
O Internacionalista n° 17 / MOVIMENTOS / julho de 2024
Palestina – SP
Governo, Justiça e Polícia Federal agem sob comando do sionismo e expulsam família palestina do país
Na noite de domingo (23/06/2024), a Polícia Federal/PF e a Justiça Federal expulsaram do país o palestino Muslim M. A. Abuumar e sua família. Muslim é professor da Universidade da Malásia, onde reside. Chegou ao Brasil em viagem de férias para visitar seus familiares que residem no país e são naturalizados brasileiros. Porém, antes de desembarcar do avião, foi abordado pela PF no Aeroporto Internacional de Guarulhos (21/06/2024), detido e colocado sob custódia policial. Junto de Abuumar viajava sua esposa grávida, seu filho e sua sogra. Não era a primeira viagem que faziam ao Brasil para visitar seus familiares (a última foi em janeiro de 2023). E tampouco constava qualquer pedido de extradição.
Abuumar foi perguntado de forma intimidatória se “apoiava” o Hamas e qual sua posição sobre a situação em Gaza. Essa intimidação tinha o objetivo de justificar a abordagem ilegal pelo simples fato de ser palestino. Sua detenção foi feita sobre a base de uma “lista” apresentada pelo FBI, acusando-o de ser um alto “membro do alto-escalão” do Hamas. Todavia, a PF acusou sua esposa e ele de quererem “aproveitar” a viagem para que seu filho nascesse no país e assim fossem naturalizados.
A ordem de deportação foi emitida diretamente de Brasília, a pedido da direção da PF. Camilo Graziani Caetano Paes de Almeida (Coordenador de Enfrentamento ao Terrorismo da Diretoria de Inteligência Policial) e Felipe Tavares Seixas (Coordenador-geral de Inteligência da Diretoria de Inteligência) cumpriam as ordens do sionismo. Eles estiveram juntos em uma atividade com a Conib (Confederação Israelita do Brasil), que objetivava defender Israel e criminalizar os palestinos.
Ao cumprirem com os objetivos sionistas, o Estado brasileiro se fez cúmplice da extradição ilegal, de profundo conteúdo xenofóbico e racista, sem qualquer embasamento jurídico ou ligado à “segurança nacional”, rasgando a Constituição e as leis, deixando Israel interferir na soberania do país. A justiça que determinou sua expulsão o fez contrariando todas as disposições legais existentes. Apenas bastou a acusação dos sionistas e do FBI (sem qualquer prova) para que a PF, Justiça e o próprio governo rompessem o ordenamento jurídico-constitucional para submeter mais uma família palestina à perseguição e à discriminação do Estado genocida de Israel. Tampouco é a primeira vez que o governo se subordina às imposições dos genocidas sionistas. Israel, desde novembro do ano passado, impede que se garanta a famílias de palestinos-brasileiros saírem em segurança de Gaza e virem para o Brasil. A América Latina conhece muito bem esses métodos. O Plano Condor, instaurado pelas ditaduras militares sob ordens dos EUA, agiu por cima das fronteiras nacionais para perseguir e assassinar opositores. Ao aceitar a expulsão de Abuumar, o Estado brasileiro deixou a um estado genocida perseguir e decidir sobre a vida e destino de uma família por cima das relações jurídicas que regem a atuação das instituições do Estado, e rasgou sua soberania para se submeter a um estado estrangeiro.
O holocausto palestino não será freado com declarações ocasionais ditas à tribuna, enquanto mantém acordos e se aplicam medidas que, objetivamente, ajudam a manter o genocídio em curso e a perseguição racista e colonial dos palestinos em qualquer parte do mundo. Continuar com os acordos e relações (comerciais, políticas, diplomáticas, acadêmicas etc.) que financiam e sustentam o genocídio, a exemplo do petróleo que sai da Petrobras para Israel, e a expulsão de Muslim são duas faces da mesma política hipócrita do governo de frente ampla burguesa que, mais uma vez, demostrou que só lhe interessa posar de humanitário e preocupado com os civis, sem passar das palavras aos fatos, o que significaria tomar medidas que contrariem e atinjam os genocidas.
Cabe denunciar abertamente o governo, a Justiça e a PF de subservientes do sionismo e cúmplices do genocídio ao se negarem romper quaisquer relações e impedir a interferência do Estado genocida de Israel nas decisões de estrita soberania nacional. A Conib deve ser responsabilizada por ingerência nos assuntos internos do país e a embaixada de Israel deve ser expulsa do país. A Frente Palestina São Paulo deve denunciar esse novo ato de cumplicidade do Estado brasileiro e desenvolver, imediatamente, uma campanha junto aos sindicatos e organizações populares chamando suas bases a romper com a paralisia cúmplice das direções, defendendo que recorram aos bloqueios, greves, manifestações e ocupações que obriguem o governo a romper com o Estado genocida, colonial, terrorista e racista de Israel.
