O Internacionalista n° 15 / SINDICAL / maio de 2024


A reunião do Conselho Estadual de Representantes – CER –, que antecedeu a assembleia do dia 26 de abril, foi marcada pela manobra da burocracia de dizer que estava a favor da greve, sem propor a greve. A burocracia sindical majoritária colocou os dirigentes do PSOL, que faz parte da diretoria (a partir do chapão que se organizou nas eleições sindicais, dada a Frente Ampla de Lula/Alckmin), para defender uma “greve digital”, junto com os trabalhadores de aplicativos, argumentando que a base não quer a greve, o que mal serviu para encobrir eleitoralismo de Bebel/PT. O discurso foi o de amedrontar a base, ao invés de impulsionar o movimento. O antigo “Fórum das Seis”, que dirige parte das subsedes da capital, conseguiu mobilizar escolas, eram parte da oposição no passado também, mas agora fazem o jogo burocrático de boicote falacioso aos movimentos que estão acontecendo, para conter a ação direta dos professores da rede estadual.
O calendário estabelecido pela Direção Executiva era o de não deflagração imediata da greve, com assembleia para o dia 29 de maio. As correntes de oposição defenderam o início imediato da greve em 26 de abril, e assembleia para o dia 03 de maio, porém, a maioria daquelas que integram a Oposição Combativa não esclareceram o que os levou a mudar de posição apara a defesa da greve já, que não foi defendida na assembleia do dia 15 de março, onde negaram-se também a chamar a unidade com o funcionalismo municipal de São Paulo, em greve na ocasião.
A Corrente Sindical Marxista – Guillermo Lora continuou o chamado em defesa da greve imediata, com unidade com o funcionalismo e professores federais, porém, com as reivindicações que temos levantado desde sempre, por isso continuamos na crítica ao grupo da Oposição Combativa. A defesa dos 40 mil demitidos e a estabilidade imediata para os professores contratados foi deixada de lado, tanto pela direção sindical quanto pela OC.
A direção traidora da APEOESP negou a proposta de greve imediata e assembleia para a próxima semana, apresentada pelas correntes de oposição, rebaixando a bandeira de unidade com o funcionalismo federal em greve. Douglas Rizzo, um dos diretores que já foi vice-presidente da CUT estadual, em palavras afirma a necessidade de uma “verdadeira unidade com os professores da rede federal”, porém, diante da manutenção da Frente Ampla, em defesa dos interesses do capital financeiro, “foge” do chamado de unidade grevista com os Institutos e Universidades Federais, para não afetar as campanhas eleitoreiras em torno do PT.
A diretoria apresentou a proposta para diminuir o tempo de fala e intervenções das correntes de oposição no CER e na Assembleia, um grave ataque à democracia operária, mais um exemplo de cerceamento daqueles que se opõem à política entreguista da burocracia sindical. A direção sindical e os lacaios do PSOL apresentaram o calendário de lutas de “continuidade da construção” da greve no mês de maio, evitando a mobilização da categoria.
Ao chegarem na Praça da República, os professores foram recebidos com panfletos, estrategicamente distribuídos pela burocracia sindical, convocando os trabalhadores e trabalhadoras para a “festa do 1º de maio”, “por um Brasil mais justo!” Diferentemente dos panfletos tradicionais que percorrem a assembleia em tom de agitação e propagandeio da luta, este conduzia ao distracionismo da comemoração, da festa; distanciando-se da realidade do professorado e do conjunto dos trabalhadores e explorados, que não possuem motivos para comemorar, ainda mais na data do 1º de maio, onde tradicionalmente nos manifestamos pela luta dos trabalhadores do mundo todo.
A luta do conjunto dos trabalhadores passa pelo enfrentamento do governo de frente ampla de Lula/Alckmin, que ataca e explora a maioria oprimida com seu arcabouço fiscal, com a política de arrocho salarial e aprofunda a “uberização” das relações de trabalho, com menos direitos e mais precarização.
O boletim da CSM – GL trouxe a questão concreta dos mais de 40 mil professores desempregados, as perseguições e demissões que se avolumam nas diversas regiões, a “plataformização”, o arrocho salarial, a defasagem salarial de 34%, além das demais situações presentes em nossos espaços de trabalho, que impõem aos docentes condições tão violentas que interferem diretamente na saúde da categoria. A exaustão e o adoecimento em meados do 2º bimestre deste ano são gigantescos e sem precedentes. A ausência de uma direção sindical consequente em suas políticas para a categoria ressalta a necessidade da deflagração de uma greve massiva. A burocracia sindical manteve seu calendário de enrolação e não deflagração da greve na assembleia.
Com uma de defesa da greve realizada apenas de forma imediata (decidida no dia da assembleia), as demais correntes que compõem a Oposição Combativa se apresentaram como quem não tivesse tido nada a ver com a não aprovação da greve em defesa da categoria O em 15/3. A aprovação imediata da greve ressoou como resposta necessária e aguardada pela categoria. Apesar das falas controladas e limitadas pela burocracia, uma parte dos professores atuou externando sua indignação com a política traidora adotada pela direção eleitoreira.
A assembleia contou com aproximadamente 10 mil professores. Considerando o empenho da burocracia em afastar as bases nos últimos anos, a resposta da categoria ao chamado de greve foi grande, demostrando a disposição de luta dos professores diante dos ataques do governo Tarcísio/Feder. Aprovaram no “tapetão” uma Assembleia Estadual para o dia 24 de maio, manobrando e ludibriando a categoria.
A diretoria, ao perceber que poderia perder o seu controle burocrático sobre a assembleia, precisou manobrar no caminhão de som, novamente, como fez no CER, impedindo as correntes de se expressarem no debate. Impôs que o calendário deveria ser votado primeiro, um completo absurdo, pois é o conteúdo debatido na assembleia com suas bandeiras centrais que determinaria o calendário que daria conta das tarefas. Um calendário de não greve é oposto a um calendário de greve. Com o discurso de “não estarem contrários a greve”, os burocratas usaram a estratégia do “Breque dos apps” greve dos trabalhadores de aplicativos –, colocando que os professores deveriam acompanhar esses trabalhadores e fazer uma “greve” de boicote às plataformas digitais impostas pelo governo.
A CSM-GL repudiou, no caminhão, a manobra realizada pela burocracia sindical, exigindo que o debate ocorresse antes da votação do calendário, com a intenção de mostrar o golpe para os professores presentes na assembleia. De forma autoritária, e usando as mulheres como escudo na frente do parapeito do caminhão, e demais membros da direção como “bate-paus”, impediram as correntes de oposição de esclarecerem à categoria que estava no chão, sobre a truculência que acontecia em cima do caminhão.
Os burocratas controlavam o microfone, expondo a manobra de impedir as falas na assembleia. Diante da imposição burocrática, que auxiliou a burocracia a votar o calendário primeiro, restou à CSM-GL fazer a denúncia. Outras correntes de oposição denunciaram que a “encenação” foi para impedir a deflagração imediata da greve dos professores, dada a conjuntura de ataques do governo. Ao final das exposições que não poderiam mais mudar o calendário, foi inviabilizada a fala sobre qualquer política de defesa da greve, pois o calendário de não greve já havia sido aprovado.
As lideranças do PSOL, que dirigem as subsedes da capital e grande São Paulo, trouxeram o derrotismo ao movimento em suas exposições, procurando impor, inclusive, o medo na categoria, quando um dos dirigentes disse “que os professores contratados poderiam ser demitidos, caso fizessem greve”. O empenho em frear o movimento foi grande, precisaram de duas votações, para ter certeza da “não” deflagração da greve. A base das correntes pessolistas compareceram divididas, apesar do comando “desagregador” destas, a consciência de muitos professores percebe os golpes eleitoreiros e os desvios das ações diretas e da formação de uma unidade.
Nos últimos anos, as correntes ligadas ao PSOL já ajudavam a Articulação Sindical e sua burocracia venal quando não unificavam a oposição contra as disputas aparelhistas e eleitoreiras. Agora, enquanto “Chapa Uma”, como se autointitulam, é visível que a burocracia ampliou o seu controle. Esse é um elemento que contribui para compreendemos a votação desta assembleia. A traição das correntes do PSOL se alinha à traição maior da burocracia em conter a disposição de lutas da categoria. A Frente Ampla que se abriu com a eleição de Lula/Alckmin mostra o seu caráter de colaboração de classes e traição aos trabalhadores. A política eleitoreira do PT, PSOL e das demais correntes de “esquerda” que atuam como satélites do PT submete os sindicatos e movimentos aos interesses da burguesia.
A atuação da CSM-GL/PPRI foi no sentido denunciar a manobra da direção, que impediu o debate e de mostrar a importância da greve que deveria ser deflagrada imediatamente. Apontamos que a direção não terá como arrancar as reivindicações dos professores com as reuniões infrutíferas com a Secretaria ou com o seu cretinismo parlamentar, expusemos que o calendário aprovado pela direção era para frear o movimento, traindo os professores e colaborando diretamente com o governo.
A direção majoritária da APEOESP, que aglutina as correntes de “esquerda” neste momento de Frente Ampla, mais uma vez se negou a unificar a luta em defesa dos professores demitidos e da educação pública. Ignora a greve dos demais setores da educação federal. Primeiro, foi na assembleia do dia 15/03, negando o chamado de greve junto ao funcionalismo municipal de São Paulo. Agora, no dia 26/04, 42 dias após o dia 15 de março, na tentativa de desmobilizar, se negou a unificar o movimento com os professores e funcionários das universidades federais em greve.
Os grupos eleitoreiros, mesmo na Oposição Combativa, têm sido pressionados pelas bases para a luta, tiveram de responder com o chamado de greve, dadas as condições objetivas dos ataques . O chamado de greve imediata, e assembleia para 03/05, obrigou as correntes da OC que não defenderam a greve no dia 15 de marçoa fazê-lo agora. A “greve digital” defendida pela burocracia e que foi esboçada pela Corrente Reviravolta/PSTU nas falas no CER e no caminhão, não tomaram força.
Ficou evidente que a direção burocrática conciliadora, de Bebel e diretoria, foi a de propor um calendário com uma greve falsa, impedindo uma votação direta pela greve ou não, para esconder que estavam pela “não greve”. A assembleia mostrou que, se uma greve fosse deflagrada, os comandos que se formariam teriam força para convencer a maioria dos professores. A categoria está pronta para avançar. A vanguarda precisa da greve para forjar a luta.
A política de conciliação tem seus limites. O enfrentamento aos ataques dos governos, e a unidade entre professores e funcionários federais e estaduais se torna inevitável nesse período. O arrocho salarial, o arcabouço fiscal, as privatizações, levam às massas a se chocarem com os interesses da casta burocrática sindical também, ficando cada vez mais distantes da “crença” no processo institucional, buscando os métodos próprios da classe para enfrentar a destruição dos serviços públicos, diante da crise e de um Estado que continua a pagar os juros da dívida pública, permitindo o parasitismo financeiro do capital.
Só a unidade na luta contra os governos pode defender o emprego, os direitos e a educação pública em todo o país.