O Internacionalista n° 18 / NOTAS INTERNACIONAIS / agosto de 2024


No dia 26/07, começaram os Jogos Olímpicos. Não têm mais nada a ver com as competições esportivas amadoras do passado. Os atletas são financiados por fundos financeiros e multinacionais. Os resultados das competições são manejados de acordo com os interesses das empresas de jogos e apostas, usando para isso o VAR que legitima os roubos. As Olimpíadas servem ainda ao turismo e tráfico de drogas. O Comitê Organizador dos Jogos de Paris 2024 e o Comitê Olímpico aprovaram a participação da delegação israelense. Entre seus atletas, há militares da ativa e da reserva, envolvidos em massacres na Palestina. Sob o lema de “separar a política do esporte”, as Olimpíadas se transformarão em um palco da diplomacia sionista e imperialista, que garante aos atletas de um Estado genocida marcharem sob sua bandeira e seus jornalistas, lavando a face do Estado terrorista de Israel, enquanto se negam os vistos a jornalistas russos, e a possibilidade de os atletas russos marcharem sob a bandeira nacional da Rússia, considerada um “Estado agressor”.
Dois pesos e duas medidas diferenciam os direitos de atletas e países nos Jogos Olímpicos, segundo os interesses do imperialismo e do capital financeiro internacional. Sob a farsa da hipocrisia da “festa do esporte mundial”, o imperialismo colocou esses jogos a serviço de encobrir o holocausto dos palestinos, e facilitou ao sionismo fazer sua “diplomacia” racista e suprematista, na França e por toda Europa.
O imperialismo francês (com claro apoio do imperialismo inglês, alemão e estadunidense) reproduz o cinismo que marcou a fogo os Jogos de Berlim, em 1936. Naquele momento, o nazismo usou as olimpíadas para fazer diplomacia de seu regime racista e terrorista, que culminou no holocausto judeu. Desta vez, as olímpiadas servirão para acobertar o apoio da burguesia mundial ao holocausto palestino. Mudam circunstâncias e países, mas a política de acobertar e patrocinar regimes genocidas e terroristas, que tantos benefícios e lucros trazem à burguesia, continua a mesma.
Essa analogia histórica serve para mostrar o quanto a organização de atividades esportivas é controlada pelos capitalistas e servem a seus objetivos. A diferença reside em que os Jogos deste ano são precedidos pelas maiores e mais massivas manifestações da história contra um genocídio em curso. Isso explica, em todo caso, porque a segurança do evento foi reforçada para evitar protestos e manifestações contra a participação da delegação israelense. Justifica-se também pela recente resolução da Corte Internacional de Justiça (CIJ), que reconheceu o genocídio em Gaza, e exige medidas diplomáticas e políticas dos países do mundo inteiro contra Israel. O que supostamente obrigaria a França (país signatário da CIJ) a cumprir medidas práticas, por exemplo, negar a participação de atletas de um Estado genocida a participar de atividades esportivas programadas. Tanto a participação da delegação israelense e de muitos militares genocidas na qualidade de “atletas”, bem como o reforço da segurança de seus atletas, não procura apenas protegê-los de possíveis atentados. Mas, sim, protegê-los de qualquer medida judicial no território francês. É um ato explícito de negação a assumir qualquer responsabilidade pelas decisões judiciais internacionais, e de proteção e apoio aos genocidas.
O Estado francês decidiu proteger membros de um estado genocida em território francês, enquanto reserva a repressão e a perseguição aos protestos de cidadãos e militantes franceses contra a participação de Israel , sendo os manifestantes presos e acusados de “antissemitismo”. O que esperar dos poucos atletas ou jornalistas palestinos-árabes que vierem a participar das Olimpíadas? Se decidem realizar ações, ainda que “simbólicas”, denunciando o genocídio e o assassinato de mais de 300 atletas palestinos pelos genocidas sionistas, serão expulsos e processados, recorrendo ao artigo 50 da Carta Olímpica, que proíbe manifestações políticas e provê o banimento de atletas que as realizem.
A “festa do esporte mundial” servirá à burguesia, que lucra bilhões de euros com venda de entradas, transmissão televisiva, aluguéis, etc. E também à fração ligada à produção de armamentos e ao capital financeiro que está por trás de financiamento e execução prática do genocídio levado a cabo por Israel. Tudo é uma questão de negócios: a França se mostra um parceiro confiável, e Israel mantém os insumos bélicos e a solicitação de créditos bilionários. Assim, as Olimpíadas servirão à normalização do holocausto palestino, e de cobertura diplomática aos assassinos e carniceiros sionistas, como em 1936 serviram à burguesia alemã e europeia, para acobertar sua cumplicidade com o holocausto judeu.
Não se deve aguardar um dia sequer para retomar as manifestações, bloqueios, greves, ações de rua, etc. denunciando o genocídio, exigindo a expulsão de Israel e a ruptura imediata de todos os acordos da França com o estado colonial e genocida sionista. Não se pode fechar os olhos ao fato concreto e terrível de que o genocídio de palestinos e a limpeza étnica continuam, enquanto a delegação e atletas sionistas participam alegremente dos jogos. É preciso convocar manifestações e ações de rua, para que se expulse imediatamente Israel dos jogos. A esquerda agrupada na Nova Frente Popular fecha os olhos para tudo isso, é um instrumento da burguesia para defender a “separação” entre política e esporte, e assim ludibriar as massas a não intervirem com seu programa e métodos próprios.
No primeiro jogo da seleção feminina de Israel de futebol, centenas de espectadores vaiaram o hino nacional israelense, gritaram “Palestina Livre!” e ostentaram bandeiras palestinas. Mas, não há convocatórias de sindicatos, organizações ou coletivos políticos e populares para ações de rua.
A classe operária e os demais oprimidos franceses e do mundo todo não podem ser espectadores da farsa da “festa mundial do esporte”, que serve ao genocídio e à brutal opressão colonial. Devem, isso sim, denunciá-la e organizar um boicote ativo, organizado a partir das bases e contra suas direções. Os verdadeiros internacionalistas, que não se deslumbram com os fogos de artifício que a burguesia oferece aos explorados para os anestesiar, têm de tomar a frente do chamado às massas francesas a se organizarem para boicotar as Olimpíadas com a ação direta de massas. Não deve haver “reconciliação” e “paz”, nem com os genocidas, nem com o governo que os sustenta, enquanto bombas e balas continuam massacrando palestinos todos os dias em Gaza e na Cisjordânia.