
O Internacionalista n° 15 / MOVIMENTOS / maio de 2024
76 anos da Nakba – SP
Em ato massivo, ganha projeção a consigna que o governo Lula rompa todos os acordos com o estado de Israel
Em São Paulo, 5 mil pessoas marcharam pelo 76 anos da Nakba, primeiro episódio do genocídio dos palestinos, e que continua até hoje. Diferentemente de atos anteriores, houve desta vez uma consigna unânime – ruptura de todas as relações do Brasil com Israel –, que indicou um avanço da Frente Palestina pelo caminho da delimitação e separação da demagogia do governo burguês de frente ampla de Lula/Alckmin, que choraminga pelas mortes dos mais de 40 mil palestinos e denuncia o genocídio, mas não rompe, definitiva e totalmente, com o sionismo.
Em todo o mundo, os estudantes ocuparam centenas de universidades, exigindo o fim do genocídio e o desinvestimento de suas instituições nas empresas e universidades israelenses. Manifestações pró-Palestina se espalharam por toda a Europa, África, Ásia e América Latina. A radicalização dos movimentos e sua crescente pressão sobre os governos os obrigam a posar de democráticos e preocupados com os massacres, e tomar medidas demagógicas, a exemplo da suspensão do contrato do exército brasileiro para compra de viaturas e obuseiros israelenses. Bélgica, Irlanda e Espanha impuseram embargos ao envio de material bélico a Israel pela ofensiva em Rafah. Espanha e Bélgica proibiram a entrada em seus portos de navios que carreguem armas com destino a Israel. Cambridge foi a primeira cidade da Inglaterra a aprovar uma exigência de um cessar-fogo e fim das vendas de armas do país para Israel. Noruega, Irlanda e Espanha aprovaram a criação do Estado palestino e sua inclusão na ONU. Bélgica e Turquia se somaram à inciativa da África do Sul para que a Corte Internacional de Justiça (CIJ) processe Israel por genocídio. A Turquia rompeu as relações comerciais com o estado sionista. As universidades vêm tomando decisões pelo desinvestimento em empresas e instituições cúmplices do genocídio. Os governos fazem isso porque temem que os movimentos se radicalizem ainda mais, abrindo caminho a medidas mais radicalizadas (greves, bloqueios etc.), que acabem estrangulando a economia e a maquinaria bélica de Israel.
A contradição entre o massivo (e crescente) apoio popular aos palestinos, com a política dos governos de continuarem a ser cúmplices do genocídio – alimentando as armas e tanques com recursos que vêm dos negócios e acordos –, se manifestou no ato em São Paulo, pela exigência unânime de toda a marcha para que Lula rompa, imediatamente, todas as relações e acordos entre o Brasil e Israel. Os partidos e correntes governistas, que têm sido muito cuidadosos em preservar a imagem de Lula como “liderança” mundial na luta contra o genocídio, sequer se animaram a sair em defesa da suspensão do contrato. Porém, permanece o problema fundamental da ausência da classe operária organizada, com o objetivo de atacar as bases econômicas de Israel em nosso país.
A negativa das direções dos sindicatos e organizações populares em convocarem assembleias gerais, onde as bases discutam e votem medidas práticas em defesa dos palestinos, organizando bloqueios de avenidas, ocupações de fábricas e paralisando o envio de petróleo para Israel, acaba favorecendo o governo burguês de Lula/Alckmin para manobrar com a suspensão temporária do contrato de compra de armas israelenses, permitindo que seja retomado, mais à frente.
A consigna “Palestina livre do rio ao mar” tem muita importância por defender objetivamente a constituição de um Estado palestino em todo seu território histórico, sem sionismo. Trata-se agora de travar a luta no interior dos movimentos e sindicatos para que a classe operária assuma essa tarefa com seus próprios métodos, estrangulando o sionismo em nosso país, e retomando o exemplo internacionalista dos operários belgas, gregos, indianos e espanhóis, que atingiram a maquinaria bélica sionista, e dessa forma ajudaram a dar um passo objetivo na tarefa da derrota do sionismo. É a luta de classes e a unidade das massas oprimidas mundiais que abrirá o caminho para os palestinos conquistarem sua autodeterminação, que virá da constituição da Palestina una e socialista, livre do rio ao mar.
