
O Internacionalista n° 17 / SINDICAL / junho de 2024
Organizar a luta dos professores e técnicos em educação do estado de RR
O sindicato dos trabalhadores em educação básica do Estado de Roraima (SINTER) convocou uma paralisação para o dia 28 de junho, colocando como principal pauta o reajuste salarial anual dos professores e técnicos, e a reposição das perdas salariais, que já contabilizam mais de 40%. A paralisação foi aprovada em assembleia ocorrida em 21 de junho, na sede do Sinter. No entanto, ela não teria ocorrido, se não fosse a mobilização e pressão dos professores da base que, diversas vezes, se reuniram na frente do sindicato, cobrando uma posição da direção que, desde o início do ano, se submete à vontade do governo em anunciar ou não o reajuste.
As negociações da direção atual do Sinter favorecem apenas o governo, que sequer se posiciona sobre a data-base, o que ele fez até agora foi marcar e desmarcar reuniões com o sindicato, sem nenhuma proposta concreta.
Em uma das reuniões organizadas pela base, a direção foi obrigada a se posicionar, porém, defendeu que o “diálogo” é o melhor método para conseguir o reajuste. Mas foi calada por professores e técnicos, que denunciaram essa direção como a pior que o sindicato já teve ao longo de sua existência. Pois, não cumpre minimamente o estatuto do sindicato, não conversa com a base, e está transformando o Sinter em um escritório do governo.
A partir da necessidade de reivindicação do reajuste dos professores e valorização da educação, os professores organizaram o Movimento dos Trabalhadores em Educação de Roraima, o MOTE. Esse movimento carrega as contradições dos trabalhadores em educação, que se vêem abandonados pelo sindicato e, ao mesmo tempo, anseiam por salários dignos e melhores condições de trabalho. Por isso, de um lado, há a defesa da criação de um novo sindicato e, de outro, a defesa da expulsão dessa direção burocrática e traidora.
Claramente, o problema não está no prédio no sindicato, ou no sindicato em si, mas nas ações traidoras da direção, que decide de forma autoritária as negociações com o governo. Não existe negociação justa, quando o governo sequer responde ao sindicato ou, quando responde, rebaixa a exigência dos trabalhadores para o mínimo. A realidade da educação no estado exige lutas reais, por meio dos métodos de luta históricos dos trabalhadores, como a paralisação, a greve, a manifestação pública, denunciando a realidade da educação, e exigindo condições de trabalho e salários dignos.
A realidade da educação do estado de Roraima é parte da realidade da educação no país, que enfrenta a mais dura precarização e desvalorização dos profissionais da área. Somente esse ano, diversos sindicatos, pressionados pela mobilização dos trabalhadores, deflagraram greve, tendo como principal pauta o reajuste anual e a reposição salarial perdida ao longo dos últimos anos. E é esse o caminho para os trabalhadores da educação em Roraima: organizar a greve a partir de suas assembleias de base para, assim, pressionar o governo, e exigir o reajuste salarial. A política de todos os governos, de esquerda ou de direita, é a de congelar o salário do funcionalismo e cortar gastos com os serviços públicos. Contra essa política, temos nossa força coletiva, os métodos de luta e as reivindicações que defendem nossas vidas e os serviços sociais para a população.
É preciso que novas assembleias sejam amplamente convocadas e nelas se organizem os comitês de mobilização, para massificar o movimento e, então, aprovar a greve dos trabalhadores da educação contra o governo que nos explora.
