O Internacionalista n° 18 / MOVIMENTOS / agosto de 2024


No dia 03/08, foi realizado mais um ato em SP convocado como parte do “chamado global” impulsionado pela resistência e organizações palestinas pelo cessar-fogo e a imediata libertação dos presos palestinos. Uns dias antes do ato, foi assassinado Ismail Haniyeh, chefe do birô político do Hamas e responsável dessa organização pelas negociações do cessar-fogo e a libertação de presos palestinos. Haniyeh também tinha impulsionado o “chamado global” para construir a solidariedade ativa das massas mundiais para obrigar o sionismo a respeitar os acordos e à libertação dos prisioneiros que definham e são dizimados nos cárceres israelenses por meio de torturas, estupros e doenças e fome.
O ato foi realizado logo após ato de 28/07, o que sem dúvida prejudicou sua convocatória ampla nos locais de estudo e trabalho. Entretanto, o agravamento do genocídio, a destruição física dos prisioneiros palestinos e a declaração de guerra do sionismo contra Irã e os todos movimentos que lutam contra o genocídio, assassinando Haniyeh e Fuad Shukr (comandante do Hezbollah), exigiam um esforço redobrado para construir uma grande ação política de denúncia e protesto. Mas, apenas conseguiu reunir dezenas de militantes e membros da comunidade Palestina, enquanto partidos e organizações governistas (petistas e aliados) que têm exigido e proposto mobilizações estiveram ausentes.
A priorização de atos simbólicos que passam a servir às campanhas democratizantes dos partidos afundados no eleitoralismo, a realização de atos em locais isolados e esvaziados subordinados ao calendário dos lançamentos das campanhas eleitorais partidárias, assim como a priorização de uma política voltada a elaboração de petições e cartas a instituições e não ao governo, tem mostrado uma crescente influência da política governista na Frente Palestina de São Paulo/FPSP. Objetiva-se impor um desvio da crítica ao governo para a focar nas instituições, “separando” o presidente das instituições que lhe são subordinadas, o que acaba acobertando a cumplicidade com o genocídio ao continuarem em pé todos os acordos entre Brasil e Israel. E especialmente acobertando a demagogia de Lula e a inação dos sindicatos e movimentos governistas (que se negam a mobilizar e radicalizar as bases para impor ao governo a ruptura de todos esses acordos) de não assustar votantes da direita para ganhar de Nunes.
O PPRI denunciou em sua fala essa subordinação e convocou às organizações e à FPSP a cumprir a única tarefa que pode obrigar o governo a tomar medidas práticas: organizar as massas e a classe operária para as ações coletivas que possam impor ao governo medidas necessárias para ajudar a frear o genocídio. O que entra em choque com a política democratizante de arrebanhar votos e de usar os movimentos e as bases de trampolim eleitoral. Somente a intervenção ativa e radicalizada das massas poderá superar as manobras eleitoreiras e cálculos aparelhistas, e abrir uma via para que se tomem em nosso país medidas que ajudem aos palestinos a frear o genocídio e a derrotar o sionismo.