
O Internacionalista n° 14 / NOTAS INTERNACIONAIS / abril de 2024
Haiti
Crise social se agrava no Haiti – situação é expressão da decomposição do capitalismo
O Haiti é o país mais pobre da América, e um dos países mais pobres do mundo. Segundo números da ONU, mais de 60% da população vive abaixo do limite de pobreza, uma em cada três crianças sofre de desnutrição grave, e o país ocupa o 163º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano, em um total de 191 países. Segundo dados do Banco Mundial e da UNICEF, cerca de 40% da população é analfabeta e apenas metade das crianças frequenta o ambiente escolar.
Além disto, o Haiti enfrente o problema grave da violência urbana, com grupos armados vinculados ao narcotráfico e à criminalidade em geral, os principais tendo sua origem nos grupos de extermínio ligados às ditaduras de Papa Doc (1957-1971) e Baby Doc (1971-1986), controlando amplas regiões nas principais cidades, e mais da metade da capital, Porto Príncipe. A situação se agravou após o assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021.
Desde 2021, o país é dirigido por Ariel Henry, em um governo que conta com o apoio dos EUA e das principais potências imperialistas. Henry tinha prometido deixar o cargo em fevereiro de 2024, e convocar novas eleições, no entanto, até o momento, não houve nenhuma sinalização de que pretende realizar eleições.
O quadro de crise política se agravou no dia 1º de março, quando o Ariel Henry anunciou um acordo com o governo do Quênia, para envio de 1.000 policiais ao Haiti para controlar a situação, como preparação para uma nova Missão da ONU, para “apoio e segurança do Haiti”, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, no ano passado.
Em resposta à medida, os principais grupos criminosos e paramilitares realizaram uma série de ataques às delegacias, invadiram o principal presídio na capital e libertaram cerca de 3.700 presos, e tentaram controlar o aeroporto internacional na capital. Em resposta, Ariel Henry decretou Estado de Emergência e reprime o movimento com o poder estatal.
O caos vivido no Haiti é expressão da decomposição do capitalismo. O Haiti é um país atrasado e suas forças produtivas reduzidas e precárias. Segundo a CIA, dois terços da força de trabalho não têm emprego formal, encontram-se bloqueados pelo imperialismo. Na ausência de poderosas frações burguesas, a fração ligada ao narcotráfico e à criminalidade em geral projeta-se sobre a sociedade.
Situação similar ocorre no Equador, que se encontra desde janeiro em Estado de Exceção, por conta dos graves choques entre o Estado e grupos narcotraficantes ligados aos cartéis do México. No dia 24/03 ocorreu o assassinato da Prefeita de San Vicente, Brigitte García, na província de Manbí, sendo a sexta política ou candidato assassinado no período de um ano.
Da mesma forma, a cidade de Rosário, na Argentina, terceira maior cidade do país, enfrenta uma onda de violência nas últimas semanas e choques entre facções narcotraficantes e o Estado.
O imperialismo não tem nada mais a oferecer de progressista. Pelo contrário, em sua fase de decadência, se gravam as tendências bélicas, as guerras e todo tipo de violência reacionária. Mesmo as intervenções “humanitárias e pacifistas” da ONU, como a Missão das Nações Unidas para a estabilização do Haiti (MINUSTAH), que operou no país de 2004 até 2017, e contou com o comando do governo petista do Brasil, não serviu para outra função que não a de preservação do capitalismo no país, da exploração e do terror sobre as populações das periferias, com inúmeros relatos de assassinatos, estupros e outras formas de violência reacionária.
Neste sentido, é fundamental a luta contra qualquer forma de intervenção do imperialismo sobre o Haiti e sobre qualquer país atrasado!
A revolução proletária cumprirá as tarefas democráticas pendentes nos países atrasados, com a consequente planificação da economia e avanço da revolução mundial, e assim será capaz de retirar o Haiti da situação de barbárie em que se encontra!
