
O Internacionalista n° 13 / NOTAS OPERÁRIAS / março de 2024
Genocídio na Palestina
O proletariado mundial reage contra o genocídio e aponta o caminho para a derrota do sionismo e imperialismo
Em 18 de fevereiro, na ilha de Salamina, na Grécia, os trabalhadores portuários mobilizaram à Estação Naval da Armada grega, para exigir não se enviei a fragata “Hydra”, como parte da Força Tarefa que atua no Mar Vermelho, e cujo objetivo é apoiar a intervenção imperialista no Iêmen e a proteção dos interesses sionistas. O Sindicato Pan-helênico de Trabalhadores Navígeros (PENEN) exigiu o fim de qualquer ajuda do Estado grego a Israel que permita continuar com o genocídio. “Não à intervenção da marinha grega no Mar Vermelho e Oriente Médio”, “Fechamento das bases da morte” – em referência às bases da OTAN –, “Ruptura com a OTAN”, foram algumas das palavras de ordem erguidas.
Há duas semanas, os operários portuários da Índia se recusaram a carregar navios com armas para Israel, afirmando que não querem ser cúmplices dos massacres em Gaza. A medida foi tomada pela Federação dos Trabalhadores dos Transportes Aquáticos (WTWF). O secretário-geral do sindicato, T. Naraendra Rao, afirmou: “Se qualquer navio transporta armas ou munições ou carga de armas para Israel, decidimos boicotar. Não cooperaremos com isso.” A WTWF é filiada à Central Sindical Indiana (CITU) e à Federação Mundial de Sindicatos (FSM), e decidiu agir após o chamado dos sindicatos palestinos que participaram de uma reunião da FSM solicitarem aos sindicatos ações práticas para frear o genocídio.
A solidariedade instintiva dos operários portuários da Índia e da Grécia com os palestinos é expressão de uma tendência geral presente em amplos setores da classe operária mundial. No fim do ano passado, os três principais sindicatos de transportes da Bélgica anunciaram que deixariam de transportar armas para Israel, por terra, ar ou mar. Os trabalhadores estivadores de Barcelona, semanas depois, se recusaram a carregar ou descarregar qualquer material ou equipamento militar destinado a Israel. Os governos burgueses desses países foram obrigados a “suspender” (temporariamente) a exportação de munições e armas para Israel.
Os operários de diferentes países, instintivamente, tomaram uma clara posição perante o genocídio na Palestina e criam condições, com suas ações, para a derrota do sionismo. O mesmo se verifica- ao longo da história do século XX. Entre 1948 e 1994, marinheiros e estivadores de vários países se uniram para boicotar e isolar o regime de apartheid da África do Sul. Os Sindicatos Marítimos Contra o Apartheid (MUAA) foram formados como seções no interior dos sindicatos da Dinamarca, Grã-Bretanha e Austrália.
Quanto aos portuários indianos, essa tradição deita raízes na luta contra a opressão colonial. Em 1939, quando a Índia era ainda uma colônia inglesa, deflagraram uma greve, para impedir a navegação dos países colonialistas na Ásia, em defesa dos movimentos anticolonialistas. Em 1945, boicotaram por nove meses os navios da Holanda, em apoio à luta pela independência da Indonésia (ex-colônia da Holanda). Agora têm por tarefa atacar as fontes econômicas do sionismo em seu país, paralisando as fábricas que vendem drones para Israel (Adani Defense and Aeroespace, que trabalha em parceria com a israelense Elbit Systems). O estado sionista se tem valido dessa Join-venture empresarial para contornar o “bloqueio” dos houthis no Mar Vermelho, enviando os equipamentos militares até os Emirados Árabes Unidos, e daí os transportam por terra. Se os operários indianos atingissem esses interesses, abrirão uma frente para a efetiva derrota do sionismo.
A classe operária mundial está manifestando todo o seu instinto de classe e, apesar do atraso em sua consciência política, cavam uma trincheira ao lado dos oprimidos contra os opressores e genocidas. Mas, é ainda necessário dar um salto à frente, unindo seu instinto ao programa pela derrota militar do sionismo. Um passo será dado quando os operários se coloquem à cabeça do movimento mundial em defesa dos palestinos, e organizem os boicotes, as greves e as ocupações das empresas ligadas ao Estado e à burguesia israelense. Assim se ajudará efetivamente os palestinos e os houthis a derrotarem seus inimigos, ao mesmo tempo em que se abrirá uma via à derrota da burguesia imperialista em seus próprios países.
