
O Internacionalista n° 14 / SINDICAL / abril de 2024
Reformistas e centristas de mãos dadas para canalizar as tendências de luta para as campanhas eleitorais
Em abril, os burocratas sindicais começam as campanhas eleitorais, e serão liberados dos sindicatos. Na Apeoesp, Bebel e demais candidatos terão à disposição o aparelho sindical e os espaços das subsedes para as campanhas. A “Caravana da Educação” servirá principalmente para isso e não para preparar a greve. O “eterno” presidente do Sinpeem, Claudio Fonseca, concorre para vereador em SP. Compareceu em meio à greve em um comício eleitoral junto a Boulos. Ficou explícito que um dos motivos para não radicalizar a greve é que “perderia votos” dos setores direitistas que apoiarão Boulos. A ala majoritária da Oposição Unificada (Sinpeem) compareceu na assembleia que encerrou a greve falando lado a lado com a burocracia da Coeduc, sem se opor à política do caudilho. Um “santinho” foi distribuído na assembleia, onde se indicavam os candidatos de um chapão da burocracia direitista junto aos das correntes da Oposição Unificada. Os chamados a continuar a luta nas urnas explicitou que a unidade burocrática servia aos objetivos eleitorais das correntes e partidos governistas para as eleições municipais de outubro.
A derrota da greve é uma desgraça para o funcionalismo, mas será cinicamente explorada em proveito das campanhas da frente ampla burguesa. Será um palanque eleitoral de Cláudio Fonseca e aliados de “esquerda”, para chamar os servidores a apoiarem seus candidatos. Por sua vez, a “construção da greve” da maioria da Oposição Combativa da Apeoesp se traduzirá na “construção das candidaturas eleitorais”. Convocam “reuniões”, “churrascos” e plenárias nas subsedes, se autoproclamando defensores dos professores efetivos e contratados, estes que se negaram a defender, ao rejeitarem a greve no momento em que ainda havia condições de unificação com o funcionalismo.
Os centristas, reformistas e governistas compartilham do mesmo espantalho do “fascismo”, “ameaças da extrema-direita”, “golpismo” e “ameaças golpistas” para chegarem à mesma conclusão: é necessário derrotar a direita golpista e fascista nas eleições. O PSTU esquerdiza essa estratégia, agregando “também nas ruas”. E todos eles se aproveitarão cinicamente das derrotas dos trabalhadores para impulsionar seus candidatos. Tudo indica que PSTU e MRT irão se unir em uma “mini” Frente de Esquerda. A defesa da “democracia burguesa” e a luta “contra os golpistas” unificou governistas e centristas no dia 8 de janeiro, e na defesa do governo burguês de frente ampla eleito. A diferença é que começam as campanhas do primeiro turno, e os morenistas buscam impulsionar seus candidatos. Caso Boulos tenha chance de vencer no segundo turno, chamarão o voto crítico com os mesmos argumentos de 2018 e 2022?
A vanguarda e as bases que sofreram traições e derrotas sob a direção de reformistas e centristas devem rechaçar os burocratas da direita e também da esquerda que os enganaram e desviam de seus objetivos e interesses de classe. Lutar pelas reivindicações imediatas e defender a ação direta de massas e a democracia operária, lhes permitirá avançar um passo na sua independência de classe. Desviar os trabalhadores dessa tarefa serve à burguesia, seja com retórica reformista ou “socialista”.
