
O Internacionalista n° 13 / NOTAS INTERNACIONAIS / março de 2024
Ucrânia
Sem o apoio bilionário dos EUA, as forças da OTAN na Ucrânia retrocedem, e a Rússia avança.
Mas para onde?
A cidade de Avdiivka, no Leste ucraniano, próxima a Donetsk, foi tomada pelas tropas russas. Depois de 10 anos de combates e guerra civil, as tropas ucranianas e da OTAN (sob a cobertura formal de mercenários) deixaram a cidade. Ela era usada como ponto de lançamento de ataques contra Donetsk, os quais recentemente mataram dezenas de civis, como ponto de entroncamento de ferrovias centrais do país, e tendo uma importante usina de coque, usada na fabricação de ferro e em diversas outras indústrias. A tomada dessa cidade é parte de um avanço militar russo em mais de mil quilômetros de frente militar na Ucrânia. Já não existe quem ache possível uma derrota da Rússia, apenas se discute quando e em que termos haverá um “acordo de paz”. E como será removido o governo fascistizante de Zelensky, desgastado junto às massas ucranianas.
Poucos dias depois, morreu na prisão o opositor Alexey Navalny. É provável que seja mais um na lista de mortos de forma suspeita, da burocracia russa encabeçada por Vladimir Putin. Navalny era um opositor pró-capitalista financiado, treinado e apoiado por organismos norte-americanos, que foi envenenado em 2020, e preso desde 2021. As manifestações durante seu enterro resultaram em dezenas de prisões. Prisões, mortes e expulsões de opositores são uma marca da burocracia russa desde Stalin.
Dias antes, Putin deu uma entrevista ao jornalista direitista estadunidense Tucker Carlson. Putin praticamente comandou a entrevista. Deu sua versão dos fatos na Ucrânia, desde bem antes de 2022. Chamou a atenção pelo relato do acordo firmado logo no início da guerra com a Ucrânia e países da OTAN, que previa que os russos deixariam Kiev e suas proximidades, em troca do fim da guerra civil no Leste contra os russos e reconhecimento das regiões que se proclamaram território pertencente à Federação Russa. Putin alega que cumpriu sua parte no trato, mas que o então chanceler britânico Boris Johnson agiu para que não se cumprisse a parte da Ucrânia e Ocidente. Semana depois, iniciou-se a 1ª contraofensiva ucraniana armada pela OTAN.
Em geral, não se pode confiar nos relatos da burocracia ou de seus opositores ocidentais, e menos ainda durante uma guerra. A contrainformação é parte da guerra. Mas uma coisa se pode tirar da entrevista de Putin: a reafirmação de que a burocracia se move inteiramente para preservar a fonte de seu poder e seus ganhos, que é a propriedade nacionalizada. Por isso, busca sempre e em toda ocasião a via do acordo com o imperialismo. Ainda que pudesse, no início da guerra, impor militarmente a derrota do governo Zelensky, preferiu a via do acordo e a retirada das tropas. Ainda que possa hoje derrotar militarmente a Ucrânia, diante da impossibilidade do imperialismo sustentar com centenas de bilhões de dólares a contraofensiva sobre a Rússia, prefere convocar ao acordo que preserve seus interesses mesquinhos.
Nossa posição de defesa da Rússia contra a OTAN não inclui a defesa da burocracia, ou de sua política, ou de seus métodos. A derrota militar da OTAN interessa ao proletariado mundial porque preserva circunstancialmente a propriedade nacionalizada (conquista da Revolução Russa de 1917) e o controle estatal da indústria, agricultura e bancos. Mas é necessário e imprescindível manter e agir sob o programa da Revolução Política, que tem por objetivo a derrubada da burocracia e a volta do controle da economia e da política às organizações das massas. Somente sob a política proletária será possível defender de fato a transição ao socialismo iniciada pela Revolução Russa, e avançar para a derrota mundial do imperialismo, sem a qual não haverá paz duradoura.
