
O Internacionalista n° 15 / MOVIMENTOS / maio de 2024
Greve da educação federal se fortalece!
Com a entrada do ANDES-SN, em 15 de abril, a greve da educação federal se fortaleceu, e está em ascensão. Agora, nacionalmente, professores e técnicos de universidades e institutos federais estão paralisados e em unidade com algumas greves estudantis, a exemplo do movimento na UFPR.
A greve dos técnicos em educação iniciou-se em 11 de março, e mantém-se forte, como a maior dos últimos anos, com adesão que ultrapassa os 80%, segundo a FASUBRA, e com atividades grevistas nas ruas desde o seu início. O SINASEFE também realiza uma das maiores paralisações do último período, quando mais de 500 unidades, das 682 unidades dos institutos federais, interromperam suas atividades e ingressaram no movimento grevista. No caso do ANDES-SN, que entrou tardiamente, já estão em greve 40 das 68 universidades existentes, com perspectiva de ampliação das paralisações na primeira quinzena de maio.
Esse quadro de greve de toda a educação federal é parte do descontentamento geral do funcionalismo, diante do arrocho salarial e do estrangulamento de verbas para os serviços públicos. A força do movimento nasce proporcionalmente e em oposição à determinação do governo em manter o congelamento para sustentar o parasitismo financeiro (o déficit zero do Arcabouço fiscal). O fato de o governo insistir em manter o zero de reajuste para o funcionalismo em 2024 (mesmo aumentando os índices de reajuste entre 2025 e 2026) demonstra sua determinação em não aumentar o rombo final do orçamento, que veio subestimado em relação às despesas obrigatórias. A mesma atitude vimos quando buscou e busca rever os recursos com a oneração de 17 setores da folha de pagamento, e com a virada de posição em relação a receber os dividendos do lucro extraordinário da Petrobras.
Acontece que o governo foi eleito com o aval do grande capital financeiro nacional e internacional, e continua dependendo dele para manter a plena governabilidade. Embora já tenha reservado R$ 700 bilhões para pagamento de juros da Dívida Pública, espera chegar próximo do déficit zero e do superávit em 2025 e em 2026 (isto é, mais dezenas de bilhões em pagamento de juros) para atender os interesses da especulação financeira. O movimento grevista se choca objetivamente com essa política, mostrando que os trabalhadores da educação federal não aceitarão pagar pelo parasitismo.
Com efeito, se, de um lado, o movimento grevista coloca contra a parede a política econômica de Lula/Haddad; de outro, precisa responder às possibilidades, também objetivas, de vencer essa política só com a força da educação federal, o que coloca a necessidade de ampliar o movimento para outros setores do funcionalismo federal, também atacados. Vimos, no entanto, já na última semana de abril, que muitos sindicatos do FONASEFE e do FONACATE (fóruns que agregam todos os sindicatos do funcionalismo) assinaram o acordo com o Ministério de Gestão e Inovação, em relação ao aumento de benefícios, e que ainda se mantêm distantes da aprovação de uma greve conjunta.
O aumento do vale-alimentação, do repasse dos planos de saúde e do percentual de auxílio-creche não resolve a situação de arrocho salarial. Pelo contrário, mantém o arrocho e exclui os aposentados, que não os recebem. Necessitamos manter a pauta de reivindicações já aprovada e protocolada, impondo-a por meio das manifestações de rua, das grandes passeatas nas avenidas das capitais, de modo a ganhar parte da população, que poderá compreender que os serviços públicos estão sendo defendidos pelos servidores, ao realizarem uma grande greve nacional. Apenas com os atos em Brasília, com as audiências públicas, o movimento grevista não terá a força e a visibilidade de que necessita para quebrar esse aspecto da política econômica do governo. Sair às ruas, de forma conjunta, massiva, é fundamental para vencermos o governo e arrancarmos nossas reivindicações.
Pela vitória da greve da educação federal!
Construir a greve do funcionalismo público federal!
Abaixo o Arcabouço fiscal!
