O Internacionalista n° 19 / MOVIMENTOS / setembro de 2024


Na ocupação “Penha Prietas”, do MST (rua Consolação e esquina da Paulista), foi realizado um ato em defesa da arte mural “Palestina Livre”, realizado em apoio à luta do povo palestino. Localizado em pleno coração da Paulista, e à vista de toda a burguesia e da pequena burguesia reacionária que apoia o sionismo, o mural e seu criador, Pagu, se transformaram em alvo de ataques. Um sionista tentou derrubar Pagu quando estava pendurado, a dezenas de metros de altura, pintando, e derramou a tinta para tentar boicotar a realização do mural. Foi mais um ataque na cadeia de perseguições, provocações e intimidações que os sionistas e os aparelhos repressivos do Estado (polícia e judiciário) realizam contra aqueles que se colocam em defesa dos palestinos. Em outro momento, uma militante teve seu braço quebrado por um agente de segurança do Clube Hebraica, quando levava uma bandeira palestina pendurada no carro. Iniciaram-se ainda processos criminais por “antissemitismo” contra militantes e movimentos.
Foi nesse quadro de avanço às perseguições e aos ataques sionistas que a Frente Palestina São Paulo/FPSP convocou um ato em uma praça próxima ao local da manifestação artística, para depois marchar até a ocupação e acompanhar a finalização do mural, a fim de proteger a obra e o artista de novos ataques nesse dia. Porém, dias antes, membros da FPSP avisaram por mensagem que a concentração seria na frente da ocupação, desfazendo assim a decisão de convocar na praça, e daí marchar pela rua até a ocupação.
Essa “mudança” não foi justificada, mas deixou claro que se impuseram decisões (individuais ou partidárias) que acabaram reforçando a subordinação da Frente aos interesses aparelhistas e eleitorais. Desde que começaram as campanhas eleitorais, se passou a priorizar atos simbólicos, campanhas mediáticas nas mídias digitais ou atividades culturais, que servem à exposição das promessas eleitorais dos partidos e à exposição de seus candidatos. Os governistas não querem “incomodar muito” a camada de votantes direitistas e de sionistas que são cabos eleitorais e apoiadores de Boulos. Supostas legendas “independentes e socialistas” (como o PSTU) também afundaram nesse oportunismo democratizante, usando os atos para filmar seus “candidatos de luta”, e editar vídeos para a campanha eleitoral. Não é por acaso que se negam a organizar as massas nos sindicatos que dirigem para impor com a ação direta que o governo Lula rompa todos os acordos com Israel.
Na parede externa da ocupação, havia a propaganda de um vereador do PT apoiado pelo MST. Governistas disseram que é melhor “ter aliados na prefeitura”, para que a pauta palestina esteja representada nas instituições. Houve quem criticasse Lula por cumplicidade no genocídio, para a seguir chamar o voto em Boulos. De toda forma, houve quem falasse da importância da luta de classes, sem, contudo, apresentar qualquer orientação prática de como atacar concretamente os interesses de Israel no país. Como se vê, as “soluções