


O Internacionalista n° 18 / NACIONAL / agosto de 2024
Frente ampla para as eleições municipais: esquerda eleitoreira subordinada aos partidos burgueses
Um movimento supostamente “suprapartidário”, “Direitos Já! Fórum pela Democracia”, criado há dois anos, lançou um manifesto, no dia 19 de julho, convocando partidos e organizações para compor uma frente ampla de partidos políticos para as eleições municipais. Segundo o manifesto, “[os Partidos políticos] manifestam a sua determinação em apoiar candidaturas às eleições municipais de 2024 que estejam comprometidas com a preservação dos valores democráticos mencionados acima, e comprometem-se a considerar a oportunidade de união das mesmas sempre que necessário para derrotar candidaturas que apoiem ideias ou iniciativas que ameacem a Democracia no Brasil”.
Entre os partidos que já assinaram, estão PT, PCdoB, PSOL, Rede, PV, PDT, PSB, Cidadania e PSDB. Partidos que compuseram a frente ampla em 2022, como Solidariedade e Avante, que ainda não assinaram, mas podem compor chapas para as eleições municipais, assim como outros partidos da base governista, como o MDB. Chama a atenção a presença do PSDB, partido da direita burguesa que se encontra em decadência, mas que, tradicionalmente, esteve nas fileiras opostas às do PT.
A aproximação da esquerda eleitoreira (PT, PCdoB e PSOL) com partidos do “centro” e da “direita” burguesa revela o abandono completo dos programas reformistas (com suas promessas demagógicas em torno dos direitos sociais) em favor da subordinação completa à suposta luta contra a “extrema direita”. As alianças, no entanto, apenas fazem fortalecer as ilusões democráticas, de um lado, e, de outro, confirmam o discurso da extrema direita sobre a identidade, à semelhança dos diferentes partidos tradicionais, de esquerda e de direita, que governam o Estado burguês. Assim, em vez de “enfraquecer” a extrema direita, com tendências fascitizantes, a frente ampla burguesa acaba por fortalecê-la como um polo de “oposição”.
A única forma de combater a direitização da burguesia e o fortalecimento da extrema direita é a ação direta das massas, a partir de suas reivindicações elementares e de seus métodos próprios de luta. O reforço das ilusões democráticas atua contra essa política proletária, e joga ainda mais no lodaçal a esquerda eleitoreira que, na prática, como acontece com o atual governo Lula/Alckmin, aplica a política da “direita” burguesa (pró-imperialista, pró-capital financeiro).
É preciso combater a frente ampla burguesa combatendo as ilusões democráticas e defendendo as reivindicações em relação aos empregos, aos salários e aos direitos sociais. Essa é a política do proletariado que se deve contrapor, tanto à frente ampla quanto à ultradireita.