
ESPECIAL PARA O SITE / NOTAS INTERNACIONAIS / 08 de maio de 2024
EUA – Ocupações de universidades
Governo aumenta a repressão sobre os acampamentos nas universidades:
é necessária a unidade de operários e estudantes para derrotá-la
Estudantes dos EUA continuam em acampamentos e ocupações de prédios e espaços universitários, exigindo a ruptura das relações de suas instituições com empresas e universidades israelenses. O movimento estudantil pela ruptura de relações entre seus governos e universidades com Israel espalhou-se para outros países, como Egito, Jordânia, Índia, Nova Zelândia, Espanha, Líbano, Tunísia, Canadá, México, Costa Rica, Suíça, Itália, França, Inglaterra, Países Baixos, etc. A revolta dos estudantes do mundo expôs a existência de uma profunda tendência unitária mundial contra o sionismo e o genocídio dos palestinos. Isso é o que assombra a burguesia que, em todo mundo, age repressivamente contra os movimentos.
A criminalização desses movimentos é uma política geral de todos os governos. São mais de 2.200 presos entre estudantes e professores nos EUA, e dezenas de milhares no mundo todo. A mesma polícia que reprime com violência os manifestantes pró-Palestina nos campi norte-americanos ignora as ações criminosas de sionistas e supremacistas brancos favoráveis ao apartheid e ao genocídio dos palestinos, aqueles que atacam e hostilizam os acampamentos nas universidades.
Por trás da completa impunidade de ação desses grupos ultradireitistas e chauvinistas, acha-se o poderio econômico e político da burguesia sionista e do denominado “lobby” sionista norte-americano que, nos últimos anos, aliou-se aos setores ultradireitistas de evangélicos e supremacistas brancos. Por inúmeras ligações econômicas, ideológicas e políticas, esses grupos condicionam e determinam a política exterior e interior da maioria dos partidos democrata e republicano. O que tem favorecido o acionar de “associações civis” sionistas, que perseguem e hostilizam estudantes e professores pró-palestinos.
A Coalizão Israel no Campus se encarrega de espionar grupos universitários e professores favoráveis aos palestinos ou críticos do Estado de Israel. O Comitê Americano-Israelense de Assuntos Públicos (AIPAC), ligado aos serviços secretos israelenses, é especializado em “contra-insurgência”, e age no interior dos EUA com total impunidade. Accuracy in Media é responsável por organizar campanhas de intimidação contra estudantes no site “Harvard odeia judeus” (HarvardHatesJews.com). O Concert, sob sua fachada de “instituição de caridade”, encobre “operações psicológicas”, marcadas por campanhas de desprestígio e desinformação, sob o comando do Ministério de Assuntos Estratégicos de Israel. É conhecida também a coordenação prestada a essas “associações” pelo Psy-Group (PG), das FDI (Forças de Defesa de Israel), seção militar especializada na “guerra psicológica”, e responsável pelo Projeto Borboleta de 2016, para atacar acadêmicos que criticam Israel, visando a difamá-los e, inclusive, impondo sua demissão ou expulsão. O PG está estreitamente ligado à Liga Antidifamação, que é, na prática, uma “agência” de propaganda pró-Israel. Seu diretor, Jonathan Greenblatt, foi responsável por inúmeros ataques nas mídias contra os movimentos e figuras públicas pró-Palestina nos EUA.
A ação, sob a fachada de “associações civis”, protege essas agências de um Estado estrangeiro, que realiza suas atividades sem qualquer temor de penalização e/ou proibição, como estabelece a Lei de Registo de Agentes Estrangeiros (FARA). Também são seus alvos os grupos de judeus que protestam contra o genocídio e críticos de Israel, a exemplo de Vozes Judaicas pela Paz. Se podem agir com total impunidade, é porque estão protegidas pelo governo e por organismos de segurança norte-americanos.
Ressurgem as perseguições e métodos macartistas do passado
Por iniciativa do senador MacArthur, foi aprovada em 1950 uma lei orientada à perseguição e ao banimento de toda atividade política considerada “anti-norteamericana”. Seus princípios jurídicos e seus métodos terroristas são reeditados hoje, para criminalizar os movimentos contra o genocídio e a limpeza étnica dos palestinos. A recém-aprovada Lei de Conscientização sobre Antissemitismo (2 de maio) modifica o código do Departamento de Educação e o código penal.
Incorporam-se nela, os princípios do chamado “novo antissemitismo”, popularizado em The New Anti-Semitism, da Liga Antidifamação, publicado em 1974. O cerne de suas teses é que todas as ações do estado de Israel são, sempre, atos de legítima “autodefesa” e “direito dos judeus”, para preservar seu estado nacional na Palestina. De uma canetada, a lei apaga qualquer distinção, entre o Estado de Israel, e os judeus e o judaísmo, considerados uma mesma e única coisa. Assim, qualquer oposição ao Estado é considerado um ato “hostil” e discriminatório contra os judeus. Institucionaliza-se o genocídio, e protegem-se seus perpetradores, ao justificar seus atos como necessários à “existência dos judeus”. No passado, justificou-se o holocausto dos judeus em nome da “pureza da raça”. No presente, o sionismo recorre a argumentos ideológicos análogos, para justificar seu holocausto sobre os palestinos. Isso explica por que os grupos de suprematismo branco e racista podem confluir junto do sionismo, para hostilizar os estudantes e os professores com cânticos racistas, xenófobos e antissemitas.
O Congresso criou ainda as condições para criminalizar movimentos e sindicatos que realizem ações que atinjam material ou financeiramente Israel, que serão considerados atentados contra a “existência” dos judeus. O mesmo verifica-se na Inglaterra, após aprovado o “novo código” contra o antissemitismo, em resposta às manifestações pró-Palestina que condenaram a “Operação Chumbo Fundido”, lançada por Israel contra Gaza, em 2008/2009. Depois de aprovada a lei, a polícia britânica invadiu casas e prendeu um total de 169 manifestantes, na chamada “Operação Ute”, por criticar os massacres ou participar de manifestações, naquela época. Muitos, incluindo menores, foram acusados por “antissemitismo”, e receberam penas severas de privação da liberdade por protestarem contra Israel.
Os levantes contra o genocídio se projetam mundialmente
Após a invasão da polícia nas universidades na Califórnia e em Nova York, estudantes do mundo todo ocuparam suas universidades, em solidariedade aos protestos nos EUA. Acadêmicos e intelectuais (judeus e não-judeus) passaram a condenar e denunciar a truculência policial e os ataques à liberdade de pensamento e expressão. Judeus antissionistas somam-se, não apenas aos protestos, como passaram a ser ativos organizadores nas manifestações massivas pelo fim do genocídio e pela ruptura de relações dos Estados e instituições com Israel. A força dos protestos estudantis e a ação firme de milhares de professores e acadêmicos permitiram que Departamentos e diretorias de diversas faculdades e universidades, sob pressão do movimento, cancelassem atividades científicas e acadêmicas ligadas a Israel. Na Universidade de Columbia, dezenas de professores decidiram cortar seus laços com a instituição, após seu administrador chamar a polícia para reprimir os acampamentos estudantis. Na Universidade de Brown, em Rhode Island, sob pressão do movimento, aprovou-se o desinvestimento da instituição em empresas afiliadas a Israel ou ligadas ao genocídio em Gaza. Após essa vitória, os estudantes levantaram o acampamento, apesar de que continuam os processos de criminalização dos 41 estudantes presos. A Universidade se comprometeu a não abrir processos disciplinares.
Apesar de ser uma vitória parcial na Universidade Brown, fortalece-se a luta dos estudantes, porque mostra que é possível impor as reivindicações que mobilizam milhões de oprimidos e assalariados pelo mundo todo. As principais bandeiras dos acampamentos e ocupações estudantis (boicote e desinvestimento) são comuns aos movimentos e manifestações operárias que bloquearam portos e aeroportos, fábricas de armamentos, etc. O que coloca uma base reivindicativa comum para construir a unidade entre estudantes e a classe operária e demais assalariados, e favorece a aprovação de ações práticas comuns para impô-las com os métodos da luta de classes. Assim, não apenas se poderiam criar as condições para impor aos governos o embargo de armas a Israel e ajudar em sua derrota militar, como poderiam também criar um movimento unitário para combater e barrar a repressão dos governos.
A maioria da população oprimida do mundo todo apoia os palestinos e é contrária ao sionismo. Os palestinos saudaram as ações dos estudantes norte-americanos e do mundo todo e apoiaram sua luta e medidas. Mas, quase todos os governos burgueses continuam financiando o genocídio – apesar dos choramingos hipócritas pelos massacres contra os palestinos. A política proletária deve intervir em meio dessa contradição, para abrir passagem à luta revolucionária a partir das reivindicações colocadas pelas próprias massas em luta. Para derrotar o sionismo na Palestina e a ofensiva repressiva da burguesia em cada país, se faz necessário avançar a unidade de ação frentista entre operários, assalariados e a juventude, para impor suas reivindicações com a luta de classes.
