O Internacionalista n° 13 / NACIONAL / março de 2024


O bolsonarismo tem sido alvo de uma série de denúncias e processos por parte do judiciário e polícia federal. A reunião de 22 de julho de 2023 mostrou que Bolsonaro, seus ministros e generais do exército (aposentados e na ativa) discutiam abertamente a organização de um golpe de estado para evitar que a chapa Lula/Alckmin vencesse as eleições e formasse um novo governo. Uma série de envolvidos foi presa, outros foram convocados a prestar depoimentos, inclusive Bolsonaro. Este teve ainda o seu passaporte confiscado, documento que estava em posse do presidente do seu partido, o PL, em Brasília. O que indica que seus comparsas julgavam possível que Bolsonaro pretendesse uma fuga do país, e tomaram a precaução de manter seu passaporte consigo. O escândalo foi amplamente divulgado na imprensa burguesa. Chama a atenção que o vídeo da reunião tenha sido divulgado meses depois de obtido com o tenente coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que negociou delação premiada com a polícia federal.
A divulgação ocorre logo no início das campanhas eleitorais para as prefeituras no país. É certo que essas eleições pesarão na recomposição de forças entre os partidos burgueses e, dessa forma, na correlação de forças no Congresso nacional. Bolsonaro e o presidente de seu partido, Valdemar da Costa Neto, pretendiam negociar a indicação de mais de mil candidatos na semana em que foi divulgado o vídeo, e Valdemar foi preso. O ataque do judiciário será requentado durante a campanha eleitoral pelos candidatos da Frente Ampla governista, para cozinhar as campanhas de candidatos bolsonaristas.
Mas o bolsonarismo reagiu, convocando um ato político de apoio a Bolsonaro. Governadores, o prefeito de São Paulo, e parlamentares fiéis ao ex-presidente estiveram presentes. Sete quadras da Av. Paulista foram preenchidas com bolsonaristas de várias partes do país, com dezenas de ônibus, certamente pagos pelos muitos investigados pelo judiciário e polícia federal.
A imprensa burguesa destacou como é ainda muito grande o apoio popular a Bolsonaro. Que a polarização política no país continua forte. Que a ameaça da extrema-direita sobre a democracia burguesa ainda está presente.
Lula reconheceu a força da manifestação pró-Bolsonaro. Alguns políticos passaram a defender a anistia aos crimes do ex-presidente.
Fechando as contas, não foi somente Bolsonaro que recuperou fôlego com sua grande manifestação. O governo burguês de Frente Ampla de Lula/Alckmin também saiu fortalecido, especialmente para as eleições municipais. Isto por que os governistas de todos os tipos podem apontar o perigo do bolsonarismo para atrair os votos de eleitores que nem mesmo apoiam Lula e seu governo, mas que votarão nos candidatos da frente ampla para as prefeituras, contra a “ameaça da extrema-direita”. Novamente, os oprimidos serão chamados a apoiarem seus opressores nas urnas, aterrorizados pelos governistas, que apelarão entusiasticamente contra as supostas ameaças à democracia burguesa. Uma vitória significativa dos candidatos da frente ampla atrairá parlamentares hoje abrigados nos partidos bolsonaristas, e dará maior força parlamentar para que o governo consiga aprovar ainda mais medidas de proteção ao parasitismo financeiro e maior superexploração sobre os salários.
É preciso rechaçar a campanha dos partidos burgueses e pequeno burgueses, tanto de direita como de esquerda, que pretendem arrebanhá-los para agir contra seus próprios interesses. A tarefa é unificar as massas ao redor das reivindicações, organizar com independência de classe, opor os métodos próprios da luta de classe aos métodos eleitoreiros, parlamentares e judiciais. As bandeiras que unificam as massas não precisam ser inventadas: aquelas que defendem os salários, empregos e direitos estão dadas pelos ataques centralizados da burguesia e de seus governos. A resposta deve ser também centralizada, por meio da unidade nacional das lutas das massas.