupando toda uma pista.
O ato poderia ter sido ainda maior, caso os sindicatos e organizações populares convocassem e organizassem as manifestações a partir de suas bases. Verificou-se, mais uma vez, a política imobilista, imposta de cima para baixo pelas direções sindicais, que estão subordinadas à defesa do governo burguês de frente ampla de Lula/Alckmin. Não há nenhuma intenção desse governo e dessas direções em utilizar seu controle dos organismos de massas para tornar em multitudinárias as mobilizações radicalizadas em defesa da Palestina, e menos ainda em aprovar em assembleias a mudança da retórica à ação, aprovando medidas concretas contra os interesses do sionismo em nosso país. Isso explica ainda porque os dirigentes do PT e deputados de partidos, que falaram no ato, usam a defesa das falas inconsequentes de Lula para tentar ludibriar os oprimidos contrários ao genocídio, para arrastá-los a votar nos candidatos defendidos por Lula contra aquels defendidos por Bolsonaro e Tarcísio, apoiadores dos sionistas.
Isso foi o que denunciou o PPRI no seu manifesto (publicado ao lado desta nota) e em sua fala no caminhão de som. Afirmamos que é hipócrisia a denúncia do genocídio apenas nas palavras, enquanto o governo federal de Lula/Alckmin mantém os acordos em defesa e segurança, aprovados em 2022 e 2023, ou que sequer se dignasse a expulsar o embaixador de Israel, que pratica o genocídio de todo um povo. Denunciamos também que esses acordos e os métodos de assassinato em massa dos sionistas são aplicados pela PM na Baixada Santista. Dissemos que a morte de 70 pessoas e as centenas de presos pela PM são um também resultado do treinamento e dos acordos em segurança entre Israel e o estado de São Paulo. O que colocava como a tarefa, não apenas se organizar para frear o genocídio em Gaza, mas também para parar os massacres da PM. Criticamos, ainda, as manifestações de posições democratizantes e eleitoreiras no ato, que procuram se utilizar do genocídio e dos massacres de famintos como palanque eleitoral da candidatura de petistas e aliados. E encerramos nossa fala afirmando que ainda que o massacre dos “palestinos que estavam na fila da farinha” tenha sido realizado pelos genocidas (soldados israelenses), “as armas e a munição eram do imperialismo norte-americano”. Portanto, que estava colocada de maneira urgente a tarefa de “Derrotar o imperialismo e o sionismo’”.
O ato do dia 03/02 demonstrou que é possível dar um salto nas manifestações de algumas centenas de militantes para os atos com milhares, porque existe um verdadeiro ódio de classe entre uma ampla camada dos oprimidos contra os sionistas. É nesse instinto de revolta em que a Frente Palestina deve se apoiar e, agora, avançar, se organizando para intervir nas assembleias sindicais e manifestações que virão, convocando as bases a discutir e aprovar medidas práticas em defesa dos palestinos e pelo fim do genocídio. Assim see dará um passo para pôr de pé um movimento massivo e radicalizado, que imponha ao governo a ruptura dos todos acordos existentes com o sionismo, expulsão do embaixador, e desenvolver uma campanha ativa pela derrota dos genocidas nas fábricas, portos e aeroportos, de modo a impedir que haja qualquer colaboração do Brasil com Israel, que massacra os palestinos.
